Archive | November, 2011

Assim é se lhe parece

Pareidolia é a ilusão que ocorre quando o cérebro tenta encontrar imagens conhecidas em estímulos sem organização. Isso acontece quando olhamos para as nuvens, por exemplo, e identificamos o formato de um animal ou objeto, ou quando percebemos rostos humanos ou monstruosos em manifestações da natureza, como nesta imagem.

Karl Jaspers em sua Psicopatologia Geral descreve assim:

Sem emoçao, sem juízo sobre a realidade mas também sem que as imagens desapareçam com a atenção, a fantasia, “produtiva devido a impressões sensoriais incompletas”, transforma nuvens, superfícies de muros antigos etc. em imagens ilusórias com nitidez corpórea.

Dito de forma simples, pareidolia é o que acontece quando o cérebro tenta transformar algo estranho ou vago, em algo familiar. Isso geralmente ocorre com estímulos visuais e auditivos.

Nos EUA eles têm a mania de ver Elvis Presley ou Jesus Cristo em torrada, batatas, nachos e outros gêneros alimentícios. Um estudo recente examina as bases neurocientíficas do fenômeno e conclui: uma batatinha frita que parece com Elvis funciona como a imagem do próprio Rei do Rock’n Roll para o cérebro - The Potato Chip Really Does Look Like Elvis! Neural Hallmarks of Conceptual Processing Associated with Finding Novel Shapes Subjectively Meaningful

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Neurociência miguxa

Aparentemente a neurociência pode ser fofa.

O produto do vídeo está prestes a ser comercializado mundialmente. Tinha que vir do Japão a novidade: uma espécie de tiara com orelhas de animal fofinho que reagem a impulsos elétricos vindos do córtex cerebral. A promessa é que as orelhas levantam quando o usuário se concentra e que baixam quando se entra num estado de relaxamento.

O nome do brinquedo é necomimi, produzido pela Neurowear.

É ver pra crer.

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Achado no google

Sempre me surpreendo quando vou dar uma olhada nos termos que as pessoas usaram no Google para chegar a este blog. Abaixo selecionei uma pequena amostra das últimas semanas. Só pérolas.

“psicopatas+qual+é+o+pensamento+deles”

“darth vader cabeça”

“suicidio para marx e durkheim” (esse aparece bastante)

“como criar uma seita” (esse também é muito procurado)

“pensamento do raver”

“filme de lost 5º temporada para prova de psiquiatria”

“pustulas corpo inteiro”

“onanismo psiquiatria”

“personagem com nuvenzinha sobre a cabeça”

“como é o nome da sindrome caricatura”

“pensamento de noiva”

“imagens para tumblr street dance”

“algo interessante na arte tumblr”

“pronuncia bleuler”

“frontal em rave”

“vendedor de rua homem da cobra”

“seso-do=anos-60″

“desenhos para tatuagens de florestas”

Para mim oGoogle opera de maneira insondável.

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Cartum #26

(Via The New Yorker)

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Sorôco, Guimarães Rosa e a loucura

 

Me inspirei no ótimo blog Ler para Contar, da minha esposa Ju Diniz, para lembrar do livro Primeiras Estórias do gênio mineiro Guimarães Rosa.

Há um conto no livro que, junto com o celebrado “A terceira margem do rio”, também fala da loucura. A estória é “Sorôco, sua mãe, sua filha” que nos conta do sofrimento do personagem principal prestes a embarcar num trem “duas mulheres, para longe, para sempre.”

A capacidade de Guimarães de emocionar ao mesmo tempo em que nos põe em contato com o insondável do transtorno mental só perde para a sua maestria na lida com a palavra.

Aí, paravam. A filha – a moça – tinha pegado a cantar, levantando os braços, a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras – o nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espalhados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas – virundangas: matéria de maluco.

Para quem ainda não tem essa pérola na estante, vai aqui uma versão online do conto.

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Bibliofilia 6

Recentemente foi redescoberta uma jóia da arte ocidental: uma edição do livro Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol ilustrada por ninguém menos que Salvador Dalí.

Um número bem limitado de livros foi distribuído pela editora novaiorquina Maecenas Press-Random House em 1969. O volume continha 12 heliogravuras ilustrando cada capítulo da história. Fantástico.

Uma das raras cópias pode ser encontrada na Amazon por módicos $12,900. Mas concordo com o comentário do Brain Pickings, de onde peguei a dica: se esta porcaria foi vendida por $4,3 milhões, o que são treze mil por um Dalí?

Clique na ilustração acima para ver a galeria completa, ou aqui para ver um vídeo sobre o livro.

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Loucura na TV

Abaixo, duas caracterizações essencialmente semelhantes da idéia de que a figura do doente psiquiátrico se confunde com a do médico que o trata. A primeira é de um episódio do Monty Python Flying Circus de 1972, conhecida pelo famoso bordão “My brain hurts!”.

A segunda é do programa Os Trapalhões, provavelmente do começo da década de 1990. Havia um personagem mais ou menos regular interpretado pelo Didi que caracterizava um louco. Quem acompanhava  o programa deve lembrar do personagem que usava chapéu com uma mão no topo. Achei mais este e este esquetes do humorístico brasileiro.

 

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Convite

Tavinho, pescador de Boipeba, Bahia (2008)

 

No dia 21/11 participarei de um colóquio promovido pela Universidade de Fortaleza (Unifor) sobre a relação entre medicina e arte. O subtema sobre o qual vou falar é a fotografia.

O evento faz parte da XVI Unifor Plástica. Na ocasião, terei o prazer de debater informalmente com outros artistas sobre as questões estéticas e o ofício médico, além de apresentar algumas de minhas fotografias.

O encontro vai ser às 17:20 no teatro Celina Queiroz Auditório A1 do campus da Unifor e a entrada é franca. Mais informações, aqui.

Sintam-se convidados a comparecer e não hesitem em me procurar no final para esticar o papo.

 

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Mais um sobre criatividade

Ernest Hemingway (1899-1961)

 

Sim, mais um estudo sobre um assunto que me interessa muito: a relação entre criatividade e transtorno mental.

Um  estudo retrospectivo feito na Suécia, com uma amostra de 300.000 pessoas com transtorno mental internadas entre 1973 e 2003 (sim, eles lá têm todos esses dados!) mostrou pelo menos dois achados relevantes. Primeiro: ter transtorno bipolar ou se parente de uma pessoa com a doença associou-se à maior chance de ter uma “profissão criativa” – atividades como as de artista visual, ator, escritor, músico e profissional acadêmico foram incluídas nesse grupo de ocupação.

O segundo achado, mais complexo, é  que, na esquizofrenia, apenas o parentesco relacionou-se à uma maior chance de ter uma profissão criativa. O fato de ser portador de esquizofrenia não apareceu associado a esse parâmetro para medir a criatividade.

O artigo na íntegra pode ser acessado aqui por quem assina o British Journal of Psychiatry. Aqui, há uma ótima análise do artigo (inclusive das possíveis falhas metodológicas).

(via Neuroskeptic)

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Três hospícios

Três links sobre três importantes hospitais psiquiátricos.

O Hospital Bellevue, em Nova York, é o hopital público mais antigo dos EUA. Sua ala psiquiátrica é famos por ter recebido artistas como o poeta Charles Ginsberg, o músico Charles Mingus, o punk Sid Vicious e o escritor Norman Mailer. Checkout Time at the Asylum é uma boa matéria da revista New York sobre o hospital e seus pacientes.

O Hospício Pedro II foi o primeiro a ser fundado no Brasil. Hoje transformado em Instituto Phillippe Pinel, continua como centro de referência da psiquiatria no Rio de Janeiro. O artigo Instituto Philippe Pinel: origens históricas dá uma ótima idéia do percurso dessa importante instituição nacional.

Bethlem Blog é o site oficial dos arquivos históricos do Bethlem Royal Hospital, localizado em Londres. ‘Bedlam‘ como é popularmente conhecido (a palavra também virou sinônimo de ‘hospício’ na língua inglesa), é um dos hospitais psiquiátricos mais antigos do mundo (fundado em 1247!).

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Cartum #25

(por Mentirinhas / via Até o Tálamo)

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