O DSM-V vem aí

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, DSM) foi finalizada, segundo comunicação oficial da American Psychiatric Association feita hoje (que você pode ler aqui). O DSM-V deverá ser publicado oficialmente somente em março de 2013.

Pra quem não sabe, o DSM, junto com a Classificação  Internacional das Doenças ( atualmente na décima edição, a famosa CID-10), formam o principal corpo de informação sobre os diagnósticos em psiquiatria. Os referenciais propostos nos dois sistemas classificatórios são utilizados no mundo todo.

Há uma longa e tortuosa história por trás dos dois manuais classificatórios, no entanto, há algo recorrente em todos os lançamentos de novas versões: a polêmica. Como não poderia deixar de ser, a nova edição do DSM vem gerando críticas, desde o início da sua gestação, por parte de profissionais de saúde ao redor do mundo.

Algumas mudanças das mudanças que devem ocorrer no DSM-V são:

  • Extinção do diagnóstico mutiaxial;
  • Os vários transtornos relacionados ao autismo devem ser agregados em um ‘transtorno do espectro autista’;
  • Um novo diagnóstico infantil, disruptive mood dysregulation disorder (algo como ‘transtorno da oscilação disruptiva do humor’) fará parte do esforço de enquadrar nosologicamente o transtorno bipolar na infância;
  • A inclusão de uma “síndrome psicótica atenuada” no grupo dos transtornos psicóticos (provavelmente para caracterizar sintomas de pessoas do grupo de altíssimo risco para psicose ou estados prodrômicos da esquizofrenia);
  • A criação de critérios para um transtorno relacionado ao uso de jogos pela internet (Internet use gaming disorder).

É esperar para ver. Talvez tudo mude para continuar do mesmo jeito, como se o passado nunca tivesse existido.

Leia também aqui no blog: O que é o DSM-5?

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2 Responses to “O DSM-V vem aí”

  1. Ricardo
    21/12/2012 at 4:57 pm #

    Ola, aprecio muito seu blog e quero fazer algumas consideracoes. O tal do DMDD (ainda sem traducao oficial, mas gostei da sua) nao creio que faça parte do esforço para enquadrar nosologicamente o transtorno bipolar, acho que eh justamente o indicador do fracasso que foi tentar faze-lo. O Allen Frances, que veio a se tornar o maior critico ao DSM V, fez uma critica a esse diagnostico apontando que as criancas com temperamento dificil nao precisam de um novo diagnostico (o TDA/H tambem fracassou de certa maneira). Ainda nos eh incerto qual serao os efeitos deste “novo” transtorno, mais medicalizacao, mais estigma ou sabe-se la o que o “pos fim do mundo” nos reserva.
    A questao da sindrome psicotica atenuada foi ate um alivio ja que colocar a sindrome de risco psicotico seria criar diagnostico para uma situacao de risco e nao o quadro em si… Nao sei se voce leu este… http://www.psychiatrictimes.com/dsm-5/content/article/10162/2118129
    Abraco
    Ricardo

  2. S. Albuquerque
    22/12/2012 at 9:44 pm #

    Olá, Ricardo. Obrigado pelo comentário.

    Tenho a impressão de que o DMDD é um conceito perigoso, principalmente nas mãos dos neo-kraepelinianos do TAB (como Akiskal e D. Lara) cheios de idéias a respeito de um espectro excessivamente amplo e difuso das doenças do humor. Mas acho que a gente só vai saber no que vai dar quando o diagnóstico for utilizado na prática.

    Não tinha lido o texto do link que me mandou, mas já separei aqui. Obrigado.

    S.

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