Sorôco, Guimarães Rosa e a loucura

 

Me inspirei no ótimo blog Ler para Contar, da minha esposa Ju Diniz, para lembrar do livro Primeiras Estórias do gênio mineiro Guimarães Rosa.

Há um conto no livro que, junto com o celebrado “A terceira margem do rio”, também fala da loucura. A estória é “Sorôco, sua mãe, sua filha” que nos conta do sofrimento do personagem principal prestes a embarcar num trem “duas mulheres, para longe, para sempre.”

A capacidade de Guimarães de emocionar ao mesmo tempo em que nos põe em contato com o insondável do transtorno mental só perde para a sua maestria na lida com a palavra.

Aí, paravam. A filha – a moça – tinha pegado a cantar, levantando os braços, a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras – o nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espalhados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas – virundangas: matéria de maluco.

Para quem ainda não tem essa pérola na estante, vai aqui uma versão online do conto.

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