Archive | January, 2011

Alucinações ao piano

Um paper recente investiga a natureza das alucinações visuais relatadas pelo compositor Frédéric Chopin (1810-1849). Segundo os pesquisadores do estudo a alteração psicopatológica do autor de célebres Noturnos seria provavelmente decorrente de uma epilepsia do lobo temporal.

Chopin costumava descrever vívidas e breves alucinações lilliputianas (alucinações visuais cujos objetos  podem ser pessoas ou criaturas diminutas) em cartas aos amigos.

The visions he described, such as demons crawling out of his piano, are now known as Lilliputian hallucinations: detailed visions of people or objects that are much smaller than they are in life. The authors rule out schizophrenia and other common psychoses because Chopin’s hallucinations were visual, not auditory, and because he lacked other telltale symptoms such as eye problems or migraines.

Aqui, o link para a matéria da Science: Frédéric Chopin’s ‘Madness’ Diagnosed

(Dica de Carlos Clayton)

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Música na cabeça

O músico Bobby McFerrin demonstra no World Science Festival o poder da escala pentatônica. A escala de notas amplamente utilizada na música popular, como demonstra McFerrin nesse vídeo supreendente, habita nossas mentes a despeito do nosso conhecimento de teoria musical, harmonia, escalas etc.

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Cartum #9

Da série “Mente“, por Laerte.

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Cinema limítrofe

Muito tem se falado sobre o transtorno de personalidade borderline (ou limítrofe) mas, diferente de entidades como pânico e depressão, o transtorno de personalidade é algo difícil de se descrever genericamente, sobretudo para o público leigo. Selecionei alguns filmes e personagens que podem ajudar a entender como funciona um indivíduo borderline ( ou “border“, como é carinhosamente chamado  pelos estudantes e residentes).

- Atração fatal (1987): personagem Alex , pela excelente Glenn Close
- Igual a tudo na vida (2003): personagem Amanda
- Garota, interrompida (1999): Lisa
- A malvada (1950): Eve (essa informação não deixa de ser um spoiler)
- A vida e morte de Peter Sellers (2004): o ator Peter Sellers, retratado pelo gigante Geoffrey Rush
- Pecados íntimos (2006): Sarah
- Cada um vive como quer (1970): Robert
- Mulher solteira procura (1992): Hedy. Ou seria Allie?
- Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004): Clementine

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Danse macabre

A Dança da Morte (Totentanz, Danse Macabre) é uma alegoria recorrente em ilustrações medievais no ocidente. Além de servir como memento mori, é uma representação clássica da universalidade da morte.

Em Madagascar, um curioso ritual de dança com cadáveres ainda é realizado e mobiliza centenas de pessoas. Este vídeo (em português) do New York Times mostra a cerimônia.

Interessante para quem se interessa por psiquiatria transcultural e antropologia.

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Em círculos

Um vídeo divertido ilustrando a nossa curiosa incapacidade de andar em linha reta quando não há referenciais. Em inglês, com legenda.

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Ação e reação

Esta matéria da Folha sobre o alarmante uso da medicação Rivotril (Clonazepam) chamou minha atenção esta semana: Venda de calmante dispara no Brasil

Entre 2006 e 2010, o número de caixinhas vendidas saltou de 13,57 milhões para 18,45 milhões, um aumento de 36%. O Rivotril domina esse mercado, respondendo por 77% das vendas em unidades (14 milhões por ano).

O blog Psiquiatria e Sociedade dá uma interessante resposta a qualquer possível alarde indevido provocado pela matéria: leia aqui.

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O limiar da psicose

Um bom texto sobre o pródromo da psicose: Slipping into psychosis: living in the prodrome.

It is impossible to predict the precise moment when a person has embarked on a path toward madness, since there is no quantifiable point at which healthy thoughts become insane.

Apesar de muito elucidativo, há duas omissões imperdoáveis no texto: o autor não poderia deixar de citar Karl Jaspers e Klaus Conrad, esse úlimo, o autor do texto mais valioso sobre o pródomo da psicose, com sua conhecida fase de “Trema”.

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Prometeu moderno

Gostei muito do texto “Who Inspired Frankenstein?” publicado no Providentia sobre as origens de uma das criaturas mais interessantes da mitologia moderna, o monstro do dr. Frankenstein.

Published anonymously in 1818 under the title, Frankenstein: A Modern Prometheus, it was the first true science fiction novel (though modern literary critics tend to dispute that label).  As a strange tale of science gone wrong, the novel was not well received by literary critics who viewed it as a “tissue of horrible and disgusting absurdity”.

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Dissecando a melancolia

Duas referências que nunca faltam nas minhas aulas sobre história conceitual da depressão:

- The Anatomy of Melancholy (Robert Burton, 1621): livro indispensável para compreender a depressão em uma perspectiva histórica e cultural.

- Melancolia I (A. Dürer, 1514): gravura que sintetiza alegoricamente vários símbolos relacionados ao espírito dominado pela bile negra.

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Polaroids de Tarkovsky

Andrei Tarkovsky (1932- 1986), o diretor do famoso filme Solaris, deixou um belo legado de fotos polaroid. Quem conhece seus filmes, percebe na fotografia o bom gosto e o instinto contemplativo do artista.
Clique na imagem para ver a galeria.

(dica de Desculpe a Poeira)

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Shell Shock

Vídeo comovente que mostra sintomas motores da síndrome de estresse pós-traumático provocada pelo impacto das bombas – por isso nomeada “shell shock” – em soldados da Primeira Guerra.

Na batalha de Verdun, durante a Primeira Guerra, até 6.000 bombas por dia eram detonadas sobre as trincheiras subterrâneas do exército francês.

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Além da pele

Preconceitos de lado,  não há como analisar o comportamento dos jovens de hoje sem levar em conta dois elementos importantes na construção da identidade de alguns deles: tatuagens e piercings.

Encotrei três fontes interessantes sobre o tema:

- Tattoos and Body Piercings as Indicators of Adolescent Risk-Taking Behaviors: um estudo sobre a relação entre tatuagens e comportamentos disruptivos em adolescentes;

- Tattoo designs among drug abusers: uma análise dos padrões de desenhos de tatuagens entre dependentes químicos em Israel;

- A mensagem por trás da imagem: estudo de tatuagens à luz da análise do discurso: uma dissertação que aprofunda na história e conceitos por trás desse costume muito humano.

* Bônus: Uma matéria bacana e ricamente ilustrada do The Selvedge Yard sobre tatuagens à moda antiga.

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Cartum #8

- Não sei se posso ajudá-lo. Parece que todos os seus conflitos têm a ver com direitos autorais.

(Via The New Yorker)

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Ilusões na floresta

O trecho acima, do clássico Branca de Neve e Os Sete Anões de 1937, ilustra genialmente o que chamamos em psicopatologia descritiva de ilusões afetivas. Karl Jaspers descreve assim o fenômeno:

Num passeio solitário à noite pelo bosque, toma-se um tronco de árvore e uma forma rochosa por uma figura humana. O melancólico vê, por seu medo de ser assassinado, um cadáver enforcado nas roupas penduradas na parede. Se ouve um ruído diferente, pensa que é o barulho de correntes com as quais vai ser preso. Por seu conteúdo afetivo, certas ilusões são quase sempre compreensíveis.

Esse vídeo pode ser interessante para ilustrar nas aulas de psicopatologia a diferença entre ilusão e alucinação.

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