História e evidência

peter d. kramer depressão psiquiatria

Ainda não li o livro Ouvindo o Prozac* (1999, Editora Record). Recentemente encontrei um artigo do autor, Peter D. Kramer, e gostei bastante.

O texto, intitulado Why Doctors Need Stories, fala da importância dos relatos de caso para a construção do saber médico. Em uma era dominada pela medicina baseada em evidência, em que a experiência individual é posicionada sempre à sombra de um mundo de dados quantitativos, o autor vê uma esperança de avanço, através do retorno à vinheta clínica – movimento resgatado recentemente por grandes referenciais como Oxford University Press e New England Journal of Medicine.

Consider my experience prescribing Prozac. When it was introduced, certain of my patients, as they recovered from their depression or obsessionality, made note of personality effects. These patients said that, in responding to treatment, they had become “myself at last” or “better than baseline” — often, less socially withdrawn. I presented these examples first in essays for psychiatrists and then in my book, where I surrounded the narrative material with accounts of research.

O autor utiliza narrativas individuais como exemplo em seus livros, ilustrando detalhes clínicos que ficam fora do escopo da análise quantitativa das atuais pesquisas em psicologia e psiquiatria, mas que fazem parte da clínica diária com pessoas reais.

Vai pra minha lista de leitura.

* O livro está esgotado na editora. É possível comprar na língua original, pela Amazon.

:: Leia também aqui no blog  Cão negroAlém do preconceitoGentle on my mind

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A trsiteza que veio pelo mar

Moacyr Scliar melancolia Saturno nos Trópicos psiquiatria

Sempre que posso, recomendo Saturno nos Trópicos (Companhia das Letras, 2003) para os residentes ou colegas psiquiatras que não conhecem o excelente livro de Moacyr Scliar.

A obra é uma espécie de ensaio sobre a história do complexo conceito da Melancolia na cultura ocidental, partindo do seu nascimento na Antiguidade Clássica. Scliar conduz a narrativa com muitas ilustrações tiradas das artes, das religiões e de fatos históricos.

A narrativa se desdobra em três momentos: a Antiguidade clássica, a Renascença e o Brasil durante a transição para a modernidade. Scliar fala sobre o rei Saul, sobre anatomia, bruxaria e sífilis, sobre Dürer e Bruegel, Hamlet, Policarpo Quaresma e Jeca Tatu, Cervantes, Machado de Assis, Lima Barreto, Paulo Prado e Clarice Lispector.

O caminho histórico feito pelo autor termina no Brasil, em como o conceito se expressa em nossa cultura.

(Pra quem não sabe, o grande escritor Moacyr Scliar era médico sanitarista e tinha um vasto conhecimento de história da medicina).

:: Leia também aqui no blog  Anatomia da MelancoliaA doença de SaulLoucura na Era Clássica

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Controle remoto

james tilly matthews psicopatologia psicose tear de ar

Já escrevi sobre o James Tilly Matthews aqui no blog.  O célebre paciente do hospital Bethlem foi a primeira pessoa conhecida a ilustrar de forma detalhada o conteúdo do seu delírio.

O complexo delírio de Matthews envolvia entre outras coisas um aparelho denominado “Tear de Ar” (Air Loom), descrito em detalhes pelo paciente. A máquina tinha como principal função o controle externo dos seus pensamentos e operava segundo fundamentos recém-descobertos da química e do magnetismo animal.

Encontrei no Public Domain Review um ótimo texto ilustrado sobre o caso - Illustrations of Madness: James Tilly Matthews and the Air Loom

Interessante perceber que o conteúdo bizarro do delírio tem características do que chamamos Sintomas de Primeira Ordem, segundo a classificação de Kurt Schneider. Segundo o psiquiatra alemão, fenômenos psicóticos nos quais há apagamento da fronteira entre o eu e o mundo, vividos como alucinações ou delírios nos quais o paciente se sente controlado externamente, ou delírios que envolvem difusão ou materialização do pensamento (telepatia, capacidade de ouvir pensamento, etc); seriam característicos da esquizofrenia. A classificação foi criada para diferenciar esse tipo de alteração daquelas presentes em outras psicoses, como as relacionadas a doenças afetivas.

:: Leia também aqui no blog  Delírio ilustradoTrês vezes delírioBleuler ipsis litteris

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Pareidolia

 

Já escrevi sobre a pareidolia aqui no blog:

Pareidolia é a ilusão que ocorre quando o cérebro tenta encontrar imagens conhecidas em estímulos sem organização. Isso acontece quando olhamos para as nuvens, por exemplo, e identificamos o formato de um animal ou objeto, ou quando percebemos rostos humanos ou monstruosos em manifestações da natureza, como nesta imagem.

É comum que essa pegadinha do cérebro faça as pessoas verem figuras religiosas (Jesus e Virgem Maria são os campeões aqui no Brasil) nos lugares mais inesperados.

No vídeo acima, o humorístico Porta dos Fundos mostra como essa ilusão pode ser  convincente.   :)

:: Leia também aqui no blog  Assim é se lhe pareceUm teste para alucinaçõesIlusões na floresta

Uma história da Nostalgia

nostalgia psicologia psicopatologia psiquiatria

Chamam de nostalgia aquele sentimento melancólico decorrente do afastamento: da pátria, dos entes queridos, do passado. O termo foi cunhado em 1622 por Johannes Hofer, como uma tradução do grego para o nome alemão Heimweh. 

Inicialmente, o termo tinha o mesmo sentido do nosso banzo, afecção grave que acometia escravos no nosso período colonial. O termo tem origem banta e designa um estado de profunda tristeza sentida pelos negros arrancados de sua terra natal, que levava ao definhamento e, em muitos casos, morte. (Leia mais sobre o banzo, aqui).

Encontrei um ótimo artigo publicado recentemente no periódico History of Psychiatry, sobre o tema - Nostalgia: a conceptual history (o acesso ao artigo na íntegra é pago, mas você pode tentar ler aqui).

Alguns pontos interessantes:

  • O termo foi formado por adição de nosos (retorno à terra natal) e algia (dor, sofrimento). Outros nomes cogitados por Hofner para o sentimento foram pothopatridalgia, nostomania e philopatridomania;
  • Em francês, era chamada malade du pays, literalmente, “doença de país”. Em espanhol existia no começo do séc. XVII como mal de corazón.
  • Segundo o construto de Hofner, a doença acometia mais suíços e tinha origem anatômica em fibras nervosas cerebrais profundas, onde estariam entranhados os sentimentos relacionados à pátria.
  • No começo do séc. XIX passou a ser considerada um grava doença que acometia soldados, principalmente na França das Guerras Napoleônicas.
  • A tese de doutorado de Karl Jaspers intitulada Heimweh und Verbrechen (Nostalgia e Crime), avaliava casos de mulheres do séc. XIX que, motivadas por fortes sentimentos nostálgicos, haviam cometido assassinatos.

Encontrei também outro texto sobre o tema, na Harvard MagazineHypochondria of the Heart

:: Leia mais aqui no blog  O peso das horasOnde foi parar o colapso nervoso?Loucura na Era Clássica

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A pós-modernidade

pos-modernidade internet simulacro

Estávamos conversando sobre simulacros, quando  escutei essa do amigo professor José Nilton de Figueiredo, sobre as aulas na disciplina de filosofia da história, ministradas na URCA:

“Quando eu quero explicar o que é a pós-modernidade pros alunos eu conto a seguinte história: imagine que dona Chiquinha vem andando na rua, ali pela pracinha, perto do centro. Conduz uma criança pelo braço, sua netinha de sete anos. Eis que encontra uma amiga que há muito não vê.

Dona Chiquinha se apressa então em apresentar a garota, toda orgulhosa:

- Olha comadre, essa é minha neta, a Cleidinha!

A menina, de fato, é um mimo. O que gera o comentário sincero da amiga:

- Mas ela é uma gracinha!

Não se contendo de satisfação, dona Chiquinha emenda:

- Ah, você precisar ver é a foto dela, comadre!”

Concordo, professor Dedé. Assim é a pós-modernidade.

:: Leia mais aqui no blog  Espírito de manadaEsquecendo o telefoneA vida, fora da rede

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Antes de Cotard

desintegração cotard psiquiatria psicopatologia

Já escrevi sobre a síndrome de Cotard algumas vezes aqui no blog. Relembrando:

Chamamos Síndrome de Cotard (pronuncia-se “cô-tár“) o conjunto caracterizado por delírios ao redor da temática da degeneração ou putrefação do corpo ou de órgãos internos, associados geralmente a alucinações (visuais, olfativas, cenestésicas) referentes à idéia em questão. Então, por exemplo, um paciente pode crer de maneira delirante que seu fígado apodreceu e ter alucinações olfativas do cheiro desagradável vindo do seu interior. Em casos mais graves o paciente pode crer que está morto.

O quadro psicopatológico foi consagrado após descrição do neurologista Jules Cotard em 1880.

Encontrei no ótimo Mind Hacks a indicação de uma descrição de um quadro semelhante, muito anterior à do francês. Segundo o blog, há um relato do médico holandês Levinus Lemnius, feito em 1546, de um paciente com delírio de negação, que hoje levaria o nome de síndrome de Cotard.

Leia lá [em inglês]: An earlier illusory death

:: Leia mais aqui no blog  Funeral de mentiraLicantropiaMedo e delírio na rave

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PKD & Crumb

weirdo crumb phillip k. dick psicodelia

Robert Crumb já apareceu outras vezes aqui no blog.

Dessa vez indico, desenhada por ele, a psicodelíssima viagem alucinatória do autor Philip K. Dick (ou PKD para os entendidos), outro que dispensa apresentações, em busca do sentido da realidade.

A história apareceu em 1986 na revista Weirdo, fundada pelo próprio Crumb. Você pode ler o relato ilustrado, online, no BrainpickingsR. Crumb Illustrates Philip K. Dick’s Hallucinatory Spiritual Experience

(Interessante perceber logo no primeiro painel que Crumb interroga se a experiência mística de PKD não seria a manifestação de uma “esquizofrenia aguda”)

Falando em psicodelia, aproveite e veja aqui no blog outros posts sobre o assunto:

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Uma história da trepanação

trepanação loucura história psiquiatria

Há evidências que trepanações era realizadas em 6500 A.C. Achados arqueológicos de várias culturas antigas, de gregos a egípcios, evidenciam o que provavelmente foi a primeira intervenção cirúrgica.

O verbo ‘trepanar’ deriva do grego trypanon, que significa ‘broca’. O procedimento consiste de fazer buracos na calota craniana e expor a dura-máter com o objetivo de tratar enfermidades ligadas direta ou indiretamente ao cérebro.

Especula-se que o homem pré-histórico utilizasse a técnica para uma variedade de condições, de traumatismos crânio-encefálicos (com o mesmíssimo objetivo das atuais craniotomias descompressivas) a epilepsia, passando por transtornos mentais.

Sim, os pacientes sobreviviam a isso. Análises arqueológicas mostram que havia chances de sucesso relativamente altas.

Encontrei uma ótima coleção de imagens e informações sobre a trepanação aqui: The True Story Of Ancient Brain Surgeries

Apesar das evidências e hipóteses científicas, ainda há muito sobre o que entender sobre o fenômeno.

:: Leia mais aqui no blog   Louco de pedraCharlatanismoTratando o amor

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Cartum #78

Cartum psicanálise divã

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A mente de dois mil e quinhentos

dois mil e quinhentos ditadura

Deu no jornal: dois mil e quinhentos querem a volta do regime militar no Brasil. 

Enquanto centenas de milhares protestam em Hong Kong pela democracia há trinta dias seguidos, o equivalente à lotação do pequeno estádio de futebol Tupizão, no interior de Minas Gerais, faz barulho nas ruas de São Paulo pelo retorno de um período de tortura e morte comandados pelo Estado.

É como se toda a população de Pindoba, interior de Alagoas, saísse de casa num sábado para pedir às autoridades exílios, fuzilamentos, desmandos e censura. É pouca gente, mas é muita agressividade. É muita incapacidade de reconhecer-se no outro. É muita ignorância.

Em 1921, à medida que ideologias facistas e nazistas ganhavam mais adeptos na Europa, Freud ousou entender o que acontece na mente coletiva da multidão. Em A psicologia das Massas e Análise do Euo médico vienense compara a massa a um organismo vivo, formado por células  - as pessoas – e conclui que as motivações e comportamentos do grupo diferem daqueles de seus integrantes, quando avaliados individualmente. Perde-se também, na multidão, o sentimento de responsabilidade e os freios morais. O que equivale a dizer que o indivíduo, quando tomado pelo sentimento de manada, age de maneira muitas vezes irracional e imprevisível.

Quero acreditar em Freud, e considerar que todos os dois mil e quinhentos sozinhos em sua existência mundana, na lida comum com os perrengues diários, não se identificam com o déspota idealizado e maquiavélico que desejam que suba ao poder. Quero acreditar que isso se trata só de uma rixa passageira, como a de uma torcida organizada que reage mal à derrota do seu time.

Dois mil e quinhentos é um pouco menos do que o número de mortos e desaparecidos na ditadura do Chile. É também o número de prisioneiros abrigados em um dos primeiros campos de concentração, criado quando os nazistas subiram ao poder em 1933.

É certamente um número bem menor do que aquele que reuniu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, onde se pedia a prisão de João Goulart; mas certamente superior em virulência e rancor: um deputado que participou da caminhada pela Avenida Paulista sugeriu o fuzilamento da presidente.

O que a mente cega e narcisista de  dois mil e quinhentos quer é que sua liberdade seja confiscada. Já pensou?

Dois mil e quinhentos não são muitos, mas são demais. São demais para os outros milhões que se escandalizam ao olhar para o passado e deparar com décadas de violência e privação de um regime militar.

:: Leia também aqui no blog  Espírito de manadaEmoções públicas, emoções privadasEsquizofrenia e desintegração

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Síndrome de Diógenes

síndrome de diógenes colecionismo psiquiatria

‘Diogenes’, Jean-Léon Gérôme (1840)

 

Diógenes, o célebre filósofo grego que viveu mais ou menos na época de Hipócrates (o pai da medicina), abandonou todos os bens materiais em nome de suas ideias. Vivia como um mendigo pelas ruas de Atenas e habitava um barril: queria provar que era possível existir com o mínimo do que é material. Durante  o dia, vagava pelas ruas com uma lamparina e, quando indagado por transeuntes, respondia que estava à procura de um homem honesto.

Mas o que a história do pensador ateniense tem a ver com uma notícia recente do Estadão que conta como 20 caminhões abarrotados esvaziaram o lixo acumulado na casa de uma idosa?

Chamamos de síndrome de Diógenes (ou síndrome de esqualidez) o colecionismo patológico que acomete alguns idosos, muito frequentemente associado a síndromes demenciais e sintomas depressivos. Além da compulsão por acumulação, essas pessoas apresentam auto-negligência, apatia, retraimento social e um descuido significativo com a higiene doméstica.

A semelhança da síndrome com o desleixo e negligência nos quais vivia o filósofo grego – diz-se até que dividia comida e espaço com cães de rua – fez nomear esse comportamento patológico.

Aqui, um artigo interessante sobre o problema - Diogenes syndrome: The self-neglect elderly

(E aqui um outro, em português)

:: Leia mais aqui no blog  Síndromes do mundoSobre epônimos (e o sobre um mestre dos disfarces)O Duplo

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O nascimento da psicologia científica

alfred binet psicologia QI

Encontrei no Historiens de la Santé um ótimo web-documentário sobre Alfred Binet, considerado o pai da psicologia científica: Alfred Binet. Naissance de la psychologie scientifique [em francês]

Binet nasceu na frança e atuou no final no século XIX e começo do XX. Foi um dos discípulos de Charcot em Salpêtrière. Entre outros feitos, foi o idealizador do primeiro teste sistemático de avaliação da inteligência.

Curiosamente, também escreveu um tratado sobre a psicologia dos grandes jogadores de xadrez.

(Infelizmente o documentário só existe em francês, sem legendas).

:: Leia também aqui no blog  Fotógrafo de almasSobre epônimos (e o sobre um mestre dos disfarces)Musas da histeria

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Intermezzo

The lunatic is on the grass. 
Remembering games and daisy chains and laughs. 
Got to keep the loonies on the path.

(Lembrei de um artigo curioso sobre a origem do uso do termo “lunatic” na lingua inglesa para designar pessoas com transtornos mentais. Segundo os autores, a palavra estreou na língua dos bretões no século XIV. Aparentemente, o termo servia em sua acepção inicial para denominar pessoas com epilepsia e só depois foi utilizado para nomear os loucos.)

Crianças não são burras

Meu post em homenagem ao dia das crianças.

Outro dia ouvi uma amiga que tem filhos reclamar que a música O Leão – sucesso nos anos oitenta como hit do disco infantil Arca de Noé 2- era violenta demais. Verdade. Em alguns momentos o cantor fala das habilidades predatórias do rei dos felinos sem muito eufemismo:

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda

Mas leões, não os dos desenhos animados de hoje, são assim mesmo. Eu completaria minha amiga dizendo que o leão da música de Fagner e Vinícius de Moraes além de selvagem, ainda fala difícil. E perguntaria também: que criança pequena conhece as palavras “fornalha”, “labareda”e “navalha”? Provavelmente nenhuma. E isso é bom, pois aí está uma bela chance para elas aprenderem palavras novas, e o que é melhor: com os próprios pais – que um dia, há três décadas, ouviram a música e não sabiam o que elas queriam dizer.

Estudos mostram que repetições de fonemas de palavras, ainda que desconhecidas de crianças, aumentam o repertório vocabular. Isto é, cantarolar letras de qualquer tipo, com palavras familiares ou não, ajudam a médio prazo a melhorar a fala. Então não há razão para as crianças escutarem as pasmaceiras que alguns pais selecionam hoje em dia baseadas unicamente na simplicidade (estupefaciente) das letras. Além disso, crianças parecem ganhar confiança em informantes com melhor conhecimento vocabular e dispostas a ensinar. Um estudo sugere que pré-escolares preferem aprender com esses adultos. (Por isso, Fagner pode ser um professor mais adequado do que a Xuxa, por exemplo). Nosso Poetinha sabia intuitivamente disso.

Do mesmo jeito, por que não ensinar um pouco sobre como as coisas acontecem na natureza, lá no outro lado do mundo, num continente misterioso e selvagem? Leões caçam cabritinhos saltitantes, não porque são maus, mas porque é assim na natureza. Ainda segundo o fantástico disco infantil, porquinhos assados são deliciosos (‘do rabo ao focinho, são todo toicinho’), Galinhas d’Angola comem cocô e pessoas soltam pum. Não há mal nisso, senão uma boa dose de cotidiano, de uma vida natural que as crianças de apartamento hoje vêem cada vez mais por uma estreita janela.

Como pai de dois,  meu conselho é: arrisque. Não menospreze a capacidade intelectualdos meninos e meninas. Nossos bebês não são burros; muito mais do que descobrir assepticamente o que tem na sopa do nenem, eles querem – e podem – aprender novas palavras. É direito deles também conhecer aspectos do mundo natural sem grilos.

ResearchBlogging.org Gathercole, S., & Baddeley, A. (1989). Evaluation of the role of phonological STM in the development of vocabulary in children: A longitudinal study Journal of Memory and Language, 28 (2), 200-213 DOI: 10.1016/0749-596X(89)90044-2

Gathercole, S., & Baddeley, A. (1990). The role of phonological memory in vocabulary acquisition: A study of young children learning new names British Journal of Psychology, 81 (4), 439-454 DOI: 10.1111/j.2044-8295.1990.tb02371.x

Jaswal VK, & Neely LA (2006). Adults don’t always know best: preschoolers use past reliability over age when learning new words. Psychological science, 17 (9), 757-8 PMID: 16984291

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