Zumbis, Vodu e neurotoxinas

Os zumbis estão em toda parte hoje em dia: memes, seriados de TV, quadrinhos, cinema e o diabo. Mas pouca gente sabe que em 1997 o seríssimo jornal The Lancet publicou um artigo científico sobre três zumbis haitianos.

O estudo é sobre três casos de pessoas identificadas como tendo sido “zumbificadas”. Vou pular todo o suspense e a investigação e entregar o final do mistério: duas das pessoas examinadas apresentavem sinais de transtornos mentais orgânicos com déficit cognitivo importante (um por epilepsia e hipóxia e outro por retardo mental congênito) e outro paciente tinha esquizofrenia catatônica.

O mais interessante é que três famílias acreditavam que os zumbis (encontrados vagando em outras localidades) eram familiares que haviam morrido alguns anos antes. Tratava-se, no entanto, de dois casos de identidades trocadas (confirmadas por DNA) e um caso em que, realmente, o paciente parece ter sido enterado sem estar morto (!).

O fenômeno no Haiti, no entanto, é culturalmente bem mais complexo e envolve uma crença religiosa arraigada ao longo de séculos e neurotoxinas encontradas na natureza capazes de produzir um estado de catalepsia. O blog NeuroPhilosophy traz um excelente artigo sobre o assunto: The ethnobiology of voodoo zombification

Aos curiosos: vale a pena ler com calma os artigos.

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