Archive | February, 2012

Megaproblema

Imagine que, num dado momento, um vagão de metrô com 30 pessoas parte da Estação da Sé, em São Paulo.

Seis pessoas dentro desse vagão terão o diagnóstico de um transtorno ansioso (ansiedade generalizada, pânico, fobia etc). Três pessoas – não necessariamente as mesmas do grupo anterior – terão um transtorno mental grave. Se pensarmos num trem inteiro de, digamos, dez vagões, a matemática é simples: serão 60 pessoas com algum transtorno de ansiedade e 30 (um vagão inteiro!) de pessoas com um trasntorno mental considerado grave.

A comparação que fiz é um tanto imprecisa do ponto de vista estatístico – já que a amostra num vagão de metrô não é nem de longe a ideal-, mas serve bem para ilustrar o impacto causado pelos dados apresentados pela São Paulo Megacity Mental Health Survey. A pesquisa conduzida pelo Instituto de Psiquiatria da USP é um trabalho epidemiológico monumental que avaliou a prevalência de transtornos mentais na população da Grande São Paulo.

Os dados impressionam. Entre eles, a prevalência de 10% de transtornos mentais graves. Nos EUA, estudos apontam para taxas ao redor 4,5%.

Vale a pena ler o artigo na íntegra e utilizar os dados recém saídos do forno em pesquisas, aulas ou artigos. Para ver um panorama geral e ilustrado dos dados, saiu uma matéria na Folha sobre o estudo.

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Cartum #32

(Por Overdose Homeopática)

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O mundo fechado dos asilos

Entre 2007 e 2008  o fotógrafo Cristopher Payne visitou setenta hospitais psiquiátricos abandonados em trinta estados dos EUA. A documentação fotográfica rendeu uma coleção de imagens intitulada Asylum: Inside the Closed World of State Mental Hospitals.

We tend to think of mental hospitals as “snake pits”—places of nightmarish squalor and abuse—and this is how they have been portrayed in books and film. Few Americans, however, realize these institutions were once monuments of civic pride, built with noble intentions by leading architects and physicians, who envisioned the asylums as places of refuge, therapy, and healing.

Pelas fotografias dá para perceber que muitos hospitais funcionavam como cidades autônomas, onde quase tudo do que precisavam era produzido no próprio local como comida, energia e até roupas e sapatos.

Impossível não notar como o ar de abandono dá uma atmosfera sombria às fotos.

:: Post relacionados: Vidas deixadas para trás, História ilustrada da psiquiatria, Fotografias da alma

 

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Pop ensandecido

Syd Barrett (1946-2006)

 

Esse é mais um daqueles links pra quem gosta do tema criatividade & transtornos mentais.

Gostei da lista publicada no site da GibsonMad Geniuses: 10 Brilliantly Eccentric Musicians

O rol reúne músicos e compositores do universo pop que tiveram suas vidas tocadas em algum momento pelo transtorno mental ou pela excentricidade. Alguns deles eu não conhecia, o que tornou a lista uma boa oportunidade pra entrar em contato com coisas diferentes.

Alguns da lista eu até já citei aqui, como Brian Wilson (Beach Boys) e Wayne Coyne (The Flaming Lips).

Aqui no Brasil, uma lista dessas certamente incluiria o músico Arnaldo Baptista, dos Mutantes.

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Intermezzo

 

Aproveitando a deixa do último post, a música “Love Will Tear Us Apart” da banda britânica Joy Division.

O líder e vocalista Ian Curtis suicidou-se aos 23 anos. É possível que Curtis sofresse de um transtorno depressivo agravado por uma epilepsia mal controlada.

A vida do artista foi transformada em filme em 2007.

Representações da epilepsia

O Art of Epilepsy é um blog só com referências feitas à epilepsia na arte e na cultura. Acho que não precisa dizer mais nada. Vai .

Na foto acima, Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division, que sofria de epilepsia.

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Asterix no centro cirúrgico

O artigo científico Traumatic brain injuries in illustrated literature: experience from a series of over 700 head injuries in the Asterix comic books (Lesões traumáticas cerebrais na literatura ilustrada: relato de uma série de 700 traumas encefálicos nos quadrinhos Asterix) existe mesmo e foi publicado ano passado na revista científica européia Acta Neurochirurgica.

O artigo traça um perfil epidemiológico dos casos de traumatismo crânio-encefálico (TCE) nas histórias de Asterix, o mais conhecido herói gaulês. Felizmente, apesar da intensidade do fator traumático (golpes na maioria dos casos) e da gravidade das lesões, não há relatos na amostra de morte ou mesmo déficit neurológico permanente.

Alguns outros dados são engraçados: 63,9% das vítimas eram romanos e quase 90% dos traumatismos foram provocados por gauleses. 70,5% das vítimas usava um elmo que foi perdido na grande maioria dos casos (87,7%)

Aqui, o link para o resumo do artigo.

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