Archive | April, 2012

A mente como matéria


Um contraponto interessante ao post anterior: uma ótima galeria com imagens do sistema nervoso central.

Visite Brains: The mind as matter, organizado pela Wellcome Collection.

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A mente é uma metáfora

Let the soul be compared to a pair of winged horses and charioteer joined in natural union. - Plato (427 BC – 347 BC)

Tem coisas sobre os livros e a literatura que você só encontra na internet.

The Mind is a Metaphor é um site que coleciona citações e trechos literários (em inglês) só com metáforas e analogias cujo tema é a mente (e o espírito, em sentido mais amplo). Lá você pode encontrar o que deseja navegando por categorias que vão desde a natureza da metáfora até a religião do autor que a criou.

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O Exorcista e a ‘Neurose cinemática’

Encontrei no Mind Hacks um post interessante sobre o efeito psicológico que o filme “O Exorcista” (The Exorcist, EUA, 1973) provocou em alguns expectadores. À época do seu lançamento nos cinemas, houve relatos de desmaios, expectadores tomados pelo medo saindo das salas às pressas e até de pessoas que “enlouqueceram” depois de ver o filme de William Friedkin.

Isso causou uma certa preocupação na comunidade científica e, em 1975, foi publicado um artigo no periódico Journal of Nervous and Mental Disease , intitulado ‘Cinematic Neurosis Following The Exorcist’ com o relato de quatro casos de problemas psiquiátricos em expectadores do filme.

The fact that the issue of ‘Exorcist madness’ was considered serious enough to appear in a medical journal is more likely testament to the fact that the film touched a raw nerve in the America of the 1970s, than the fact that it raised the hackles of some of its audience members.

Leia aqui o post: Mental illness following The Exorcist

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Salada de palavras

“Em nossos sonhos somos conduzidos a um mundo primitivo. Trata-se de um mundo mais parecido com o do selvagem, da criança, do criminoso, do louco do que com o mundo desperto do respeitável cidadão. Deve-se admitir que a isso se deve, em grande parte, o charme dos sonhos. E é também esse seu valor científico. Através dos nossos sonhos podemos compreender nossa ligação com estágios evolutivos há muito deixados para trás e, pela vivissecção da nossa própria vida onírica, podemos apreender algo a respeito do homem primitivo e da natureza de suas crenças (…)

O interesse [em estudar os sonhos] tem duas facetas. Não só pode nos revelar um mundo arcaico de vasta emoções e pensamentos imperfeitos mas, nos ajudando a obter um claro conhecimento dos processos oníricos comuns, pode proporcionar um avanço na compreensão de muitos dos fenômenos extraordinários do sonho, muitas vezes apresentados a nós por pessoas impressionáveis com algo misterioso ou mesmo sobrenatural.”

Havelock Ellis“The stuff that dreams are made of” (1899) – antes de Freud e sua Interpretação dos sonhos. Texto publicado na Appletons’ Popular Science Monthly.

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Psiquiatria minimalista

O designer Patrick Smith resolveu criar pôsteres minimalistas sobre transtornos mentais. Acima, o de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC, ou OCD em inglês.).

Clique na imagem para ver os outros.

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Uma estranha psiquiatria

Uma matéria curta no The Telegraph fala de como o filme “Um estranho no ninho” (One flew over the cukoo’s nest, EUA, 1975) mudou a cara da psiquiatria.

O filme é baseado no romance homônimo de Ken Kesey. Escrito na década de 60, a história retrata os abusos cometidos pela psiquiatria institucional americana no período.

Em “Um estranho no ninho” há uma sequência que ainda hoje ecoa no imaginário das pessoas a respeito da eletroconvulsoterapia (ECT). Em parte por causa dela, é difícil para qualquer psiquiatra falar sobre ECT ao público leigo (e mesmo a outros médicos ou psicólogos) sem ser visto como um torturador.

In the famous words of Nurse Ratched, the treatment “might be said to do the work of the sleeping pill, the electric chair and the torture rack. It’s a clever little procedure, simple, quick, nearly painless it happens so fast, but no one ever wants another one. Ever.”

Leia: How ‘One Flew Over the Cuckoo’s Nest’ changed psychiatry

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Cartum #36

"- Então eu me dei conta: eu estou salivando por causa de um maldito sino!"

 

(Via The New Yorker)

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Louco de pedra

Há quem acredite que a expressão “louco de pedra” não seja uma redução da frase “louco de atirar pedra”, usada para denominar o indivíduo agressivo por conta da ausência do juízo da realidade.

Na gravura acima, do artista Lucas van Leyden, um cirurgião intinerante do século XVI extrai pedras da cabeça de um homem. As pedras simbolizam a loucura e nesse tipo de procedimento, após o corte do couro cabeludo, num movimento de prestidigitação, as pedras surgiam na mão do cirurgião. A seguir eram mostradas aos pacientes e atiradas fora, no intuito de curar o doente por sugestão.

(imagem via @ChirurgeonsAppr)

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Omnia Vincit Cantus*

 

O vídeo acima é comovente. O senhor Henry, residente de um abrigo para idosos, passa a maior parte do tempo em um estado catatônico (provavelmente decorrente de um quadro demencial avançado), até que uma de suas filhas tem a idéia de trazer um iPod com as músicas que seu pai gostava.

A reação é surpreendente.

Quem comenta o vídeo é Oliver Sacks.

* Adaptei a frase de VirgílioOmnia vincit amor“(O amor vence tudo), trocando o “amor” por “música”.

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Bob Dylan & a neurociência

Gostei dessa matéria do Guardian que analisa o processo criativo de Bob Dylan à luz da neurociência cognitiva.

A matéria começa com um impasse criativo vivido por Dylan na metade dos anos 60, passa pela descoberta científica das funções cognitivas do hemisfério cerebral direito e pela natureza funcional do que chamamos de insight e termina com a história da criação da clássica canção Like a rolling stone.

Every creative journey begins with a problem. It starts with a feeling of frustration, the dull ache of not being able to find the answer. When we tell one another stories about creativity, we tend to leave out this phase of the creative process. We neglect to mention those days when we wanted to quit, when we believed that our problems were impossible to solve. Instead, we skip straight to the breakthroughs.

Leia aqui: The neuroscience of Bob Dylan’s genius

Bacana.

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A vida secreta de Stephen Fry

Achei o comovente o relato pessoal do genial ator, escritor e cineasta britânico Stephen Fry sobre o transtorno bipolar.

Fry foi diagnosticado com a doença aos trinta e sete anos de idade. Ele conta sobre seus questionamentos e respostas sobre o transtorno afetivo bipolar (TAB) no documentário da BBC Stephen Fry: The secret life of the manic depressive.

Ao longo do seu trajeto pessoal ele entrevista outros artistas que sofrem de TAB ou depressão (unipolar).

O vídeo (em inglês) deve interessar a quem – como eu – gosta de pesquisar sobre a relação entre a criatividade e os transtornos mentais.

Acima, a parte I. Clique aqui, para ver as outras partes.

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Cartum #35

“- Vejam! O mano ficou igual ao Phineas Gage!

O rebuscado senso de humor das azeitonas.

(Por Dosis Diária)

*Não sabe quem foi Phineas Gage? Clique aqui.

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Etilismo vintage na USSR

Gostei muito dessa coleção de pôsteres anti-álcool da antiga União Soviética.

Clique na imagem pra ver.

(via @mocost)

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Lobotomia: antes e depois

Durante três décadas – a partir de meados dos anos 30 – o médico americano Walter Freeman realizou perto de 3.500 lobotomias.  Freeman desenvolveu a técnica criada pelo português Egas Moniz e criou um aparelho especial para realizar a cirurgia de maneira rápida, quase ambulatorial. Já fiz dois posts sobre o assunto, aqui e aqui.

Aparentemente, Freeman era obcecado por fotografar os pacientes antes e depois da lobotomia, no intuito de mostrar a melhora obtida com o procedimento. Encontrei no Science & The Arts um slideshow com algumas fotografias do período.

At the time, lobotomy was was considered a miracle, and Freeman was hailed as a hero — and in fact, some patients did report improvement. In hindsight, though, the procedure seems inappropriate and scientifically dubious, and we now know that it destroyed many patients’ lives.

Clique para ver: Walter Freeman’s Photographs

(Bônus: audio-documentário com um dos pacientes mais jovens a ser submetido à lobotomia. Howard Dully, hoje com 56 anos, que procurou por dois anos outros pacientes do dr. Freeman para entrevistar)

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A explosão do autismo

O New York Times publicou hoje uma matéria interessante que discute o recente aumento da prevalência de autismo nos EUA. Segundo um relatório publicado no mês passado pelo órgão CDC (Centers for Disease Control and Prevention) uma em cada 88 crianças norte-americanas estaria em algum ponto do espectro autista. A prevalência atual é quase o dobro da estimada em 2007.

According to the C.D.C., what critics condemn as over-diagnosis is most likely the opposite. Twenty percent of the 8-year-olds the agency’s reviewers identified as having the traits of autism by reviewing their school and medical records had not received an actual diagnosis.

A matéria deve interessar  ao pessoal da psiquiatria infantil. Clique para ler (em inglês): The Autism Wars

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