Archive | August, 2013

Salada de palavras

Brain-scan

A IDEIA

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica …

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

– Augusto dos Anjos

Veja outras Saladas de palavras no blog.

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Intermezzo

Junto com o rocksteady, o ska é o pai do reggae, o estilo tradicional da Jamaica.

Acima, um clássico do ska: Madness de Prince Buster.

Funeral de mentira

Há uma nova e bizarra prática na Coréia do Sul. Por ano, cerca de 3,000 pessoas pagam uma quantia considerável para ser postas em um caixão de madeira sólida como manda o costume, antes de ser feito todo o rito funerário. O bizarro da história: essas pessoas não morreram ainda.

Segundo dados de uma empresa que realiza esse funesto desejo, 1% dos clientes quer inclusive ser enterrado por um breve período.

A prática tem crescido no país. Aparentemente as pessoas querem participar vivas do seu próprio funeral para mitigar depressão, sentimentos de angústia e questionamentos existenciais. O responsável pela principal companhia do ramo garante que dentro do caixão a pessoa pode meditar confortavelmente sobre a vida – e sobre a morte, claro -, e conseguir obter alívio instantâneo para os sofrimentos.

O documentário acima conta em detalhes o procedimento. (As legendas em inglês podem ser ativadas no player).

Há duzentos anos Philippe Pinel, considerado o pai da psiquiatria, tentava empiricamente cuidar de pessoas acometidas por delírios de maneira semelhante. Através de dramatizações o doente era confrontado com elementos de suas próprias idéias delirantes, na tentativa de desfazer o núcleo de sua loucura. Um exemplo ilustrativo é caso de um melancólico convencido de que estava na lista de suspeitos da Convenção e que foi confrontado com três homens que se disfarçaram de juízes e lhe conferiram um certificado atestando seu patriotismo.

Como no caso dos falsos funerais coreanos, há uma tentativa homeopática (“semelhante cura semelhante”) de lidar com sofrimentos que, em última análise, remetem à pulsão de morte, através da encenação, senão da morte, dos elementos síbolicos e ritualísticos mais ligados a ela, aqueles realizados no funeral. Como os experimentos de Pinel, provados ineficazes empiricamente, é pouco verossímil que o método coreano funcione a longo prazo.

De qualquer modo, o documentário é bem curioso e vale ser visto.

P.S.: Veja esta notícia de jornal com manifestação inusitada de uma provável síndrome de Cotard com consequências extremas, parecidas com as práticas dos sul-coreanos.

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