Archive | June, 2014

Música para esperar #2

baladas soul música de espera

Dando continuidade a outro post sobre músicas para salas de espera de consultório, continuo com uma seleção de músicas e não de discos como da outra vez.

Fiz uma coletânea de baladas soul, misturando doowop mais clássico com algumas coisas dos anos 70. O título da coletânea é bem direto: Soul Ballads. Espero que agrade.

(Todas as músicas podem ser escutadas abaixo ou no Grooveshark)

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Antes de partir

andrew george right, before i die tanatologia psicologia

Time is so precious. God, it’s precious…

Imagine receber o diagnóstico de uma doença terminal. Imagine o que se pode pensar antes de ir embora. Imagine enfrentar o maior momento de sua vida, a morte, com dignidade.

A tocante série de retratos do fotógrafo americano Andrew George intitulada Right, before I die é sobre viver os últimos momentos com coragem e tranquilidade. No trabalho, o fotógrafo documenta pessoas em estágio terminal e aponta seus relatos em palavras diretas e comoventes, cheias de vida.

“These portraits convey my admiration of 20 men and women who face an impending death and do so with acceptance and peace,” says George. “I believe it takes real courage to accept that everything we see as so vital and integral to our lives will vanish. Some of us will have the fortitude to go beyond the fear of our mortality and confront this unknown journey bravely.”

Clique aqui para ler uma matéria sobre o ensaio: Touching Portraits of People Facing Death with Acceptance and Peace

:: Leia também aqui no blog  A correnteAmor, perda e risosVivendo com a doença de Alzheimer

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Cartum #71

vida trabalho diversão cartum

(por Odyr)

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Gênero neutro

chloe aftel agender

© Chloe Aftel 2014

 

A fotógrafa Chloe Aftel decidiu fotografar uma zona de fronteira. A dicotomia masculino-feminino não tem limites precisos para algumas pessoas que não conseguem se identificar com nenhum dos dois gênero.

Na série de retratos intitulada “Agender“, Aftel fotografa pessoas que não fazem questão de se enquadrar nos pólos definidos da sexualidade. Os jovens Edie (foto), Sasha e Rain são documentados delicadamente pela lente da artista dentro de seu universo indefinido.

A ideia de fotografar essas pessoas surgiu depois de um incidente trágico. O jovem Sasha Fleischman teve sua saia queimada dentro de um ônibus a caminho da escola no ano passado, em San Fransciso. Shasha sofreu ferimentos graves. O ocorrido chamou a atenção da mídia para o tema da definição dos gêneros e reaqueceu um debate antigo.

Clique na foto para ver mais imagens.

:: Leia também aqui no blog  Rosa e azulPlaneta particularAs faces da dependência

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A psiquiatria responde

tensão superficial

A psiquiatria tem sido um alvo fácil de críticas incendiárias desde a segunda metade do século passado. Recentemente, com a publicação do manual diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (APA) para os transtornos mentais – o famoso DSM-5 – os ataques a essa especialidade médica tornaram-se novamente passivos de simpatia popular, quase do mesmo jeito do que aconteceu na década de 1960, com o advento do movimento antimanicomial.

Muitas das críticas ao manual são bem justas. O que incomoda é aquela maioria de opiniões (normalmente copiadas de notícias de jornal ou de correntes nas redes sociais) propagadas por pessoas que têm apenas um vago conhecimento sobre o fenômeno complexo do adoecer mental. Críticas que terminam se estendendo à prática da especialidade de maneira generalizada, por meio de opiniões que julgam o todo a partir da parte. Junte então filósofos, jornalistas, críticos ocasionais da situação geral, políticos, oportunistas e, novamente, mais jornalistas, todos a se engatar num trenzinho de opiniões idênticas do tipo control c + control v a propósito de algo cujos meandros são totalmente inacessíveis a qualquer análise superficial, de mesa de editor.

Vou fazer aqui um exercício: tentarei destrinchar o palavrório irresponsável contido no argumento-clichê dos novos representantes da antipsiquiatria. Fique claro que não sou da aplicação indiscriminadas das generalizações cometidas pelo DSM-5 ou qualquer manual deste tipo na clínica. O que me incomoda é o fato de um ramo válido do conhecimento científico ser pichado injustamente em prol  de audiência para sites, revistas e jornais.

Vou tomar aqui um exemplo paradigmático desse tipo de opinião, uma entrevista concedida pela filósofa  Sandra Caponi com o pomposo título “Neuronarrativas: A hipocrisia institucionalizada da medicalização da saúde mental.” Poupo você de ler o texto completo e extraio e contra-argumento 10 trechos que ilustram as recorrentes críticas às quais me referi.

A entrevista foi publicada no site de uma instituição de base religiosa, que oferece, entre outras coisas “atendimento espiritual online

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Massacre, memória e fotografia

massacre paz celestial psicologia história manipulação

O Massacre na Praça da Paz Celestial completou 25 anos. Após quase três décadas, o governo chinês ainda tenta impor uma amnésia coletiva sobre o evento. O que o comando da República Popular da China faz é a imposição de um passado manipulado na tentativa de controlar o presente e,  consequentemente, o futuro político do país.

A técnica não é nova. No livro 1984, George Orwell extrapola a realidade e cria um governo totalitário ficcional que controla todos os aspectos da história individual e comunitária. Na trama, o partido Ingcoc manipula massivamente informações do passado e constrói uma mitologia política que sustenta um governo ultra-opressor, cuja face é a imagem onipresente e ameaçadora do Grande Irmão.

O livro é de  1948. Naturalmente, ele é uma alegoria que serviu de manifesto contra os governos totalitários da Europa. Orwell era particularmente preocupado com o regime socialista na União Soviética: o que acontece em 1984 é uma extrapolação de fatos ocorridos durante o governo de Stalin, conhecido, entre outras coisas, por modificar fotos históricas em prol de uma coerência histórico-política.

Pode parecer um tanto ingênua e grosseira a noção de que fotos manipuladas podem mudar a narrativa de nossas memórias sobre eventos passados. Dois estudos, no entanto, apontam que esse método pode ser extremamente eficaz.

Em um deles, participantes foram expostos a fotografias manipuladas de eventos históricos em dois experimentos, um deles envolvendo a famosa fotografia do manifestante anônimo (acima) que enfrenta uma fila de tanques de guerra na Praça da Paz Celestial.  O estudo italiano mostrou que, mesmo pessoas mais velhas que haviam acompanhado o evento há 25 anos, mudaram o conteúdo de suas memórias diante da imagem digitalmente manipulada.

Em outro experimento publicado em 2013 no Journal of Experimental Social Psychology, mais de 5000 voluntários americanos foram apresentados a imagens de eventos políticos falsos fabricados por fotomanipulação. Quase 30% dos participantes disse ter lembrado dos eventos fictícios (entre eles, um flagra de aperto de mãos Barak Obama e o presidente do Irã). Outro dado interessante da pesquisa é que as convicções políticas das pessoas testadas – liberais ou republicanos – influenciavam como eram vistos os fatos envolvendo o partido político rival.

Em tempos de PiG e às vésperas de eleições para presidente, nada como ficar atento às nem sempre sutis manipulações da mídia.

ResearchBlogging.orgSacchi, D. L., Agnoli, F., & Loftus, E. F. (2007). Changing History: Doctored Photographs Affect Memory
for Past Public Events Applied Cognitive Psychology, 21 (8) : 10.1002/acp.1394

Frenda, S., Knowles, E., Saletan, W., & Loftus, E. (2013). False memories of fabricated political events Journal of Experimental Social Psychology, 49 (2), 280-286 DOI: 10.1016/j.jesp.2012.10.013


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Vontade de pularAssim é se lhe pareceCriptomnésia

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