A bela morte
tanatologia
No final do século XIX, quando a fotografia se tornava mais acessível e popular, o hábito de fotografar mortos tornou-se relativamente comum. Esse tipo de fotografia, vista hoje como algo proveniente de um filme de terror*, tinha na época a função de facilitar o luto, de criar uma recordação palpável,fiel e permanente do familiar falecido.
O site The Thanatos Archive disponibiliza um grande arquivo de fotos post mortem. Às vezes involuntariamente assustadoras, às vezes simplesmente belas, as fotos evocam um período da história ocidental em que a morte era tida como algo doméstico e tragicamente familiar.
O tema deve interessar ao pessoal da tanatologia.
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Há outra galeria aqui.
* No filme Os Outros um álbum desse tipo de fotos tem um interessante papel na trama.
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A morte é um acontecimento intrigante e inevitável. Dá um certo calafrio.
Mas há belas fotos, tem algumas em que os mortos aparentam estarem sonhando com o paraíso.
O único sonho que séra eterno e tranquilo.
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…
Mário Quintana
Mário Quintana é sempre bom. E que tal essa?
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Manuel Bandeira