Música para esperar

sala de espera música psiquiatr

Recentemente fiz uma seleção de discos tranquilos para tocar na sala de espera do meu consultório. Compartilho aqui uns bons achados.

Tentei fugir do lounge de shopping center e do easy listening banal e terminei optando por músicas com algum sentido além de só preencher o silêncio.

Os links do álbum levam ao site Allmusic.com, onde é possível ler sobre o disco. Você pode também escutar as músicas, via Grooveshark.

Você pode, ainda, comprar os discos online, na iTunes store. Baixe os discos e ponha no shuffle. Os ouvidos dos pacientes devem agradecer a gentileza.

(Funciona também no Rdio e outros servidores de streaming)

  • Hambone’s meditation, Luther Dickinson (instrumental, folk) – Músicas autorais com os dois pés na cultura do sul dos EUA, executadas ao violão. Melancólico e reflexivo. [escutar]
  • Pure Ella, Ella Fitzgerald & Ellis Larkins (jazz) – Na minha opinião, as melhores interpretações da fantástica Ella Fitzgerald estão neste disco que é praticamente só voz. O piano na medida certa serve apenas pra iluminar uma das maiores vozes de todos os tempos. [escutar]
  • Chambre avec vue, Henri Salvador (jazz, bossa) – O último disco de uma das grandes influências da bossa nova brasileira. O compositor e cantor Henri Salvador em sua melhor forma. Música que cheira a praia.[escutar]
  • Getz/Gilberto, Stan Getz & João Gilberto (jazz, bossa) – Um dos discos de jazz mais vendidos da história. A parceira de João Gilberto com o saxofonista americano é perfeita.[escutar]
  • The Beatles Ballads, The Beatles (pop) – Uma coletânea só com músicas suaves dos rapazes de Liverpool. Não precisa dizer mais nada.
  • Symphonicities, Sting (pop) – O grande Sting reinterpreta sucessos com arranjo sinfônico. Interessantíssimo. Atenção para como Every little thing she does is magic ficou ainda mais bonita. [escutar]
  • Samba esquema novo, Jorge Ben (MPB) – Um dos grandes discos da música brasileira. É o primeiro LP do Jorge Ben.  Tudo na medida certa: samba, bossa e pop. Ultra cool. [escutar]
  • Declaration of dependence, Kings of Convenience (pop) – O melhor disco de uma dupla de artistas noruegueses. Música suave, impossível de desagradar, mas sem ser muito adocicada. Outro disco que cheira a praia, mas de um jeito diferente. [escutar]
  • Spyglass Gypsies, Spyglass Gypsies (instrumental, gypsy jazz) Jazz no estilo cigano, inspirado em guitarristas como Django Reinrardt. Muito classudo. [escutar]
  • After the Rain…The Soft Sounds of Erik Satie, Pascal Rogé (instrumental, clássico) – Interpretações das belíssimas composições do pianista Erik Satie. Atenção para as famosas Gimnopedie. [escutar]
  • Debussy: Clair de lune & Other Piano Favourites, Francois-Joël Thiollier (instrumental, clássico) – Seleção de composições de Debussy para o piano em excelentes interpetrações. Tem Clair de lune, claro. [escutar]
  • Wave, Tom Jobim (instrumental, bossa) – Um clássico do maestro. Grandes músicas de Jobim arranjadas por Claus Ogerman fazem desse disco de 1967 uma jóia perene. [escutar]
  • Covers, Norah Jones (pop, country) – Lindas versões feitas por uma das cantoras mais talentosas da música americana atual. Norah Jones aproxima tudo do country e do folk tradicionais, mas com timbres modernos. Gosto muito da versão de Jesus, etc do Wilco. [escutar]
  • Putumayo presents: French Cafe, Vários (chanson, pop) – A gravadora Putumayo lançou uma grande coleção de world music temática nos anos 90. Essa é uma coletânea de músicas que lembram um passeio tranquilo pelas ruas de Paris. [escutar]
  • Ballads, John Coltrane (instrumental, jazz) – O maior saxofonista de todos os tempos prova que o jazz pode ser muito palatável sem soar piegas. Um disco elegantíssimo. [escutar]
  • Chet baker sings: It could happen to you, Chet Baker (jazz) – A voz melodiosa que inspirou João Gilberto, de um dos grandes instrumentistas do cool jazz  americano surpreende intepretando stardards. [escutar]
  • The most relaxing classical music in the universe, Vários (instrumental, clássico) – Coletânea de 30 peças clássicas selecionadas para criar um clima de relaxamento. De Mozart a Bach por grandes orquestras e intérpretes. Atenção  para a maravilhosa Venus de Gustav Holst. [escutar]

 :: Leia também aqui no blog  InterioresMúsica e dopaminaGershwin e os movimentos do humor

Leave a Comment

Interiores

divã psicanálise terapia consultório

A fotógrafa norteamericana Shellburne Thurber  visitou o consultório de terapia de vários analistas para registrar o espaço físico onde acontece a relação psicanalítica.

As imagens revelam desde ambientes despretensiosos até a fixação imagética com Freud, um dos insuperáveis cacoetes da psicanálise. Vale a pena ver a galeria: Shellburne Thurber’s images of consulting rooms

:: Leia também aqui no blog  Arco histéricoUm fotógrafo na enfermaria psiquiátricaPlaneta particular

Leave a Comment

Teste da banheira

banheira piada psiquiatria manicômio

Uma piada. Porque ninguém é de ferro.

Durante uma visita a um hospital psiquiátrico, perguntei ao diretor como ele determinava se um paciente precisava de internação. “Bem”, repondeu ele, “a gente enche uma banheira com água e oferece à pessoa uma colher de chá, uma xícara ou um balde, e pede para ela esvaziar a banheira”.

“Entendi”, eu disse. “Uma pessoa normal usaria o balde, já que é maior que a colher e que a xícara. “Não”, responde o diretor, “uma pessoa normal tiraria o tampão do ralo. Você gostaria de sua cama perto da janela?”

(via Trust me, I’m a “psychologist”)

:: Leia também aqui no blog  TOC nas estrelasOnde você pára?O louco da turma

Leave a Comment

Esquizofrenia em destaque

esquizofrenia nature capa pesquisa revista

O último suplemento da Nature Outlook é todo dedicado à esquizofrenia. Você pode acessar gratuitamente aqui, ou até pedir uma cópia também grátis da revista impressa (números limitados), aqui .

Detalhe: a ilustração da capa foi feita por Sue Morgan, diagnosticada com esquizofrenia há vinte anos. Veja um vídeo da artista, sobre o processo de desenho da capa: Schizophrenia: Designing the cover

(Aqui, outro vídeo da artista que fala sobre suas sensações e pensamentos como portadora de esquizofrenia)

:: Leia também aqui no blog  SkhizeinOs custos da psicoseNovas idéias sobre uma velha doença

Leave a Comment

Loucura na Era Clássica

período clássico menecmos loucura alucinações

A Columbia University recentemente lançou um livro que é uma coletânea de textos sobre o transtorno mental no mundo clássico. Mental Disorders in the Classical World (Columbia Studies in the Classical Tradition) já foi pra minha wishlist da Amazon. Segundo a descrição do site, o livro

…seeks to show through interdisciplinary work how the first medical scientists and their lay contemporaries conceptualized mental disorders and attempted to diagnose, understand and treat them.

Como prévia, encontrei uma entrevista com William Harris, o editor do livro. No texto ele fala sobre alucinações entre os gregos e romanos do período. Vale a pena ler: Look to the Romans to Understand Hallucination

Segundo o autor, apesar da atribuição divina dada à boa parte dos eventos alucinatórios, em alguns casos, como na peça “Os menecmos” de Plauto, quando um dos personagens escuta a voz de Apolo ordenando que cometa um assassinato, os outros personagem acreditam que aquele deve procurar um médico.

:: Leia também aqui no blog  Páginas melancólicas,Anatomia da MelancoliaA doença de Saul

Leave a Comment

Cartum #68

cartum psicanálise humor facebook divã

“Ponha um sorriso no rosto e o resto do corpo vai reagir do mesmo jeito. Não é um teoria cientificamente comprovada, mas eu consegui 1,297 curtidas no Facebook”

 

Leave a Comment

Viagem pela mente

neurocomic neurociência quadrinhos graphic novel

Neurocomic (2013, Nobrow) é uma bela graphic novel sobre como o cérebro funciona. A obra é o esforço conjunto dos neurocientistas Hana Roš e  Matteo Farinella (que também é desenhista).

Das descobertas de Pavlov no final do século XIX ao entendimento da neuroplasticidade no século XXI, o livro cobre os avanços da ciência na tentativa de entender o complexo funcionamento da massa cinzenta. Os quadrinhos prometem agradar crianças curiosas e adultos inquietos.

O livro ainda não foi lançado no Brasil. Veja mais aqui.

:: Leia também aqui no blog  Sigmund na nona artePsicanálise em quadrinhosA estranha aura de “Epiléptico”

Leave a Comment

Destruidora de lares

crônica destruidora de lares s. albuquerque

Dois amigos conversam em tom de segredo no bar. Esperam um terceiro.

- Te chamei aqui porque o negócio é serio.
- Fala logo! É com o Zezinho? – tira os olhos do Whatsapp pra escutar o primeiro. O negócio é sério. O da má-notícia continua:
- Isso. Ou melhor, com o filho dele. Antes que ele chegue: o rapaz tá envolvido com um troço brabo…

O outro interrompe, sem se aguentar de curiosidade e preocupação. Dedo em riste:

- Já sei, é crack! Isso tá acabando com a juventude…
- Te acalma, homem! Fala baixo e escuta. O negócio é pior.
- Se assumiu! Eu sabia! Aquele brinquinho na época da faculdade nunca me enganou. – ergue de novo o dedo: – Isso é culpa da mídia que…
- Vai me escutar ou não? Assim não falo mais.

O curioso toma, resignado, um gole de cerveja. É o sinal que o outro pode continuar.

- Então. Te falei que era negócio brabo, pesado. Se fosse um filho meu! –  suspira emocionado, engole uma azeitona e continua: – o menino, o filho do Zezinho, tá metido com política.

O outro se engasga com a cerveja. Tosse forte, cospe na toalha da mesa, limpa a boca e o nariz com o braço e volta com aquela voz fininha de quem acabou de se engasgar.

- Tá falando sério? Tá me dizendo que o rapaz anda dando opinião de política por aí? Ah, se fosse um filho meu!
- Não, não. Isso é fichinha hoje em dia. Isso e fumar maconha; todo rapaz faz. O problema do filho do Zezinho é pancada. Tô falando de política partidária, pleiteando cargo e tudo!

O curioso, agora pasmado, não se aguenta: levanta da cadeira, dá duas voltas ao redor da mesa, morde o lábio inferior. Quer acender um cigarro. Melhor não – o bar não aceita fumantes. Que dar um soco na mesa mas se segura; não que dar vexame, mas se fosse um filho dele…

- Rapaz, como é que você me conta isso assim, de chofre? Meu stent não aguenta! Política partidária?! O Zezinho não vai suportar! Bem que eu disse pra ele não se separar da mãe do rapaz. Esse negócio de divórcio…

Nisso entra o Zezinho no bar e os amigos se calam, taciturnos. O pai do problema senta com os colegas, todo pimpão. Entre os dois paira um ar pesado, enevoado, apesar de o local não aceitar fumantes.

Zezinho cumprimenta os amigos sem notar a tensão. Puxa do bolso um santinho:

- Pessoal, antes mais nada queria pedir um favor a vocês…

Os dois amigos olham para a lapela de Zezinho onde repousa, recém-colad0, um colorido adesivo de campanha. Solenes, cada um leva o copo de cerveja à boca e combinam com um olhar: esse mundo está mesmo perdido.

 

:: Leia outras crônicas aqui no blog  Eu e a burocraciaEmoções públicas, emoções privadasO que vem primeiro

Leave a Comment

A esperança além do suicídio

virginia woolf suicidio psiquiatria esperança

A escritora inglesa Virginia Woolf cometeu suicídio em 28 de março de 1941. Tinha então 59 anos.

Não podendo suportar uma nova crise de depressão que sentia se aproximar, a artista encheu os bolsos de pedras e afogou-se no rio atrás de sua casa. O panorama do mundo também se fechava no longo túnel que seria a Segunda Guerra.

Acima, a carta de suicídio deixada por Virginia para o marido Leonard Woolf. A tradução que se segue é livre, feita por mim:

Querido,

Sinto que certamente vou enlouquecer de novo. Sinto que não podemos passar de novo por um daqueles períodos horríveis. E eu não vou melhorar dessa vez. Começo a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que considero ser o melhor. Você me deu as maiores felicidades possíveis.  Você foi pra mim tudo o que uma pessoa pode ser. Não creio que duas pessoas pudessem ser tão felizes, não fosse essa terrível doença. Não posso mais lutar. Sei que estou atrapalhando sua vida e que, sem mim, você poderia continuar trabalhando. E vai ver eu sei. Você pode ver que não consigo nem escrever isto direito. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade que tive na vida a você. Você tem sido perfeitamente paciente e incrivelmente bom. Quero dizer isso; e todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, seria você. Tudo me deixou, menos a certeza de sua bondade. Não posso mais continuar atrapalhando sua vida.

Não creio que duas pessoas pudessem ser tão felizes quanto nós fomos.

Provavelmente Virginia Woolf sofria do que chamamos hoje de transtorno bipolar. À época de sua morte não havia tratamentos efetivos para o problema.

Dedico esse post a todas as pessoas que, em algum momento da vida, contemplaram o suicídio como saída. Quero dizer que há esperança, que tudo pode melhorar; que provavelmente você está ou esteve doente, mas que pode – e vai – se recuperar.

Não, a felicidade não cabe em um comprimido. Mas há amplos gestos de empatia e compreensão que podem salvá-lo, basta aceitar a mão que se estende: do médico, do psicólogo, da família, do amigo. Você não precisa passar por isso sozinho.

Não desista. Procure ajuda.

:: Leia também aqui no blog  Cão negroO peso das horasAura poética

Leave a Comment

Fotógrafo de almas

Hugh Welch Diamond  psiquiatria fotografia

Entre 1848 e 1858 o médico inglês Hugh Welch Diamond (1809-1886) fotografou pacientes no hospital psiquiátrico Surrey County Asylum.  Welch (retratado na foto acima) acreditava que essas imagens poderiam ajudar no diagnóstico de doenças mentais, já que cada doente apresentaria uma aparência típica e identificável.

Veja aqui uma galeria de fotografias da época: The physiognomic portraits of Dr. Hugh Welch Diamond

Um dado importante: Welch fez sua primeira imagem em 1839, apenas três meses depois que William Henry Fox Talbot apresentou a fotografia ao mundo.

:: Leia também aqui no blog  Um fotógrafo na enfermaria psiquiátricaEstranhos à razãoHistória ilustrada da psiquiatria

Leave a Comment

Cartum #67

peanuts cartum tirinha depressão

Leave a Comment

Hermes contra a sífilis

sífilis mercúrio tratamento

Já escrevi sobre uma das graves complicações psiquiátricas da neurossífilis, a paralisia geral progressivaaqui.

A sífilis surgiu na Europa no começo do século XVI. “Surgiu” é maneira de dizer; há quem argumente que desde muito antes a doença já habitava o velho continente, sendo diagnosticada erroneamente como lepra. A verdade é que as emergentes rotas de comércio serviram para espalhar a doença do treponema por quase todo o mundo conhecido.

Ironicamente, o primeiro tratamento para a sífilis foi o elemento que leva o nome do deus romano do comércio e das estradas: Mercúrio (Hermes para os gregos)

O efeito do mercúrio sobre a lues foi descoberto empiricamente. Alguém percebeu que trabalhadores de minas de sal daquele metal não contraíam a doença. A partir daí foi um passo para usar o mercúrio como agente terapêutico. Os pacientes, no entanto, tinham poucas chances de cura e boa parte morria por toxicidade do próprio tratamento.

(Na foto que ilustra o post, bandagens e seringa para aplicação de mercúrio)

Continue lendo para ver mais imagens históricas.

(more…)

Leave a Comment

Salada de palavras

paulo mendes campos tédio o amor acaba

“o tédio é um câncer, uma poeira pela qual passamos sem ver, mas que respiramos, comemos e bebemos, e que termina por cobrir-nos os rostos e as mãos. É preciso sacudir essa chuva de cinza. Por isso o mundo tanto se agita; ou habitua-se ao tédio, que é um desespero abortado, uma forma torpe de desespero – a fermentação de um cristianismo decomposto.”

Paulo Mendes Campos, na crônica “Anatomia do tédio” do excelente livro O amor acaba.

(A quem interessar possa, mais sobre o tédio neste outro livro.)

Leave a Comment

Um pouco de sinestesia em cada um de nós

sinestesia psiquiatria psicologia neurociências

Sinestesia é capacidade  de vivenciar estímulos de um orgão sensorial através de outro. É, por exemplo, ouvir uma cor ou visualizar um som. Até pouco tempo acreditava-se que isso só acontecia em condições especiais, como no uso de drogas psicoativas.

Encontrei uma interessante matéria na revista eletrônica Nautilus (aproveito para indicar também a revista) sobre os mecanismos neurológicos da sinestesia.

Ultimamente, esse fenômeno tem recebido muita atenção da comunidade neurocientífica. Vários estudos  lançam mão da compreensão neurobiológica da sinestesia para entender a sensopercepção “normal”.

Most of us, after all, have felt the almost painful shiver of hearing fingernails scratching a blackboard, or have gotten the chills when Whitney Houston hits a high note. Given the similarities between the brain cells that process sounds and feelings, it’s even possible, Ro says, that a sense of hearing evolved from a sense of feeling.

A matéria Sound and Touch Collide explica como a coisa funciona e revela que nossos sentidos habitualmente tendem a funcionar de modo sinestésico.

:: Leia também aqui no blog  Ouvindo coresAs viagens de Oliver SacksLições de um cérebro danificado

Leave a Comment

Folia

folia loucura carnaval

Só pra não passar em branco no Carnaval, lembro que a palavra “folia”, originalmente, quer dizer loucura.

O termo vem do francês, folie - palavra ainda hoje usada lá para designar maluquice -, que por sua vez vem do latim follis, que quer dizer fole, ou algo repleto de vento. É uma alusão, em francês, ao fato de o louco ter a cabeça vazia, ou cheia de vento.

(Aproveito pra indicar o interessante site Histoire de la Psychiatrie en FranceÉ um pouco desorganizado, mas vale a pena)

:: Leia também aqui no blog  A loucura e seus nomes (III)A loucura e seus nomes (II)A Loucura e seus nomes

Leave a Comment