Cinema enfeitiçado

 

Eu já tinha mencionado aqui e aqui o filme Spellbound (“Quando fala o coração“. EUA, 1945)

Nesse thriller de Alfred Hitchcock Ingrid Bergman faz o papel de uma jovem psiquiatra que tenta tratar a amnésia dissociativa do (possível) criminoso vivido por Gregory Peck. O problema é que o uso excessivo de elementos de psicanálise que caíram no gosto da cultura popular – geralmente simplistas e hoje considerados obsoletos – no  pós-guerra não consegue esconder uma trama de assassinato um tanto fraca para os padrões do diretor. Esse é o ponto baixo do filme.

No ponto alto – além, é claro, da beleza e do talento de Ingrid Bergman, capazes de gerar uma transferência erótica maciça e imediata em qualquer marmanjo –  temos a brilhante sequência de sonho (no vídeo acima) criada por Salvador Dali exclusivamente para o filme.

O artista catalão já havia feito cinema junto com Buñuel em A Idade do Ouro e no antológico Um Cão Andaluz (que pode render um post no futuro). Dali criou várias sequências oníricas que não foram usadas na edição final de Spellbound. Hitchcock costumava lembrar de uma das impressionantes sequências perdidas: a cena de uma estátua partindo ao meio e revelando em seu interior Ingrid Bergman.

Não sei das cenas que se perderam mas considero o que ficou no corte final espetacular. Assista e tire suas conclusões.

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