Níobe e a distimia

Fui convidado na semana passada a fazer uma apresentação sobre distimia na jornada estadual de psiquiatria. Os transtornos do humor me interessam muito e considero que a distimia, em especial, tem recebido pouca atenção dos modernos – e pretensamente hegemônicos – manuais de psiquiatria.
Enquanto preparava a conferência, lembrei a história da personagem mitológica Níobe, que pode ser usada como uma bela alegoria para a melancolia incessante da distimia.
Níobe era então rainha de Tebas e considerada um exemplo de fertilidade. Tinha 14 filhos, sete homens e sete mulheres. Por conta de uma atitude demasiadamente orgulhosa diante de sua capacidade de gerar filhos, provoca a ira da deusa Leto, que possuía apenas dois descendentes. A deusa enfurecida ordena que seus dois filhos arqueiros, Artêmis e Apolo, matem a prole de Níobe. O trecho a seguir, extraído do Livro de Ouro da Mitologia de Thomas Bulfinch, conta o que acontece à rainha de Tebas após o assassinato dos filhos: Zeus, compadecido do seu choro, transforma-a em pedra:
Desolada, ela sentou-se entre os filhos, filhas e marido, todos mortos, apática com o sofrimento. A brisa não lhe agitava os cabelos, suas faces estavam inteiramente descoloridas, o olhar fixo e imóvel (…) O pescoço não se curvou, os braços não fizeram gesto algum, os pés não deram um só passo. Ela se transformara em pedra, por fora e por dentro.
A lenda conta que, mesmo depois de virar uma estátua (ou formação rochosa, dependendo da versão), Níobe não cessa de prantear os filhos. O pesar contínuo e a imobilidade eterna dão uma boa dimensão simbólica ao sofrimento na distimia.
:: Posts relacionados: O Duplo, Prometeu moderno, Loucura feminina no século XIX
“O pesar contínuo e a imobilidade eterna dão uma boa dimensão simbólica ao sofrimento na distimia.”
Daí a necessidade de ser diagnósticada com seriedade e medicada. Nesses casos acredito que a medicação seja o despertar, mas realmente a pessoa precisa de muita garra para reverter isso.Dizem que praticar exercícios aeróbicos que aceleram a respiração seja uma boa, mas do que alongamentos e caminhadas..
Não sei ao certo , mas acho que uma pessoa distima tem a dopamina baixa demais, então o ponto é o que fazer para que ela aumente e a depresão dominua….
abraços
A distimia faz uma fronteira difusa com a normalidade e a depressão, então é um diagnóstico difícil de fazer.
Em relação ao tratamento, o modelo que existe é o mesmo da depressão, mas com um enfoque maior na psicoterapia.
É.. sou do tipo que acha que uma depressão faz bem de vem em quando..ôps..calma..Quis dizer em relação a essa fronteira difusa que vc abordou entre normalidade e a depressão no que concordo.
Por vezes me pego ” melancólica” ou se preferirem meio depressiva, mas sentindo um certo bem estar, explico…é que quando faço determinadas reflexões existencialista sobre a vida, os valores, o mundo caótico como está, muita fome, violência, etc..sinto uma sensação de impotência, de tristeza porque percebo muita medícriodade, hipócrisia de homens, tem coisas que não concordo e sei que é a minha percepção e confesso que é a minoria..sei disso.. daí fica difícil conviver com essa realidade e aceitar, embora seja esse nosso mundo. Dificl expllicar, o que quero dizer é me sinto bem por saber que não sou desse grupo, mas triste, muito melancólica em ter que aceitar e conviver com tanto egocentrismo, egoísmo, gente do TER e não do SER, ..ou seja em que mundo nós vivemos.,? SOU FELIZ NELE? O que é felicidade nesse caos?..sim, porque não olho só para meu umbigo. Tem uma corrente de solidariedade passeando nas minhas veias,…
Não sei se entenderam..talvez outra bipolar me entenda melhor..rs
abçs
Maria