Cartum #38
(por Daniel Lafayette)

O extraordinário caso do americano Phineas Gage, um operário das estradas de ferro que sobreviveu após ter o crânio atravessado por uma barra de ferro em 1848, virou uma história clínica paradigmática da neurologia e psiquiatria. Após recuperar-se do trauma inicial, Gage apresentou uma profunda mudança na personalidade provocada pelas lesões no lobo frontal.
Mais extraordinário do que o caso é o fato de Edgar Allan Poe ter descrito uma síndrome idêntica, oito anos antes. No conto The Business Man (não achei a versão em português) o personagem principal apresenta boa parte das mudanças de personalidade de uma síndrome do lobo frontal, provocadas por um traumatismo craniano na infância.
Leia um ótimo artigo sobre o assunto: The medical prescience of Edgar Allan Poe
That incident defines the man’s life; he develops a slavish adherence to exactness and obsession with methods that are characteristic of a modern diagnosis of frontal lobe syndrome. After losing his job over a matter of two pennies, Poe’s hero becomes an increasingly violent sociopath, going into the “Assault and Battery trade” and is eventually thrown into prison.
*Bônus: Um recente estudo de neuroimagem avalia o caso Phineas gage
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Em 1918, no hospital militar de Pasewalk, o psiquiatra professor Edmund Forster trata, por meio da hipnose, o cabo Adolf Hitler de uma “neurose de guerra” (cegueira histérica). Em 1933, Hitler assume o poder sobre a Alemanha nazista. Pouco tempo depois, Forster entra em contato com um grupo de escritores que viviam em exílio em Paris e passa sigilosamente a eles os seus conhecimentos sobre o caso.
A Revista de Psiquiatria Clínica publicou em 2006 um artigo interessante sobre o prontuário médico do Fürer. O boletim médico original desapareceu e a trágica história que o envolve termina com três assassinatos e dois suicídios.
Pelas atuais classificações o jovem Adolf Hitler – com 29 anos à época do internamento - receberia hoje o diagnóstico de anestesia e perda sensorial dissociativa.
Leia aqui o artigo completo- A cegueira histérica de Adolf Hitler: histórico de um boletim médico
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O vídeo acima foi o vencedor do concurso Art of Neuroscience de 2012. A sequência mostra o mapeamento de estruturas e vias neuronais no cérebro humano. A trilha sonora acompanha bem as imagens.
Saiba mais sobre o vídeo aqui: Mentes que brilham, douradas
(via @cienciahoje)
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Encontrei uma versão online de Ulysses de James Joyce, em quadrinhos. Robert Berry, autor da proeza, desenhou todos os capítulos do livro, além de criar uma guia de leitura de cada um deles.
Pode interessar tanto a quem já leu o livro quanto a quem tem preguiça de se aventurar por suas numerosas folhas.
(Os lacanianos adoram obra de Joyce e, no dia 16 de junho costumam comemorar o Bloomsday, uma homenagem ao livro Ulysses celebrada no dia em que se passa a saga do personagem Leopold Bloom.)
Clique para ler: Ulysses Seen.
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Quem curte ler sobre a Segunda Guerra vai gostar desse texto publicado no Research News da Universidade de Cambridge sobre um perfil psicológico de Hitler feito em 1942.
O documento, até então mantido sob sigilo, foi elaborado pelo cientista social Mark Abrams a pedido da Inteligência Britânica. No relatório, feito a partir da análise de discursos do ditador alemão, Abrams especula sobre a gestação de idéias paranóides e messiânicas na mente de Hitler frente à possibilidade da derrota alemã, que apontava no horizonte três anos após o início dos combates.
“Hitler is caught up in a web of religious delusions,” MacCurdy concluded. “The Jews are the incarnation of Evil, while he is the incarnation of the Spirit of Good. He is a god by whose sacrifice victory over Evil may be achieved. He does not say this in so many words, but such a system of ideas would rationalise what he does say that is otherwise obscure.”
Leia aqui a matéria: Inside Hitler’s mind
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A idéia que os Ramones tinham de ‘psicoterapia’ certamente não era a mais adequada. Se bem que prefiro acreditar que o título da música acima seja mais um jogo de palavras entre psychotherapy (‘psicoterapia’) e psycho therapy (‘terapia psicopata’).
I am a teenage schizoid
The one your parents despise
Como quase tudo dos Ramones o clipe é bem naïve e cheio de humor negro. Repare nos clichés sobre a psiquiatria institucional americana.
Eu gosto.
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Um contraponto interessante ao post anterior: uma ótima galeria com imagens do sistema nervoso central.
Visite Brains: The mind as matter, organizado pela Wellcome Collection.
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Let the soul be compared to a pair of winged horses and charioteer joined in natural union. - Plato (427 BC – 347 BC)
Tem coisas sobre os livros e a literatura que você só encontra na internet.
The Mind is a Metaphor é um site que coleciona citações e trechos literários (em inglês) só com metáforas e analogias cujo tema é a mente (e o espírito, em sentido mais amplo). Lá você pode encontrar o que deseja navegando por categorias que vão desde a natureza da metáfora até a religião do autor que a criou.
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Encontrei no Mind Hacks um post interessante sobre o efeito psicológico que o filme “O Exorcista” (The Exorcist, EUA, 1973) provocou em alguns expectadores. À época do seu lançamento nos cinemas, houve relatos de desmaios, expectadores tomados pelo medo saindo das salas às pressas e até de pessoas que “enlouqueceram” depois de ver o filme de William Friedkin.
Isso causou uma certa preocupação na comunidade científica e, em 1975, foi publicado um artigo no periódico Journal of Nervous and Mental Disease , intitulado ‘Cinematic Neurosis Following The Exorcist’ com o relato de quatro casos de problemas psiquiátricos em expectadores do filme.
The fact that the issue of ‘Exorcist madness’ was considered serious enough to appear in a medical journal is more likely testament to the fact that the film touched a raw nerve in the America of the 1970s, than the fact that it raised the hackles of some of its audience members.
Leia aqui o post: Mental illness following The Exorcist
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“Em nossos sonhos somos conduzidos a um mundo primitivo. Trata-se de um mundo mais parecido com o do selvagem, da criança, do criminoso, do louco do que com o mundo desperto do respeitável cidadão. Deve-se admitir que a isso se deve, em grande parte, o charme dos sonhos. E é também esse seu valor científico. Através dos nossos sonhos podemos compreender nossa ligação com estágios evolutivos há muito deixados para trás e, pela vivissecção da nossa própria vida onírica, podemos apreender algo a respeito do homem primitivo e da natureza de suas crenças (…)
O interesse [em estudar os sonhos] tem duas facetas. Não só pode nos revelar um mundo arcaico de vasta emoções e pensamentos imperfeitos mas, nos ajudando a obter um claro conhecimento dos processos oníricos comuns, pode proporcionar um avanço na compreensão de muitos dos fenômenos extraordinários do sonho, muitas vezes apresentados a nós por pessoas impressionáveis com algo misterioso ou mesmo sobrenatural.”
Havelock Ellis – “The stuff that dreams are made of” (1899) – antes de Freud e sua Interpretação dos sonhos. Texto publicado na Appletons’ Popular Science Monthly.
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O designer Patrick Smith resolveu criar pôsteres minimalistas sobre transtornos mentais. Acima, o de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC, ou OCD em inglês.).
Clique na imagem para ver os outros.
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Uma matéria curta no The Telegraph fala de como o filme “Um estranho no ninho” (One flew over the cukoo’s nest, EUA, 1975) mudou a cara da psiquiatria.
O filme é baseado no romance homônimo de Ken Kesey. Escrito na década de 60, a história retrata os abusos cometidos pela psiquiatria institucional americana no período.
Em “Um estranho no ninho” há uma sequência que ainda hoje ecoa no imaginário das pessoas a respeito da eletroconvulsoterapia (ECT). Em parte por causa dela, é difícil para qualquer psiquiatra falar sobre ECT ao público leigo (e mesmo a outros médicos ou psicólogos) sem ser visto como um torturador.
In the famous words of Nurse Ratched, the treatment “might be said to do the work of the sleeping pill, the electric chair and the torture rack. It’s a clever little procedure, simple, quick, nearly painless it happens so fast, but no one ever wants another one. Ever.”
Leia: How ‘One Flew Over the Cuckoo’s Nest’ changed psychiatry
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