Archive | March, 2014

Cartum #67

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Hermes contra a sífilis

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Já escrevi sobre uma das graves complicações psiquiátricas da neurossífilis, a paralisia geral progressivaaqui.

A sífilis surgiu na Europa no começo do século XVI. “Surgiu” é maneira de dizer; há quem argumente que desde muito antes a doença já habitava o velho continente, sendo diagnosticada erroneamente como lepra. A verdade é que as emergentes rotas de comércio serviram para espalhar a doença do treponema por quase todo o mundo conhecido.

Ironicamente, o primeiro tratamento para a sífilis foi o elemento que leva o nome do deus romano do comércio e das estradas: Mercúrio (Hermes para os gregos)

O efeito do mercúrio sobre a lues foi descoberto empiricamente. Alguém percebeu que trabalhadores de minas de sal daquele metal não contraíam a doença. A partir daí foi um passo para usar o mercúrio como agente terapêutico. Os pacientes, no entanto, tinham poucas chances de cura e boa parte morria por toxicidade do próprio tratamento.

(Na foto que ilustra o post, bandagens e seringa para aplicação de mercúrio)

Continue lendo para ver mais imagens históricas.

(more…)

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Salada de palavras

paulo mendes campos tédio o amor acaba

“o tédio é um câncer, uma poeira pela qual passamos sem ver, mas que respiramos, comemos e bebemos, e que termina por cobrir-nos os rostos e as mãos. É preciso sacudir essa chuva de cinza. Por isso o mundo tanto se agita; ou habitua-se ao tédio, que é um desespero abortado, uma forma torpe de desespero – a fermentação de um cristianismo decomposto.”

Paulo Mendes Campos, na crônica “Anatomia do tédio” do excelente livro O amor acaba.

(A quem interessar possa, mais sobre o tédio neste outro livro.)

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Um pouco de sinestesia em cada um de nós

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Sinestesia é capacidade  de vivenciar estímulos de um orgão sensorial através de outro. É, por exemplo, ouvir uma cor ou visualizar um som. Até pouco tempo acreditava-se que isso só acontecia em condições especiais, como no uso de drogas psicoativas.

Encontrei uma interessante matéria na revista eletrônica Nautilus (aproveito para indicar também a revista) sobre os mecanismos neurológicos da sinestesia.

Ultimamente, esse fenômeno tem recebido muita atenção da comunidade neurocientífica. Vários estudos  lançam mão da compreensão neurobiológica da sinestesia para entender a sensopercepção “normal”.

Most of us, after all, have felt the almost painful shiver of hearing fingernails scratching a blackboard, or have gotten the chills when Whitney Houston hits a high note. Given the similarities between the brain cells that process sounds and feelings, it’s even possible, Ro says, that a sense of hearing evolved from a sense of feeling.

A matéria Sound and Touch Collide explica como a coisa funciona e revela que nossos sentidos habitualmente tendem a funcionar de modo sinestésico.

:: Leia também aqui no blog  Ouvindo coresAs viagens de Oliver SacksLições de um cérebro danificado

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Folia

folia loucura carnaval

Só pra não passar em branco no Carnaval, lembro que a palavra “folia”, originalmente, quer dizer loucura.

O termo vem do francês, folie - palavra ainda hoje usada lá para designar maluquice -, que por sua vez vem do latim follis, que quer dizer fole, ou algo repleto de vento. É uma alusão, em francês, ao fato de o louco ter a cabeça vazia, ou cheia de vento.

(Aproveito pra indicar o interessante site Histoire de la Psychiatrie en FranceÉ um pouco desorganizado, mas vale a pena)

:: Leia também aqui no blog  A loucura e seus nomes (III)A loucura e seus nomes (II)A Loucura e seus nomes

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Sexo com robôs

roxxxy robo sexo

Os inventores de Roxxxy dizem que ela é  o primeiro robô sexual do mundo. Lançada em 2010 pela empresa TrueCompanion, o autômato promete compreender o que agrada e desagrada seus donos através de inteligência artificial.

O dono e inventor garante que não se trata apenas de um sextoy, mas de uma companhia capaz de simular compreensão e de despertar uma sensação de ligação emocional.

O ótimo site Narratively  levanta uma discussão dos valores envolvidos nesse tipo de avanço tecnológico. E o melhor: tudo em quadrinhos.

Leia lá: Love with robots

(Um vídeo de demonstração da invenção mostra que estamos ainda MUITO longe de algo minimamente parecido com uma interação humana)

:: Leia também aqui no blog  Pornografia: não é o que você pensaPerigos do prazer solitário

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