O mito do absinto

A pintura acima, do famoso pintor holandês Vincent van Gogh, retrata como era servido o absinto nos cafés de Paris durante o final do século XIX. A garrafa de água ao lado da pequena taça fazia parte do ritual de degustação da amarga bebida.

Durante muito tempo se aceitou que a tujona, substância presente na pequena erva européia Artemisia absinthium (Wormwood) seria alucinógena. O absinto, um destilado de altíssimo teor alcóolico feito a partir dessa erva, era um ícone da belle époque. Entusiastas e artistas célebres – entre eles o próprio Van Gogh, Emile Zola, Édouard Manet, Paul Verlaine e Henri de Toulouse-Lautrec – acreditavam no poder psicotrópico e afrodisíaco do destilado verde e o consumiam rotineiramente na rodas boêmias. Por sua cor característica e seu poder inebriante, a bebida foi apelidada de fada (ou musa) verde.

Encontrei um artigo muito esclarecedor sobre o absintismo, que desmistica o poder alucinógeno da bebida. Segundo o autor, a concentração de tujona presente no absinto é  pequena, muito inferior àquela observada experimentalmente capaz de promover efeitos psicoativos. Aparentemente, os efeitos da bebida podem ser explicados unicamente pelo alto teor alcóolico.

Alguns links interessantes sobre o absinto:

- Le Songe D’ Un Garçon De Café: uma animação de 1910 feita pelo pelo artista Émile Cohl, pioneiro da animação cinematográfica, ilustra o delirium induzido pela bebida;

- La muse verte (1895), pintura do artista francês Albert Maignan e O bebedor de absinto (1901), de Viktor Oliva.

- Coleção de pôsteres e anúncios publicitários antigos, entre eles a belíssima propaganda do Absinthe Robette, uma das imagens icônicas da art noveau

- Museu do absinto nos Estados Unidos.

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