Archive | January, 2012

História conceitual da esquizofrenia

Mais um brilhante texto de German Berrios sobre um dos meus assuntos prediletos da história da psiquiatria: a construção nosológica do que hoje chamamos esquizofrenia.

Schizophrenia: A Conceptual History - Link para o artigo completo (em inglês)

* A bela imagem que ilustra o post é da artista Carne Griffiths

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#Cartum 30

(Via Overdose Homeopática)

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Loucura feminina no século XIX

John Everett Millais: Ophelia, 1851-1852

 

HerStoria é uma revista toda dedicada ao papel da mulher na história. Encontrei lá um ótimo artigo sobre a loucura feminina e suas ligações simbólicas, com foco no século XIX. O texto não é longo, e vale pelo condensado de informações curiosas.

Ofélia (Ophelia), personagem de Hamlet, foi um símbolo comumente usado para representar a loucura no sexo feminino.  A personagem, vítima de uma morte trágica (provavelmente suicídio), enlouquece após a morte do pai. Seus discurso final na na célebre peça de Shakespeare é impregnado de um conteúdo erótico latente.

O mesmo erotismo foi considerado a principal causa das enfermidades mentais na mulher da Era Vitoriana. Nesse período um certo dr. Isaac Baker Brown desenvolveu a clitoridecotmia, a remoção cirúrgica do clitóris com o objetivo de curar a insanidade.

Leia mais em Women and Madness.

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Oscilações do humor

 

Essa cena dos Simpson além de hilária serve para ilustrar –  de maneira caricatural, claro – o que é labilidade emocional. No episódio, Homer passa a tomar uma medicaçãp para dormir chamada “Nappien” (algo como “Sonekium” em português). Lisa lê a bula e descobre que além de sonambulismo, a droga pode causar oscilações do humor (mood swings).

Isso é o que eu chamo de afeto hipermodulado.

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Zumbis, Vodu e neurotoxinas

Os zumbis estão em toda parte hoje em dia: memes, seriados de TV, quadrinhos, cinema e o diabo. Mas pouca gente sabe que em 1997 o seríssimo jornal The Lancet publicou um artigo científico sobre três zumbis haitianos.

O estudo é sobre três casos de pessoas identificadas como tendo sido “zumbificadas”. Vou pular todo o suspense e a investigação e entregar o final do mistério: duas das pessoas examinadas apresentavem sinais de transtornos mentais orgânicos com déficit cognitivo importante (um por epilepsia e hipóxia e outro por retardo mental congênito) e outro paciente tinha esquizofrenia catatônica.

O mais interessante é que três famílias acreditavam que os zumbis (encontrados vagando em outras localidades) eram familiares que haviam morrido alguns anos antes. Tratava-se, no entanto, de dois casos de identidades trocadas (confirmadas por DNA) e um caso em que, realmente, o paciente parece ter sido enterado sem estar morto (!).

O fenômeno no Haiti, no entanto, é culturalmente bem mais complexo e envolve uma crença religiosa arraigada ao longo de séculos e neurotoxinas encontradas na natureza capazes de produzir um estado de catalepsia. O blog NeuroPhilosophy traz um excelente artigo sobre o assunto: The ethnobiology of voodoo zombification

Aos curiosos: vale a pena ler com calma os artigos.

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É de se pensar a respeito

Por Wendy MacNaughton, a mesma desse aqui.

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A beleza trágica do incomum

An Emergency In Slow Motion é a biografia de Diane Arbus, um dos maiores nomes da fotografia do século XX. O livro  tem sido chamado, na verdade, de psicobiografia, já que foi escrito pelo psicólogo Todd Schulz a partir de dados fornecidos, inclusive, pelo terapeuta da artista. A obra tenta lançar luz sobre a personalidade e o funcionamento psíquico da fotógrafa norte-americana, que sofria de depressão e se suicidou aos 48 anos.

Arbus tornou-se conhecida pela impressionante documentação em preto-e-branco de pessoas em seu dia-a-dia, imprimindo sempre um ar de mistério e profundidade em suas imagens. Sua série de retratos de “freaks”(anões, travestis, gigantes) é impressionante.

O livro já entrou na minha lista de leitura deste ano.

Aqui, uma amostra do trabalho de Diane Arbus.

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Cartum #29

(Via Ryot IRAS. Dica de Até o Tálamo)

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Intermezzo

Eu sei que a música não é nova. Mas é que acabei de lembrar que uma das versões do clip da música Crazy do Gnarls Barkley traz uma animação psicodélica muito bacana baseada nas imagens do Teste de Rorscharch.

Como o clip não pode ser postado, clique aqui (ou na imagem) pra assistir.

Não deve ser por acaso que a letra da música é sobre o processo de enlouquecer. Qualquer dia escrevo mais sobre as referências na cultura pop ao Teste de Rorscharch.

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Cowboyterapia

história da psiquiatria EUA século XIX

A American Psychological Association publicou um artigo interessante sobre um tipo de tratamento psicológico peculiar  nos Estados Unidos do século XIX. A terapia consistia em mandar intelectuais do sexo masculino que sofriam de neurastenia para uma temporada de vida ao ar livre no “Oeste Selvagem” para andar a cavalo, cuidar de gado, caçar etc. Tudo isso no melhor estilo cowboy.

Algumas personalidades como Theodore Roosevelt (antes de se tornar presidente) e Walt Whitman submeteram-se à chamada “West Cure”.

Segundo o neurologista americano George Beard, o primeiro a descrever a neurasthenia em 1869, os sintomas apresentados pelo doente incluíam insônia, depressão, ansiedade e dores de cabeça. A principal causa da síndrome seria o trabalho intelectual extenuante.

Aqui o link para o artigo completo, que traz outras informações bem curiosas que devem interessar a quem gosta de história da psiquiatria.

(Achei no Mind Hacks)

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Vidas deixadas para trás

Raramente eu deparo com coisas tão comoventes como a exposição The Lives They Left Behind –  Suitcases from a State Hospital Attic.

A coleção de relatos e fotografias – que já se desdobrou em uma exposição itinerante e um livro – organiza-se a partir do material encontrado em malas abandonadas pelos pacientes do Willard Psychiatric Center, no estado de Nova York. O conteúdo foi encontrado após o fechamento da instituição em 1995.

Alguns dos pacientes chegaram a passar mais de sessenta anos no hospital, abandonados por suas famílias ou distantes de sua pátria natal. As maletas  carregam os vestígios das ricas e complexas existências dos seus portadores antes do internamento no Willard Center. Realmente tocante.

The suitcases and the life stories of the people who owned them raise questions that are difficult to confront.  Why were these people committed to this institution, and why did so many stay for so long?  How were they treated?  What was it like to spend years in a mental institution, shut away from a society that wanted to distance itself from people it considered insane?

Aqui o site oficial da exposição, com fotos e histórias de alguns pacientes.

Mais fotos das malas feitas pelo fotógrafo Jon Crispin podem ser vistas aqui e aqui.

Aqui, o livro na Amazon.com.

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Karl Jaspers, filósofo

Os psiquiatras o conhecem como o pai da psicopatologia fenomenológica. Os residentes de psiquiatria e estudantes o conhecem como o autor de um livro muito extenso e complicado sobre psicopatologia. Além  - e antes – disso, Karl Jaspers era filósofo. A seguir, a tradução da entrada sobre o psiquiatra alemão do site La-Philosophie.com:

Karl Jaspers foi um psiquiatra e filósofo alemão nascido no século XIX.

Existencialista, concebia a existência como um drama, uma tensão entre nossa presença no mundo e nossa aspiração à transcendência, entre a ciência e a religião. A incapacidade da ciência de resolver todos os problemas, sobretudo o de alcançar a felicidade completa através da ação é, segundo ele, o sinal de uma revelação divina.

Sua reflexão existencial analisa as situações (sofimento, conflito, culpa, morte…) que os filósofos racionais neglicenciaram ms que constituem os pólos incontornáveis da existência humana.

Jaspers concebia as relações entre os homens como manifestações de uma “batalha amorosa” , que oscila incessantemente entre o ódio e o amor.  Sua filosofia culmina numa teoria dos sinais e do sentimento religioso.

Mais sobre Karl Jaspers em Goethe Institut e na Stanford Encyclopedia of Philosophy

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