Archive | September, 2011

A nuvem negra do marketing

 

Sou totalmente contra a propaganda de medicamentos psiquiátricos para o público leigo. Felizmente – e até onde tenho notícia – esse sério problema ainda não chegou ao Brasil.

Acima, um comercial americano (em inglês, sem legenda) que indica o uso de uma medicação (conhecidamente propagada à classe médica como panacéia e substrato de pesquisas controversas como esta e esta) para o tratamento da depressão.

Enfim, não sei o que dá mais medo: a parte do comercial que retrata a depressão como uma nuvenzinha sobre a cabeça, ou se os últimos dois terços de alerta a efeitos colaterais horríveis, sempre ao som de uma música tranquilizadora.

(achei o vídeo em The Neurocritic)

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Cartum #23

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(Por André Dahmer)

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Além da esquizofrenia

German Berrios (professor emérito de epistemologia psiquiátrica de Cambridge, fundador do periódico History of Psychiatry e meu grande ídolo) escreveu um excelente artigo para o Schizophrenia Bulletin, intitulado “Eugen Bleuler’s Place in the History of Psychiatry“.

O texto fala da colossal contribuição de Eugen Bleuler (pronuncia-se “óiguen blóiler”) à psiquiatria, que se estende para muito além da “descoberta” e batismo da esquizofrenia.

It can be concluded that Bleuler occupies a safe niche in the pantheon of psychiatry but that this is not necessarily due to the fact that he contributed to the history of schizophrenia. As the work of his fellow countrymen is beginning to show, Bleuler was a man for all seasons.

Leia o artigo na íntegra, aqui.

(via h-madness)

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Pausa

Este blog ficará alguns dias parado por conta da minha ida ao 15º Congresso Mundial de Psiquiatria.

Volto a atualizar assim que puder.

¡Hasta pronto!

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Cores do bem e do mal

Achei genial esse infográfico que sintetiza como as cores dos trajes dos personagens de histórias em quadrinhos se relacionam com suas características psicológicas.

Note como há uma clara tendência de uso de paletas diferentes para heróis e vilões.

Clique na imagem ou aqui para ver mais no site COLOURlovers

(via @mariapage)

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A paralisia geral progressiva

Até o começo do século XX os quadros psiquiátricos provocados por neurossífilis eram tão comuns que os grandes livros de psiquiatria e psicopatologia traziam capítulos devotados exclusivamente ao assunto. Sífilis terciária, periencefalite crônica difusa, neurolues e paralisia geral progressiva são alguns nomes da manifestação tardia da infecção pelo Treponema pallidum.

O quadro neurológico da sífilis pode se manisfestar através de sintomas psiquiátricos de maneiras bem diversas. Há relatos de casos que vão desde catatonia a episódios maníacos, incluindo quadros psicóticos clinicamente indistintos da esquizofrenia.

O Hospício Pedro II, o primeiro hospital psiquiátrico do Brasil, tinha na década de 30 um pavilhão exclusivamente destinado a pacientes com neurossífilis. Algumas décadas mais tarde a construção viria a tornar-se o que hoje é o Instituto Phillippe Pinel, na cidade do Rio de Janeiro.

A imagem que ilustra este post é de uma interessante coleção de pôsteres educativos sobre a sífilis da década de 1940.

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Biblioterapia

Dicas de leitura saudável em um pôster de 1922 (American Social Health Association), de uma série de orientações para manutenção da saúde mental.

Mais pôsteres aqui.

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NeuroPop Art

Dois artistas que utilizam o cérebro como base para pinturas e esculturas: Emilio Garcia (acima) e Elizabeth Jameson (abaixo).

Encontrei ambos no ótimo blog The Neuro Bureau.

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Neuroses de guerra II

 

Shades of Gray (EUA,1947) é um documentário sobre o tratamento das neuroses de guerra. No filme, algumas situações baseadas em casos reais são encenadas por atores. O documentário completo, divido em oito partes, pode ser visto online aqui.

Os tratamentos disponíveis no pós-guerra incluíam  hipnose, hidroterapia e eletroconvulsoterapia. É visível a mudança na qualidade dos tratamentos oferecidos aos combatentes da Segunda Guerra quando comparado àqueles disponíveis  para os soldados nas primeiras décadas do século XX.

Durante a Primeira Guerra Mundial um dos “tratamentos” desenvolvidos na França consistia em eletrocutar o soldado com shellshock até que ele concordassem em voltar ao campo de batalha. O terrível método, cientificamente batizado de “faradização” era chamado pelos combatentes de torpillage (“bombardeio” em francês) por conta da sensação provocada pelas correntes elétricas no corpo.

Aqui, o link para um artigo sobre a torpillage.

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Sobre os ombros de gigantes

Achei bacana essa idéia. Ela sintetiza o quanto pode ser complexa a rede de influência que liga as grandes obras intelectuais.

Gostou da imagem? Ela está disponível para compra no site Etsy, aqui.

(Via BlogA)

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A beleza do neurônio

Hippocampus II (detalhe), Greg Dunn

 

Greg Dunn é artista plástico e estudante de neurociência. Seus belos quadros são inspirados na histologia do sistema nervoso central e na arte tradicional japonesa. Veja aqui a galeria de suas pinturas.

(via Neuro Images)

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Anatomia do mal

O médico italiano Cesare Lombroso (1835-1909)  foi o primeiro a tentar tornar a antropologia criminal uma disciplina com rigor científico. Na quarta edição do seu livro L’Uomo Delinquente (1899) ele utilizou várias fotografias na tentativa de provar que o “criminoso inato” poderia ser identificado por suas características anatômicas.

Na imagem acima, extraída do livro em questão, estão as fotos de “loucos criminosos” (pazzi criminali). Preste atenção nos números 29 e 50, portadores da “loucura circular” (pazzia circolare / folie circulaire). O termo foi cunhado pelo psiquiatra francês Jean-Pierre Falret (1794 – 1870) para demominar o quadro que hoje chamamos de transtorno bipolar.

Clique na imagem para ampliar.

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Os perigos do método

 

O novo filme de David Cronenberg (Spider, Crash, A Mosca) certamente vai entrar para a videoteca dos psicanalistas. A Dangerous Method (2011) deve estrear em novembro e traz Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como Carl Jung. A história gira em torno do romance entre Jung e a paciente Sabina Spielrein (vivida por Keira Knigtley).

Apesar de uma versão dessa história já ter ido para as telas há alguns anos, no filme”Jornada da Alma“ (uma jornada capenga conduzida por fraquíssimas atuações em uma produção bem pé-duro, na minha opinião), o novo do Cronenberg parece ser bem atrativo.

É esperar pra ver.

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