Archive | October, 2011

A loucura em Gotham City

Stephen Ginn do blog Frontier Psychiatry escreveu um artigo para o student BMJ sobre quadrinhos e psiquiatria.

Looking at the psychopathology of comic book characters is an interesting diagnostic challenge and also a newly used approach to medical education. A comic book convention earlier this year was held to educate the public about psychiatric conditions.

O autor se debruça especialmente sobre a psicopatologia dos personagens das histórias de Batman.

O artigo “Comic books and Psychiatry – An innovative way to teach mental health issues” pode ser acessado livremente aqui ou, pelos assinantes da revista britânica, aqui.

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Charlatanismo

Pietro Longhi: O charlatão, 1715

 

A palavra “charlatão” – usada para designar o indivíduo que vende remédios milagrosos que normalmente carecem de fundamento médico ou cientíco – em português provavelmente deriva do verbo italiano ciarlare, que significa “tagarelar”.

Em algumas regiões do Brasil se utiliza a expressão “falar mais que o homem da cobra” como alegoria para a tagarelice. O homem em questão é o loquaz vendedor intinerante de soluções e unguentos medicinais que se utiliza de uma cobra viva para chamar atenção das pessoas em feiras populares.

Em inglês, a palavra que dá nome ao charlatão é quack, por sua vez oriunda da expressão arcaica quacksalver (kwakzalver em holandês) que significa, literalmente, “mascate de sálvia“.

The Quack Doctor é um blog muito interessante, só sobre o assunto, com muitas reproduções de publicidade de charlatanismo de todo tipo.

Aqui, uma galeria com imagens dos últimos quatro séculos alertando sobre os perigos do charlatanismo

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Cartum #24

É o que Freud chamaria de “interpretação selvagem”.

(via Níquel Náusea)

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Cébrebro dividido

 

Achei genial essa animação sobre as razões evolutivas da divisão do cérebro em hemisférios. Infelizmente é muito difícil encontrar material desse tipo traduzido ou com legendas em português, então sugiro um pouco de paciência e atenção (use o hemisfério esquerdo!) para apreciar o vídeo em inglês.

A animação faz parte do excelente projeto RSA, que vale a pena conhecer.

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Aura poética

Uma nova biografia de Emily Dickinson especula que a escritora americana pode ter sofrido de epilepsia. Segundo a biógrafa Lyndall Gordon (que já escreveu sobre a vida de Virginia Woolf, Charlotte Brontë e T.S. Eliot), Dickinson pode ter deixado “pistas” sobre  a moléstia em alguns dos seus poemas.

Aqui, uma matéria sobre a recém-lançada biografia Lives Like Loaded Guns. Na matéria há um trecho do livro, que pode interessar a quem gosta de poesia norte-americana e  estudos patográficos.

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Diário borderline

Encontrei os desenhos acima no banco de imagens da Wellcome Collection. Eles fazem parte de uma série feita pela artista Bobby Baker intitulada Diary drawings.

Os desenhos constituem um diário ilustrado feito ao londo de onze anos, período em que a artista frequentou como paciente um serviço do tipo hospital dia após ter  recebido o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline.

Originally private, they gradually became a way for her to communicate complex thoughts and emotions that are difficult to articulate, to her family, friends and professionals. The drawings chart Bobby’s treatment in day hospitals and acute psychiatric wards, psychological therapies, mediation and the NHS mental health ‘system’, as well as her family life, friends and work, and the joy of slowly getting better.

As ilustrações são o sofrido testemunho de uma mente instável. Vale a pena uma olhada nos outros desenhos (clique na imagem para ver o resto da galeria), que formam um mosaico complexo de imagens mentais como desejos de auto-mutilação, impulsividade, raiva e sentimento de abandono, tão comuns nos pacientes portadores do transtorno de personalidade borderline.

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Drogas, anos 50

 

Acima, o trecho de uma animação educativa (em inglês, sem legendas) de 1951 realizado pela divisão de filmes da Encyclopedia Britannica.

A animação explica os efeitos da heroína, maconha e cocaína no corpo.

O filme completo pode ser visto ou baixado no Internet Archive.

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Dia Mundial da Saúde Mental

Dia 10 de outubro é o Dia Mundial da Saúde Mental.

Celebre neste dia o valor dos profissionais da saúde mental e os direitos dos pacientes, para além da demagogia oportunista e do marketing político.

Espalhe a notícia.

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O mito do absinto

A pintura acima, do famoso pintor holandês Vincent van Gogh, retrata como era servido o absinto nos cafés de Paris durante o final do século XIX. A garrafa de água ao lado da pequena taça fazia parte do ritual de degustação da amarga bebida.

Durante muito tempo se aceitou que a tujona, substância presente na pequena erva européia Artemisia absinthium (Wormwood) seria alucinógena. O absinto, um destilado de altíssimo teor alcóolico feito a partir dessa erva, era um ícone da belle époque. Entusiastas e artistas célebres – entre eles o próprio Van Gogh, Emile Zola, Édouard Manet, Paul Verlaine e Henri de Toulouse-Lautrec – acreditavam no poder psicotrópico e afrodisíaco do destilado verde e o consumiam rotineiramente na rodas boêmias. Por sua cor característica e seu poder inebriante, a bebida foi apelidada de fada (ou musa) verde.

Encontrei um artigo muito esclarecedor sobre o absintismo, que desmistica o poder alucinógeno da bebida. Segundo o autor, a concentração de tujona presente no absinto é  pequena, muito inferior àquela observada experimentalmente capaz de promover efeitos psicoativos. Aparentemente, os efeitos da bebida podem ser explicados unicamente pelo alto teor alcóolico.

Alguns links interessantes sobre o absinto:

- Le Songe D’ Un Garçon De Café: uma animação de 1910 feita pelo pelo artista Émile Cohl, pioneiro da animação cinematográfica, ilustra o delirium induzido pela bebida;

- La muse verte (1895), pintura do artista francês Albert Maignan e O bebedor de absinto (1901), de Viktor Oliva.

- Coleção de pôsteres e anúncios publicitários antigos, entre eles a belíssima propaganda do Absinthe Robette, uma das imagens icônicas da art noveau

- Museu do absinto nos Estados Unidos.

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Intermezzo

 

Blister in the sun da banda americana Violent Femmes é um clássico do college rock dos anos 80. A letra é provavelmente sobre o uso/abstinência de heroína. O clipe, non sequitur, é sobre o assassinato de um gato.

Esta versão da música fez parte da trilha do filme Grosse Pointe Blank (1997)

* Bônus track: a música mais direta escrita sobre a diacetilmorfina: Heroin, do Velvet Underground.

Sexo, anos 60

Encontrei no excelente How to be a Retronaut uma coleção de capas da década de 1960 da revista americana Sexology.

Os temas abordados, segundo as chamadas da capa, falam um pouco do zeitgeist sexual de uma década caracterizada pelas revoluções: “LSD & Sexo”, “A culpa é toda de Kinsey?”, “A mini-saia – revelando uma nova zona erógena”.

Clique na imagem para ver a galeria.

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