Archive | April, 2011

Surtos de dança

Encontrei um texto bem esclarecedor sobre um fato histórico curioso: em 1518, sem razão aparente, cerca de 400 pessoas experimentaram em Estrasburgo um surto incontrolável e contagiante de dança que se estendeu por algumas semanas. A coisa foi tão séria que ao final do período algumas pessoas haviam morrido extenuadas. Há descrições históricas confiáveis de alguns surtos de natureza semelhante em outros países da Europa.

Hoje se pode apenas especular sobre a causa desses surtos coréicos. Há quem acredite em uma intoxicação em massa por ergot, enquanto outros preferem pensar em transe de natureza dissociativa numa escala epidêmica. O texto publicado no Frontier Psychiatrist deve interessar a quem gosta de psiquiatria antropológica: Dancing mania

In the times of the dancing mania there were common beliefs about wrathful spirits able to inflict a dancing curse.  In this milieu once one particularly disturbed person started to dance others were likely to join.

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Cartum #15

(por André Dahmer)

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Três vezes delírio

Na década de 1950, o psicólogo Milton Rokeach documentou uma experiência pitoresca: conseguiu reunir numa mesma enfermaria psiquiátrica três pacientes delirantes que acreditavam ser Jesus Cristo. A experiência foi descrita no livro “The Three Christs of Ypsilanti“, publicado em 1964. A despeito dos vieses do “estudo” o livro tornou-se um clássico do gênero.

A  New York Review Books reeditou recentemente a obra. A Slate traz uma ótima matéria sobre o livro, escrita por Vaughan Bell, do Mind Hacks.

The early meetings were stormy. “You oughta worship me, I’ll tell you that!” one of the Christs yelled. “I will not worship you! You’re a creature! You better live your own life and wake up to the facts!” another snapped back. “No two men are Jesus Christs. … I am the Good Lord!” the third interjected, barely concealing his anger.

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Religião e cognição

A edição deste mês da The Psychologist é sobre psicologia, religião e espiritualidade.

um ótimo texto (gratuito e em inglês) que dá uma boa idéia de como as ciências cognitivas entendem o fenômeno religioso. O artigo cita estudos bem interessantes, como o conduzido em 2004 por Deborah Kelemen  e colaboradores (link para o artigo) que demonstrou que crianças pré-escolares de amostras americanas e britânicas têm tendência a ver fatos do mundo natural como se fossem propositalmente criados.  O autor toca também nas questões evolutivas relacionadas ao fenômeno:

Some cognitive scientists of religion suggest that once religious ideas and practices emerged in human groups, they endowed these religious folk with survival and reproductive advantages over non-religious competitors. That is, religious practices are thought to be adaptive, and this adaptiveness would have encouraged their persistence (either through genetic selection, cultural selection, or gene–culture co-evolution dynamics).

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Fotografias do mundo interior

O fotógrafo Timothy Archibald é o pai de Elijah, um menino que sofre de autismo. Archibald teve a idéia de traduzir em fotografias aspectos da peculiar relação com seu filho. O resultado é a tocante galeria Echolilia: A Father’s Photographic Conversation with his Autistic Son publicada pela Time.

Uma visão sensível e comovente do autismo.

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Ciência dos sonhos

Uma série de artigos da Scientific American discute assuntos que teimam em permanecer parcialmente insondáveis à ciência. O primeiro tema é o sonho: Too Hard for Science?: The sense of meaning in dreams

A matéria é baseada numa entrevista com o pesquisador do sono Robert Stickgold e traz insights interessantes sobre o tema do ponto de vista da neurociência.

What is it about the dream process that so frequently and universally across people generates this very strong perception of something like importance or significance or deepness, a feeling we find hard to define, and one that’s often totally wrong, in that when you tell others about your dreams, you find they don’t have any obvious significance?

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Cérebro colorido (3)

O blog The Beautiful Brain disponibiliza uma galeria (que já está no terceiro volume) intitulada The Art of Neuroscience, com belas imagens da histologia cerebral. Vale muito a pena uma olhada.

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Sofrimento estereotipado

Post interessante no blog Say No To StigmaIs it OK to diagnose Winnie the Pooh and friends with mental illness?

O texto discute como a cultura da internet  pode banalizar ou estereotipar o sofrimento associado aos transtornos mentais. A autor escolheu como exemplo imagens lançadas online que mostram os personagens da fiçcão infantil Ursinho Pooh sofrendo de doenças mentais como esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo.

These GIFs trivialize and undermine what it means to have serious mental illness. People with schizophrenia are in real pain; they’re not simply rocking back and forth and talking to themselves. Their thinking process disintegrates, as does their emotional responsiveness. They hallucinate or have delusions.

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Cartum #14

"- Encontramos isso no seu cérebro."

(via The New Yorker)

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Hans Asperger e o autismo

O dia 02 de abril é o Dia Internacional do Autismo.

Dois pediatras fizeram imensos avanços nos campos da psicologia e  psiquiatria: D.W. Winnicott (1896 – 1971) e Hans Asperger (1906 – 1980). O último, um médico vienense, foi o primeiro a descrever a síndrome comportamental que levaria seu nome. Seu trabalho só foi reconhecido tardiamente, após sua morte,  provavelmente por ter sido publicado apenas em alemão até a década de 1980.

A Síndrome de Asperger, ou autismo de alto rendimento, caracteriza pessoas que apresentam desde o início da vida alguns sinais de autismo (dificuldades de comunicação e interação, isolamento, padrão restrito e repetitivo de interesses) que não são tão graves a ponto de interferir significativamente no desenvolvimento cognitivo ou na linguagem. O portadores da síndrome comumente desenvolvem um interesse duradouro e focal em alguma atividade como música, matemática ou memorização de dados, que geralmente é desempenhada com muita habilidade. Por isso, Asperger os denominava “pequenos professores”.

O resumo dos quatro principais estudos de caso do dr. Asperger podem ser lidos aqui (em inglês).

Vamos às “inserções culturais”:

Alguns filmes caracterizam bem pessoas com síndrome de Asperger, entre eles, Rain Man e a ótima animação Mary and Max.

- Uma das pacientes do dr. Asperger, a escritora austríaca Elfriede Jelinek, ganhou o Nobel de literatura em 2004.

- O famoso personagem Sheldon (foto) da série The Big Bang Theory pode ser visto como a caricatura de um autista de alto rendimento.

- Albert Einstein e Isaac Newton teriam a síndrome? Um artigo discute essa possibilidade.

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