Archive | July, 2011

Sob o efeito da literatura

Drogas que deram um empurrão no processo criativo de alguns clássicos da literatura (clique para ampliar):

(via Lapham’s Quaterly)

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Nos olhos de quem vê

Gosto muito de passear pelo Street Anatomy. O blog é sobre a ciência da anatomia representada na arte e na cultura.

Foi lá onde encontrei o mini-documentário acima sobre uma artesã especializada em próteses oculares. O post não tem muito a ver com psiquiatria, eu sei, mas o trabalho da ocularista Christie Erickson é simplesmente espetacular.

A seguir voltamos à programação normal deste blog.

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Cartum #20

Uma seleção só com o grande, inefável, maravilhoso Walter Ego. Um dos melhores personagens do Angeli. (Clique nas tirinhas para ver em tamanho grande)

narcisismo psiquiatria humor

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Bibliofilia 4

Book-Aesthete é mais um daqueles blogs sobre a beleza do objeto livro. O autor começa assim:

Since collecting actual books is somewhat cost-prohibitive, I’ve begun to amass all of the books I would love to have if I had the means. Some are new, lots are old, all are unique or beautiful or unusual or in some other way have captured my fancy.

Gostei muito.

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Rockterapia

 

Achei muito interessante esse vídeo de um show da banda novaiorquina de rock The Cramps no final dos anos 70. Trata-se de uma apresentação gratuita feita pela banda no hospital psiquiátrico Napa State Mental Hospital durante uma turnê por cidades americanas.

É emocionante ver a reação dos pacientes à música e a interação deles com os artistas (que me parecem muito à vontade).

Quem me mandou a dica foi o amigo Quinderé, ressaltando que o comportamento dos pacientes não era nada diferente daquele do público habitual da banda. Concordo.

O que é o air guitar, senão uma ecopraxia?

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Cartum #19

(por André Dahmer)

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História ilustrada da psiquiatria

O site da CBS News publicou uma coleção de fotos raras da psiquiatria do século XIX e começo do século XX. Veja a galeria aqui.

Psychiatry has come a long way since the days when patients were shunned from society and shackled in loony bins. Psychiatrists of yore experimented with numerous techniques for treating mental disorders – some that paved the way for psychiatry and are even used today.

Na foto acima, uma sessão de musico-terapia na qual uma cantora de ópera se apresenta para pacientes da ala feminina na década de 1920. Acreditava-se então que certas frequências sonoras eram capazes de acalmar as pessoas com transtornos mentais. Por conta disso, era comum alguns hospitais americanos terem suas próprias bandas de música.

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Vivendo com a doença de Alzheimer

A Time lightbox publicou há alguns dias um emocionante ensaio fotográfico do artista Kenneth O’Halloram. O fotógrafo acompanhou o silente cotidiano de Angel Serrano, um paciente com doença de Alzheimer em estado avançado, em companhia de seus parentes e cuidadores.

Angel Serrano lived in the town of Talavera de la Reina, an hour’s drive from Madrid, with his wife Dioni, youngest son Carlos and daughter Cristina. His family devoted virtually all of their time to caring for Angel in the final few years of his life.

Clique aqui ou na imagem para ver o ensaio.

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Medo e delírio na rave

Psychosomatic © Jenny Morgan, 2011

psicopatologia síndrome de cotard delírio de negação ecstasy psicose
Achei muito interessante este relato de caso publicado no Jornal Brasileiro de PsiquiatriaSíndrome de Cotard associada ao uso de ecstasy.

O relato é de um paciente jovem que passou a isolar-se e a desenvolver o delírio de que seus orgãos internos estariam apodrecendo. O quadro foi induzido pelo uso recreativo frequente de ecstasy.

Chamamos Síndrome de Cotard (pronuncia-se “cô-tár“) o conjunto caracterizado por delírios ao redor da temática da degeneração ou putrefação do corpo ou de órgãos internos, associados geralmente a alucinações (visuais, olfativas, cenestésicas) referentes à idéia em questão. Então, por exemplo, um paciente pode crer de maneira delirante que seu fígado apodreceu e ter alucinações olfativas do cheiro desagradável vindo do seu interior. Em casos mais graves o paciente pode crer que está morto.

(É por isso que sinto nesta notícia de jornal um certo cheiro de Cotard.)

Quem acompanha o Fluxo do Pensamento  lembra que já falei sobre a Síndrome de Cotard (ou delírio de negação) em outra ocasião.

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Melancolia em doze compassos

blues depressão psiquiatria
A edição de julho do British Journal of Psychiatry traz na sessão “Psychiatry in 100 words” uma homenagem a Robert Johnson - seguramente a maior lenda do blues – , nascido há cem anos.

O texto integral intitulado “Melancholy in 100 words” é o que segue:

I got stones in my pathway/And my road seems dark at night/I have pains in my heart/They have taken my appetite’. Robert Johnson, known as the King of the Delta blues singers, distilled into these lines the essence of severe depressive illness – somatic ills, fear and suspicion, emotional and physical pain, nocturnal troubles and struggle against obstacles. The words are one with the powerful, haunting music. ICD-10 and DSM-IV have their place, but poets have often been there before us, and done a better job. We can all learn from Robert Johnson, born just 100 years ago.

Diz a lenda que Johnson teria feito um pacto com o demônio: sua alma em troca de uma habilidade diabólica ao violão. O músico morreu aos 27 anos, deixando 40 faixas que moldariam o estilo musical desenvolvido por Muddy Watters, B.B King e Eric Clapton.

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Fatos sobre o Lítio

Curiosidades que você  não encontra naquelas folhinhas das bandejas do McDonald’s:

- O lítio é um metal alcalino cuja fonte mineral mais acessível na natureza é a petalita. Na sua forma de carbonato de lítio foi a primeira medicação efetiva a ser usada para tratar o que hoje chamamos de transtorno afetivo bipolar.

- A petalita foi descoberta em 1800 pelo químico brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva (sim, aquele mesmo) que, entre outras coisas, era poeta e político.

- A petalita pode ser encontrada nos lagos salgados do Chile.

- O primeiro relato do uso empírico como medicação é do final do século XIX. Em 1949 o psiquiatra australiano John Cade acidentalmente descobriu o efeito anti-maníaco do composto.

- O refrigerante americano 7 Up era originalmente comercializado como um medicamento contra a ressaca no começo do século XX e continha lítio em sua composicao inicial.

- O psiquiatra e escritor americano Peter Kramer há alguns anos propôs a idéia de adicionar lítio à água consumida nas cidades para diminuir as taxas de depressão e suicídio.

- Há algumas músicas pop sobre o lítio. As mais conhecidas são as das bandas Nirvana e Evanescence, ambas  intituladas “Lithium”. Aparentemente Kurt Cobain, líder do Nirvana, sofria de transtorno bipolar.

- Para constar: o carbonato de lítio é, ainda hoje, uma das melhores medicações para tratar o transtorno bipolar.

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Intermezzo

 

Estou com o teclado quebrado, sem acentos. Volto a seguir.

Hasta.