Archive | November, 2014

PKD & Crumb

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Robert Crumb já apareceu outras vezes aqui no blog.

Dessa vez indico, desenhada por ele, a psicodelíssima viagem alucinatória do autor Philip K. Dick (ou PKD para os entendidos), outro que dispensa apresentações, em busca do sentido da realidade.

A história apareceu em 1986 na revista Weirdo, fundada pelo próprio Crumb. Você pode ler o relato ilustrado, online, no BrainpickingsR. Crumb Illustrates Philip K. Dick’s Hallucinatory Spiritual Experience

(Interessante perceber logo no primeiro painel que Crumb interroga se a experiência mística de PKD não seria a manifestação de uma “esquizofrenia aguda”)

Falando em psicodelia, aproveite e veja aqui no blog outros posts sobre o assunto:

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Uma história da trepanação

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Há evidências que trepanações era realizadas em 6500 A.C. Achados arqueológicos de várias culturas antigas, de gregos a egípcios, evidenciam o que provavelmente foi a primeira intervenção cirúrgica.

O verbo ‘trepanar’ deriva do grego trypanon, que significa ‘broca’. O procedimento consiste de fazer buracos na calota craniana e expor a dura-máter com o objetivo de tratar enfermidades ligadas direta ou indiretamente ao cérebro.

Especula-se que o homem pré-histórico utilizasse a técnica para uma variedade de condições, de traumatismos crânio-encefálicos (com o mesmíssimo objetivo das atuais craniotomias descompressivas) a epilepsia, passando por transtornos mentais.

Sim, os pacientes sobreviviam a isso. Análises arqueológicas mostram que havia chances de sucesso relativamente altas.

Encontrei uma ótima coleção de imagens e informações sobre a trepanação aqui: The True Story Of Ancient Brain Surgeries

Apesar das evidências e hipóteses científicas, ainda há muito sobre o que entender sobre o fenômeno.

:: Leia mais aqui no blog   Louco de pedraCharlatanismoTratando o amor

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Cartum #78

Cartum psicanálise divã

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A mente de dois mil e quinhentos

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Deu no jornal: dois mil e quinhentos querem a volta do regime militar no Brasil. 

Enquanto centenas de milhares protestam em Hong Kong pela democracia há trinta dias seguidos, o equivalente à lotação do pequeno estádio de futebol Tupizão, no interior de Minas Gerais, faz barulho nas ruas de São Paulo pelo retorno de um período de tortura e morte comandados pelo Estado.

É como se toda a população de Pindoba, interior de Alagoas, saísse de casa num sábado para pedir às autoridades exílios, fuzilamentos, desmandos e censura. É pouca gente, mas é muita agressividade. É muita incapacidade de reconhecer-se no outro. É muita ignorância.

Em 1921, à medida que ideologias facistas e nazistas ganhavam mais adeptos na Europa, Freud ousou entender o que acontece na mente coletiva da multidão. Em A psicologia das Massas e Análise do Euo médico vienense compara a massa a um organismo vivo, formado por células  - as pessoas – e conclui que as motivações e comportamentos do grupo diferem daqueles de seus integrantes, quando avaliados individualmente. Perde-se também, na multidão, o sentimento de responsabilidade e os freios morais. O que equivale a dizer que o indivíduo, quando tomado pelo sentimento de manada, age de maneira muitas vezes irracional e imprevisível.

Quero acreditar em Freud, e considerar que todos os dois mil e quinhentos sozinhos em sua existência mundana, na lida comum com os perrengues diários, não se identificam com o déspota idealizado e maquiavélico que desejam que suba ao poder. Quero acreditar que isso se trata só de uma rixa passageira, como a de uma torcida organizada que reage mal à derrota do seu time.

Dois mil e quinhentos é um pouco menos do que o número de mortos e desaparecidos na ditadura do Chile. É também o número de prisioneiros abrigados em um dos primeiros campos de concentração, criado quando os nazistas subiram ao poder em 1933.

É certamente um número bem menor do que aquele que reuniu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, onde se pedia a prisão de João Goulart; mas certamente superior em virulência e rancor: um deputado que participou da caminhada pela Avenida Paulista sugeriu o fuzilamento da presidente.

O que a mente cega e narcisista de  dois mil e quinhentos quer é que sua liberdade seja confiscada. Já pensou?

Dois mil e quinhentos não são muitos, mas são demais. São demais para os outros milhões que se escandalizam ao olhar para o passado e deparar com décadas de violência e privação de um regime militar.

:: Leia também aqui no blog  Espírito de manadaEmoções públicas, emoções privadasEsquizofrenia e desintegração

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