Archive | July, 2013

Vontade de pular

vontade de pular psicologia psiquiatria

Acho que quase todo mundo já passou por isso: quando na borda de um lugar muito alto – uma varanda num andar elevado na casa de um amigo, um precipício numa viagem de férias -, ser acometido por uma vontade de pular. Quem não?

Algumas pessoas tendem a interpretar o fato como desejo suicida. Empiricamente é fácil contestar a hipótese, já que a maioria das pessoas que sente isso (como você que me lê, muito provavelmente) não cogita a possibilidade de se matar.

Mas o que provoca esse impulso então?

É difícil dizer ao certo, mas um estudo recente aponta para uma solução plausível. Na pesquisa, 431 estudantes universitários foram investigados a respeito do que os autores chamam de high place phenomenon (algo como “fenômeno dos lugares altos”). Os resultados mostram que, de fato, não há uma correlação entre o fenômeno e a ideação suicida. Os autores ainda sugerem uma explicação para a reação.

É possível que a sensação aconteça por uma interpretação momentaneamente equivocada de uma parte do nosso cérebro que fica confuso diante de uma repentina e automática reação de auto-preservação. Funciona assim: quando nos aproximamos do perigo de queda em um lugar alto, há uma resposta motora primitiva muito rápida que nos “puxa para trás”. A parte menos automática – e mais “lenta” – do cérebro (as funções corticais superiores) interpreta a informação de maneira paradoxal, como se houvesse inicialmente algo “empurrando para frente”, daí a sensação de algo que nos força a pular.

Da próxima vez que sentir isso, lembre desse artigo, relaxe e aproveite a vista.

ResearchBlogging.org

Hames JL, Ribeiro JD, Smith AR, & Joiner TE Jr (2012). An urge to jump affirms the urge to live: an empirical examination of the high place phenomenon. Journal of affective disorders, 136 (3), 1114-20 PMID: 22119089

 

:: Leia também aqui no blog  Assim é se lhe pareceRindo da desgraça alheiaNeurociência da estética

Leave a Comment