Archive | April, 2014

Teste da banheira

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Uma piada. Porque ninguém é de ferro.

Durante uma visita a um hospital psiquiátrico, perguntei ao diretor como ele determinava se um paciente precisava de internação. “Bem”, repondeu ele, “a gente enche uma banheira com água e oferece à pessoa uma colher de chá, uma xícara ou um balde, e pede para ela esvaziar a banheira”.

“Entendi”, eu disse. “Uma pessoa normal usaria o balde, já que é maior que a colher e que a xícara. “Não”, responde o diretor, “uma pessoa normal tiraria o tampão do ralo. Você gostaria de sua cama perto da janela?”

(via Trust me, I’m a “psychologist”)

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Esquizofrenia em destaque

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O último suplemento da Nature Outlook é todo dedicado à esquizofrenia. Você pode acessar gratuitamente aqui, ou até pedir uma cópia também grátis da revista impressa (números limitados), aqui .

Detalhe: a ilustração da capa foi feita por Sue Morgan, diagnosticada com esquizofrenia há vinte anos. Veja um vídeo da artista, sobre o processo de desenho da capa: Schizophrenia: Designing the cover

(Aqui, outro vídeo da artista que fala sobre suas sensações e pensamentos como portadora de esquizofrenia)

:: Leia também aqui no blog  SkhizeinOs custos da psicoseNovas idéias sobre uma velha doença

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Loucura na Era Clássica

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A Columbia University recentemente lançou um livro que é uma coletânea de textos sobre o transtorno mental no mundo clássico. Mental Disorders in the Classical World (Columbia Studies in the Classical Tradition) já foi pra minha wishlist da Amazon. Segundo a descrição do site, o livro

…seeks to show through interdisciplinary work how the first medical scientists and their lay contemporaries conceptualized mental disorders and attempted to diagnose, understand and treat them.

Como prévia, encontrei uma entrevista com William Harris, o editor do livro. No texto ele fala sobre alucinações entre os gregos e romanos do período. Vale a pena ler: Look to the Romans to Understand Hallucination

Segundo o autor, apesar da atribuição divina dada à boa parte dos eventos alucinatórios, em alguns casos, como na peça “Os menecmos” de Plauto, quando um dos personagens escuta a voz de Apolo ordenando que cometa um assassinato, os outros personagem acreditam que aquele deve procurar um médico.

:: Leia também aqui no blog  Páginas melancólicas,Anatomia da MelancoliaA doença de Saul

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Cartum #68

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“Ponha um sorriso no rosto e o resto do corpo vai reagir do mesmo jeito. Não é um teoria cientificamente comprovada, mas eu consegui 1,297 curtidas no Facebook”

 

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Viagem pela mente

neurocomic neurociência quadrinhos graphic novel

Neurocomic (2013, Nobrow) é uma bela graphic novel sobre como o cérebro funciona. A obra é o esforço conjunto dos neurocientistas Hana Roš e  Matteo Farinella (que também é desenhista).

Das descobertas de Pavlov no final do século XIX ao entendimento da neuroplasticidade no século XXI, o livro cobre os avanços da ciência na tentativa de entender o complexo funcionamento da massa cinzenta. Os quadrinhos prometem agradar crianças curiosas e adultos inquietos.

O livro ainda não foi lançado no Brasil. Veja mais aqui.

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Destruidora de lares

crônica destruidora de lares s. albuquerque

Dois amigos conversam em tom de segredo no bar. Esperam um terceiro.

- Te chamei aqui porque o negócio é serio.
- Fala logo! É com o Zezinho? – tira os olhos do Whatsapp pra escutar o primeiro. O negócio é sério. O da má-notícia continua:
- Isso. Ou melhor, com o filho dele. Antes que ele chegue: o rapaz tá envolvido com um troço brabo…

O outro interrompe, sem se aguentar de curiosidade e preocupação. Dedo em riste:

- Já sei, é crack! Isso tá acabando com a juventude…
- Te acalma, homem! Fala baixo e escuta. O negócio é pior.
- Se assumiu! Eu sabia! Aquele brinquinho na época da faculdade nunca me enganou. – ergue de novo o dedo: – Isso é culpa da mídia que…
- Vai me escutar ou não? Assim não falo mais.

O curioso toma, resignado, um gole de cerveja. É o sinal que o outro pode continuar.

- Então. Te falei que era negócio brabo, pesado. Se fosse um filho meu! –  suspira emocionado, engole uma azeitona e continua: – o menino, o filho do Zezinho, tá metido com política.

O outro se engasga com a cerveja. Tosse forte, cospe na toalha da mesa, limpa a boca e o nariz com o braço e volta com aquela voz fininha de quem acabou de se engasgar.

- Tá falando sério? Tá me dizendo que o rapaz anda dando opinião de política por aí? Ah, se fosse um filho meu!
- Não, não. Isso é fichinha hoje em dia. Isso e fumar maconha; todo rapaz faz. O problema do filho do Zezinho é pancada. Tô falando de política partidária, pleiteando cargo e tudo!

O curioso, agora pasmado, não se aguenta: levanta da cadeira, dá duas voltas ao redor da mesa, morde o lábio inferior. Quer acender um cigarro. Melhor não – o bar não aceita fumantes. Que dar um soco na mesa mas se segura; não que dar vexame, mas se fosse um filho dele…

- Rapaz, como é que você me conta isso assim, de chofre? Meu stent não aguenta! Política partidária?! O Zezinho não vai suportar! Bem que eu disse pra ele não se separar da mãe do rapaz. Esse negócio de divórcio…

Nisso entra o Zezinho no bar e os amigos se calam, taciturnos. O pai do problema senta com os colegas, todo pimpão. Entre os dois paira um ar pesado, enevoado, apesar de o local não aceitar fumantes.

Zezinho cumprimenta os amigos sem notar a tensão. Puxa do bolso um santinho:

- Pessoal, antes mais nada queria pedir um favor a vocês…

Os dois amigos olham para a lapela de Zezinho onde repousa, recém-colad0, um colorido adesivo de campanha. Solenes, cada um leva o copo de cerveja à boca e combinam com um olhar: esse mundo está mesmo perdido.

 

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