Archive | December, 2011

Piripaques, dissociação e humor mexicano

 

Eu sei que é besteira. Mas é final de ano e vou me permitir este post.

Outro dia, falando para os alunos dos diagnósticos diferenciais da catatonia, lembrei que o “piripaque” do personagem Chaves é uma crise dissociativa com características de estupor catatônico. Ele tem todos os comemorativos: um gatilho emocional – geralmente um evento ansiogênico – , início e fim abruptos e amnésia retrógrada. Enfim, vejam o vídeo para lembrar.

(Não aparece no final do vídeo, mas as crises do Chaves sempre são revertidas com uma borrifada de água no rosto.)

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Cartum #28

Baseado neste comercial.

Por Primeiro Andar.

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Lombroso vs. Tolstói

Achei no Mind Hacks a dica de um artigo muito curioso sobre um encontro improvável. Em 1897, durante visita a Moscou, o criminalista Cesare Lombroso (já falei dele aqui no blog) encontrou o escritor russo Liev Tolstói. A visita do médico italiano tinha um intuito estritamente científico: provar que gênio e loucura estavam intimamente conectados.

Ao final do encontro, o criminalista conclui implacavelmente  que Tolstói poderia sofrer  de “psicose epileptóide”. Para ilustrar o quanto Lombroso esticava os limites de sua teoria, basta dizer que considerava -baseado nas características crâni0-faciais – como tendo aspetto cretinoso o degenerato, além do escritor de “Guerra e Paz”, Charles Darwin, Sócrates e Dostoiévski.

Tolstói registraria laconicamente em seu diário, revelado anos depois, a visita do italiano:”Lombroso veio. Ele é um homem ingênuo e simplório.”

Link para o artigo (que não é aberto) - Cesare Lombroso: Methodological ambiguities and brilliant intuitions

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The Big Bang Therapy

Achei  engraçada essa sequência de Big Bang Theory. Leonard tenta tratar Sheldon numa sessão de terapia que não termina como o previsto.

Não encontrei com legendas.

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Mapas do cérebro

 

O neurocientista Allan Jones fala sobre o mapeamento cerebral de maneira simples e direta. As imagens que ele utiliza para ilustrar a ótima conferência no TED são de dar inveja em qualquer professor.

As legendas do vídeo podem ser vistas em português, basta selecionar no botão languages, caso não apareçam automaticamente.

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O Duplo

O delírio de Capgras é também conhecido como delírio do sósia ou do duplo. Nessa alteração patológica do juízo de realidade o paciente crê que pessoas do seu convívio foram substituídas por sósias ou impostores. Essa manifestação é encontradiça não só nos quadros mentais orgânicos como as demências – quando há um prejuízo na capacidade de reconhecer rostos (prosopagnosia) – , mas também na esquizofrenia e em outros quadros psicóticos.

Encontrei uma revisão recente (em espanhol) muito boa sobre o assunto:  El delirio de Capgras: Una revisión

Otras variantes de este defecto en la identificación son el Síndrome de Frégoli (el paciente cree que uno o más individuos han alterado su apariencia para asemejarse a personas familiares), la intermetamorfosis (el paciente cree que las personas de su entorno han intercambiado sus identidades) y el síndrome de dobles subjetivos (el paciente está convencido de que existen dobles exactos a él).

Na literatura, autores como Dostoiévski, Borges e Poe se interessaram pela figura do duplo. Numa rápida pesquisa, achei este outro artigo, sobre o duplo na literatura de Jorge Luis Borges. O enfoque é dado sob a ótica da teoria de Jung.

Na literatura, na arte, na mitologia ou na história, o simbolismo do duplo se faz presente com todas as sugestões filosóficas, psicológicas e morais que em sua aparência e conteúdo se pode perceber. O duplo, que tanto revela quanto amedronta quem com ele se defronta, está presente na duplicação da figura humana ou da personalidade, como podemos ver na lenda do Narciso, ou no livro intitulado “OMédico e o Monstro” de Robert L. Stevenson.

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Intermezzo


Psicastenia
é o antigo nome de uma síndrome psiquiátrica que hoje faria parte do que chamamos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

O vídeo acima é o da música Psychastenia de William Fitzsimmons, um compositor que abandonou a carreira de psicoterapeuta para tornar-se músico.

A música fala de sofrimento psíquico e das modernas abordagens terapêuticas (ISRSs, psicocirurgia) do ponto de vista de quem sofre.

With a bridge I’ve killed
I will serotonin fill
To a fear resigned
Quiet room I hope I find

Cut me open please

With an alter robe
I have stumbled knife to lobe
In compulsion drown
Counting every phantom found

Bonito.

(via Mind Hacks)

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Cartum #27

"- Olha só o que eu consigo que o Pavlov faça: assim que eu babar ele vai rir e escrever no caderninho dele."

 

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Procurando sinais

Milton Greek é portador de esquizofrenia paranóide e acredita que explorar o valor simbólico e sentido dos delírios pode ajudar às pessoas que sofrem com sintomas psicóticos.

Finding Purpose After Living With Delusion é uma excelente matéria publicada no New York Times sobre a experiência pessoal de Greek.

“When I began to see the delusions in the context of things that were happening in my real life, they finally made some sense”

O vídeo que acompanha a matéria é realmente emocionante.

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