Archive | June, 2011

Bibliofilia 3

O site 50 Watts promoveu um concurso de capas de livros inspiradas no estilo editorial da Polônia. A fonte de inspiração é o livro One Thousand Polish Book Covers.

Clique aqui (ou na imagem) para ver as belas capas vencedoras.

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Delírio ilustrado

Desenho do "Tear de Ar"

delírio paranóide esquizofrenia história da psiquiatria

Outro dia, depois de um relato feito por mim de um delírio paranóide bizarro, um estudante me perguntou qual era a temática dos delírios antigamente, digamos, na Inglaterra vitoriana. Eu havia acabado de dar um exemplo fictício – mas relativamente comum – de um paciente com esquizofrenia que acreditava que havia em seu cérebro um dispositivo eletrônico utilizado por outra pessoa para controlar seus pensamentos e emitir mensagens sonoras que só ele era capaz de escutar.

A resposta que dei ao estudante foi a seguinte: os delírios na Inglaterra do século XIX poderiam muito bem girar ao redor da tecnologia da época. Quando respondi isso, tinha em mente o famoso caso de James Tilly Matthews, considerado o primeiro caso individual amplamente documentado de esquizofenia paranóide.

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Bicicleta, colher, maçã

Bicicleta cucharra manzana* é um documentário sobre o político catalão Pasqual Maragall e sua luta contra a doença de Alzheimer. A crítica considerou o filme um tocante – e às vezes engraçado – testemunho sobre a doença que acomete 26 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Até o momento o filme ainda não foi lançado oficialmente no Brasil mas no site oficial é possível adquirir o DVD.

* O título do documentário é uma referência às três palavras utilizadas no Mini-Exame do Estado Mental para testar as memórias imediata e recente.

doença de alzheimer psiquiatria cinema

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Intermezzo

“Army of Me” da Björk é mais um daqueles clipes com jeito de sonho/pesadelo. O vídeo é obra do genial Michel Gondry, que dirigiu outro vídeo da cantora com o mesmo toque onírico: Human Behaviour.

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Cérebros em sintonia

Dados de um estudo de 2006 reavaliados recentemente demonstraram que a atividade cerebral de uma amostra de 27 adolescentes foi capaz de “prever” o sucesso de músicas pop. Veja a matéria do Seattle TimesTeen brain scans predict pop song’s success

Os jovens foram expostos em 2006 a músicas de artistas até então desconhecidos e tiveram a atividade cerebral avaliada por ressonância magnética funcional. Três anos depois foi avaliado o sucesso obtido por cada uma das músicas testadas. O nível de ativação da parte ventral do estriatum dos cérebros adolescentes foi preditora de sucesso em 90% dos casos.

Aqui, o link para o abstract do artigo publicado no Journal of Consumer Psychology.

Não gosto nem de pensar nos possíveis desdobramentos comerciais de um estudo como esse. Será que vão começar a instalar aparelhos de ressonância nos estúdios das grandes gravadoras?

* No vídeo, o clipe da música Pop Song’89, do R.E.M. A música se referia ironicamente ao que fazia sucesso comercial na época.

música pop psiquiatria neurociência

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A bela morte

© The Tanathos Archive

tanatologia

No final do século XIX, quando a fotografia se tornava mais acessível e popular, o hábito de fotografar mortos tornou-se relativamente comum. Esse tipo de fotografia, vista hoje como algo proveniente de um filme de terror*, tinha na época a função de facilitar o luto, de criar uma recordação palpável,fiel e permanente do familiar falecido.

O site The Thanatos Archive disponibiliza um grande arquivo de fotos post mortem. Às vezes involuntariamente assustadoras, às vezes simplesmente belas, as fotos evocam um período da história ocidental em que a morte era tida como algo doméstico e tragicamente familiar.

O tema deve interessar ao pessoal da tanatologia.

Clique aqui para ter acesso a uma amostra da galeria.

* No filme Os Outros um álbum desse tipo de fotos tem um interessante papel na trama.

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Cartum #18

 

(adaptado de The New Yorker)

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Musas da histeria

Leio no Morbid Anatomy sobre o recém-lançado livro Medical Muses: Hysteria in Nineteenth-Century Paris. O livro trata das pacientes Blanche, Augustine e Geneviève, internadas em Salpetrière no final do século XIX. Durante sua estadia no hospital, os graves sintomas histéricos apresentados pelas três mulheres atraíam multidões de visitantes e inspiraram escritores, pintores e escultores.

To what degree their disease was socially determined and to what degree it was physically determined is impossible to say. If they showed up at a hospital today, suffering from the same symptoms, they would probably be diagnosed with schizophrenia or conversion disorder or bipolar disorder.

Além de uma boa resenha a obra, o post no Morbid Anatomy traz uma pequena galeria de fotos da histeria feitas no período.

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Barbas & gravatas borboleta

Achei genial essa bem-humorada animação sobre a imagem do psiquiatra e dos transtornos mentais. Gostei tanto que resolvi criar as legendas em português.

O filme foi escrito, dirigido e narrado por Kamran Ahmed  e foi exibido pela primeira vez no Medfest 2011, o primeiro festival de cinema médico britânico.

Quem é psiquiatra vai concordar comigo que sempre quis dizer a todo mundo algumas coisas que aparecem no curta.

(via Mind Hacks)

>> Atualização: A pedido de colegas que gostariam de mostrar o vídeo em aulas, fiz uma nova versão com legendas no próprio vídeo, o que garante a exibição das legendas fora do ambiente do youtube, caso alguém deseje baixar (com a devida autorização do autor).

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Bibliofilia 2

BibliOdyssey é um fantástico arquivo com ilustrações de livros raros de várias áreas do conhecimento, de botânica à arte da falcoaria. Vale muito a pena ter nos bookmarks.

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Hipnose de salão

De Mesmer a Charcot a hipnose teve um importante papel clínico entre o final do século XVII e meados do século XX. Há mesmo quem a pratique com fins psicoterápicos até hoje. Mas o fato é que, depois de Freud, as limitações curativas dessa prática no campo da psicologia clínica ficaram evidentes.

Paralelamente, a hipnose ganhou os salões, picadeiros e palcos, principalmente na Europa do século XIX. Encontrei uma curiosa coleção de pôsteres de artistas hipnotizadores desse período no ótimo blog ephemera assemblyman.  Para ver a galeria, clique aqui.

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Enxergando de olhos fechados

Um estudo bem recente aponta que as mirações experimentadas pelas pessoas que utilizam a ayahuasca ativam o córtex visual da mesma maneira que um estímulo “real”.

Dito de outra maneira, é como se o cérebro não reconhecesse a diferença entre o estímulo provocado por um objeto colocado diante dos olhos das imagens alucinatórias produzidas pelo uso da substância. A Folha publicou um texto sobre o achado: Chá do Daime faz imagem mental tão vívida que se iguala à real.

Ao aumentar a intensidade de imagens recordadas, fazendo com que atinjam um nível idêntico ao de uma imagem natural, é como se a ayahuasca emprestasse um status de realidade a experiências internas.

Meu grande amigo e pesquisador Joel Porfírio, em estudo publicado no ano passado, mostrou que essas alterações ocorrem sem que haja perda do contato com a realidade, no entanto se aproximam bastante do funcionamento do cérebro de pacientes com psicose.

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