Archive | literatura RSS feed for this section

Tratando o amor

[The Insanity of Lovers is] a melancholic anxiety which arises from exaggerated love and from a large number of passions upsetting the soul.

– Philothei Eliani Montalto (1567-1616)

A relação entre as palavras patologia e paixão não é casual. O radical grego pathos liga as duas palavras à idéia do sofrimento físico ou mental.

A conexão entre amor (paixão) e loucura existe desde a antiguidade e tem sido tema de análise da literatura e das ciências médicas também há muito. No início da era moderna, entre meados do século XVI e final do XVII, é particularmente grande a quantidade de obras na literatura médica européia sobre o assunto. Os textos desse período foram além das idéias gerais de então, e tentaram caracterizar nosologicamente o mal de amor em seus diferentes estágios.

Para quem se interessa pelo tema, recomendo o texto do pesquisador Michal Altbauer-Rudnik: Prescribing Love: Italian Jewish Physicians Writing on Lovesickness in the Sixteenth and Seventeenth Centuries

O artigo (disponível na íntegra online) aborda os aspectos históricos da compreensão médica da paixão como doença, com foco nos textos de médicos judeus italianos dos séculos XVI e XVII, que ainda refletiam o pensamento da Idade Média.

Deve interessar também a quem gosta de história da medicina.

:: Posts relacionados: Loucura feminina no século XIXO útero erranteLouco de pedra

Leave a Comment

Nunc est bibendum*

“Beer street” – Wiliam Hogarth, 1751

É preciso estar sempre bêbado. E isso é tudo, é a única questão. Para não sentir o horrível fardo to Tempo que pesa sobre os ombros e que nos curva em direção ao solo, é preciso embriagar-se sem trégua.

Mas bêbado de que? De vinho, de poesia ou de virtude, você escolhe. Mas embriague-se.

– Charles Baudelaire, 1867

A última edição da revista Lapham’s Quaterly é sobre intoxicação e traz, entre outras coisas, esse texto de Baudelaire sobre o assunto. Desnecessário dizer que a história da intoxicação confunde-se com a história da humanidade.

Para quem não sabe, a Lapham’s Quaterly é uma revista quadrimestral “sobre história e idéias”. A cada edição é escolhido um tema de interesse (como intoxicação, dinheiro, religião, guerra e crime – só para citar alguns temas já abordados), e são cuidadosamente pescados na história textos relevantes sobre o assunto. Vale a pena acompanhar.

(Aproveite também pra ver um belo mapa dos tóxicos indígenas ao redor do globo)

* A frase latina, que quer dizer “agora se bebe”, é do poeta Horácio e deve ser proferia ao se brindar.

:: Posts relacionados: Álcool, o inimigo, O mito do Absinto, Sob o efeito da literatura

Leave a Comment

Genialidade e sofrimento

Hell! What is hell to one like me
Who pleasures never knew;
By friends consigned to misery,
By hope deserted too?

Acima o trecho de um poema tristíssimo escrito por ninguém menos que Abraham Lincoln. Especula-se,  através de relatos históricos, correspondências e impressões de contemporâneos, que o 16° presidente dos Estados Unidos era portador do que hoje chamamos depressão maior. Aparentemente a condição tinha forte componente genético pois sua mãe e parentes paternos sofriam de sintomas melancólicos.

Encontrei no Mental Floss uma lista de 11 personalidades históricas com possíveis transtornos mentais. A lista vai do suposto autismo de Michelangelo ao transtorno bipolar de Winston Churchill, passando pela depressão de Abraham Lincoln.

Leia aqui: 11 Historical Geniuses and Their Possible Mental Disorders 

(E não deixe de ver também um post antigo daqui sobre um estudo patográfico do poeta Fernado Pessoa, aqui).

:: Posts relacionados: Anatomia da poesiaTolstói e as lições da morteAura poética

Leave a Comment

A loucura e seus nomes (II)

Bethlem Royal Hospital, o manicômio mais antigo da Europa. William Hogarth, 1763.

 

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

(Procura da Poesia – Carlos Drummond de Andrade)

Dando continuidade à pesquisa iniciada aqui, mais algumas palavras relacionadas ao adoecimento mental:

  • Alienado: literalmente, aquele que se mantém distanciado da realidade, alheado. Do latim alienatus, derivado de alienus, que pode significar muitas coisas: estranho, alheio, isento, livre, impróprio, contrário e inimigo [1]. Alienista é aquele que cuida dos alienados, antigo nome dado aos médicos que tratavam das doenças mentais; talvez o uso mais conhecido na língua portuguesa seja o do título de um conto de Machado de Assis, “O alienista“.
  • Orate: indivíduo sem juízo, tresloucado, louco. Deriva do catalão orat [2] que, por sua vez deriva do latim auratus, de aura: vento, sopro, alma. Não é possível determinar se a relação com a loucura se dá pelo significado “alma” (como phrén)  ou por “vento”. Acreditava-se no período medieval que ‘maus ventos’ ou miasmas, podiam afetar a mente. A palavra “orate” também foi tornada célebre em “O alienista“. No conto, o doutor Simão Bacamarte cria uma “casa de orates”, isto é, um asilo para doentes mentais.
  • Mania: no português coloquial significa excentricidade, esquisitice. Na psiquiatria o termo é utilizado para designar o estado de agitação psicomotora ou euforia característicos da fase não-melancólica do transtorno afetivo bipolar (antiga “psicose maníaco-depressiva”). A palavra manie – em francês - foi introduzida na psiquiatria do século XIX por E. Esquirol, e agregava característica a tipos de folie (loucura), como a lypémanie e a monomanie [3]. Deriva do grego manía: ‘loucura, demência’. Maníaco é o louco, geralmente agitado ou “furioso”. No Brasil, comumente a palavra é usada para designar criminosos cruéis e/ou com transtorno mental.
  • Manicômio: estabelecimento para internação e tratamento de loucos. Do italiano manicòmio, de manì(aco) +  -comio, do grego kómeo, ‘eu curo’ [4]. Atualmente as palavras “manicômio” e “manicomial” têm caráter derrogatório, sendo utilizadas quando se quer ressaltar os aspectos negativos associados a instituições de internação de doentes mentais.
  • Frenesi: antigamente utilizado para designar o delírio violento provocado por afecção cerebral aguda, hoje significa agitação, exaltação, atividade intensa. Vem do latim phrenesis ‘delírio frenético’ e provavelmente nos chegou pelo francês phrenesie, no século XIII [5]. A raiz comum é o grego phrén ‘razão, juízo, bom senso’. No Ceará e em outros estados do Nordeste, utiliza-se a corrutela farnesim para desingar uma sensação psíquica de inquietação, impaciência. [6]

 

REFERÊNCIAS

1. Da Cunha, A.G. (2012). Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon.
2. Alcover, A.M. e Moll, F. de B. (2006) Diccionari català-valencià-balear. 10ª ed. Consultado em http:http://dcvb.iecat.net/
3. Esquirol, E. (1838) Des maladies mentales considérées sous les rapports médical, hygiénique et médico-légal. 1ª ed. Paris: J.B. Baillière.
4. Da Cunha, A.G. (2012). Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon
5. Houaiss A., Villar M. de S., Franco FM de (2009) Houaiss eletrônico. Rio de Janeiro: Objetiva.
6. Cabral, T. (1982) Dicionário de termos e expressões populares. Fortaleza: Edições UFC.

:: Posts relacionados: A loucura e seus nomesEpônimos, Louco de pedra

Leave a Comment

Níobe e a distimia

Fui convidado na semana passada a fazer uma apresentação sobre distimia na jornada estadual de psiquiatria. Os transtornos do humor me interessam muito e considero que a distimia, em especial, tem recebido pouca atenção dos modernos – e pretensamente hegemônicos – manuais de psiquiatria.

Enquanto preparava a conferência, lembrei a história da personagem mitológica Níobe, que pode ser usada como uma bela alegoria para a melancolia incessante da distimia.

Níobe era então rainha de Tebas e considerada um exemplo de fertilidade. Tinha 14 filhos, sete homens e sete mulheres. Por conta de uma atitude demasiadamente orgulhosa diante de sua capacidade de gerar filhos, provoca a ira da deusa Leto, que possuía apenas dois descendentes. A deusa enfurecida ordena que seus dois filhos arqueiros, Artêmis e Apolo, matem a prole de Níobe. O trecho a seguir, extraído do Livro de Ouro da Mitologia de Thomas Bulfinch, conta o que acontece à rainha de Tebas após o assassinato dos filhos: Zeus, compadecido do seu choro, transforma-a em pedra:

Desolada, ela sentou-se entre os filhos, filhas e marido, todos mortos, apática com o sofrimento. A brisa não lhe agitava os cabelos, suas faces estavam inteiramente descoloridas, o olhar fixo e imóvel (…) O pescoço não se curvou, os braços não fizeram gesto algum, os pés não deram um só passo. Ela se transformara em pedra, por fora e por dentro.

A lenda conta que, mesmo depois de virar uma estátua (ou formação rochosa, dependendo da versão), Níobe não cessa de prantear os filhos. O pesar contínuo e a imobilidade eterna dão uma boa dimensão simbólica ao sofrimento na distimia.

:: Posts relacionados: O DuploPrometeu modernoLoucura feminina no século XIX

Leave a Comment

O enigma de Kafka

No ano passado a psiquiatria cearense perdeu um dos seus principais nomes, o professor Gerardo da Frota Pinto.

O dr. Frota Pinto, versado que era em muitos assuntos, escreveu sobre psiquiatria clínica, psicopatologia e psicologia, sem esquecer das outras ciências humanas e da arte.

Há pouco na internet sobre sua obra e sua vida. Um amigo encontrou um  texto publicado em 2003 sobre o imaginário do escritor Franz Kafka. O ensaio, intitulado O enigma de Kafka (uma abordagem psicopatológica), pode ser lido na íntegra aqui.

Kafka, que viveu mais ou menos na mesma época e no mesmo país que Freud, mas que não se conheciam, emprega em suas produções literárias, técnicas de psicodinâmica como a fusão onírica, com o real e de catarse, ou seja, a ab-reação ou descarga de idéias ou emoções em sua forma original que se libertam do inconsciente para o consciente, técnicas essas que Freud havia desenvolvido na terapia psicanalítica.

Há alguns erros sintáticos e na ortografia de nomes e termos médicos que acredito serem resultado da transcrição de material oral, sem revisão posterior. O leitor mais atento deve escusar essas falhas em nome do valor didático do texto.

:: Posts relacionados: Poe e os lobos frontaisDostoiévski, suicídio e paranoiaTolstói e as lições da morte

Leave a Comment

Salada de palavras

“É longo o caso de amor entre a literatura e o mercado. A economia de consumo adora um produto que vende com boa margem de lucro, fica logo obsoleto ou é suscetível de melhoras constantes, e oferece a cada melhora um ganho marginal em utilidade. Para uma economia assim, a novidade que permanece não é apenas um produto inferior; é um produto antitético. Uma obra clássica de literatura é barata, infinitamente reutilizável e, o pior de tudo, não pode ser melhorada”

Jonathan Franzen em Como ficar sozinho

Leave a Comment

A vida, fora da rede

Você já pensou em ficar offline por tempo indeterminado? Você já parou para pensar seriamente em quanto a sua vida depende da internet? Já avaliou quanto tempo desperdiça na rede? E se deu conta de quanto suas relações pessoais dependem dela?

Eu já.

O jornalista Paul Miller está vivendo offline – e escrevendo a respeito. Você pode ler sobre a experiência aqui, e se inspirar (ou não). Há três meses ele não utiliza a internet, e está sendo pago pela revista The Verge para mandar seus arquivos escritos para que sejam publicados online.

Paul diz que está lendo mais e passando mais tempo real com os amigos. Seu sono está, inclusive, melhor.

Coloquei a idéia para alguns amigos. Alguns deles pensaram em me internar. Decidi que vou fazer a experiência e tentar usar a internet só para as coisas realmente necessárias. A quem interessar possa, vou continuar escrevendo – offline a maior parte do tempo – para o blog e programando posts com a mesma regularidade. Vou tentar responder emails apenas em dias específicos da semana.

Se tudo isso fizer algum sentido e valer a pena, quem sabe eu escreva a respeito.

Ps.1: Para acompanhar o post e a idéia recomendo o ótimo livro “Como ficar sozinho” de Jonathan Franzen, uma compilação de textos sobre uma vida mais rica e verdadeira.

Ps.2: Este post foi escrito há alguns dias e está sendo postado automaticamente. No momento de sua publicação estou numa bela praia do litoral cearense, provavelmente lendo um livro.

Leave a Comment

Confabulações de Chico Buarque


Daniel Martins de Barros
lembra bem (trocadilho intencional) da presença do sintoma confabulação no livro “Leite Derramado” de Chico Buarque, no artigo Traiçoeira Memória

Confabulação (ou fabulação) é a inserção de memórias “falsas” em lacunas de memória, frequentemente apresentadas por pessoas com quadros demenciais. Em geral, o doente confabula sem perceber, e o conteúdo das memórias implantadas é feito de retalhos de fatos reais ou verossímeis vividos pela pessoa.

Num exemplo, quando perguntado a um portador da doença de Alzheimer sobre o que fez no último final de semana – do qual se sabe que permaneceu no hospital -, este responde com convicção que foi pescar com o filho depois de jogar sinuca com alguns amigos. Em algum momento de sua história – digamos, há trinta anos – ele de fato foi pescar com o filho. Sobre a sinuca, pode-se descobrir, por exemplo, que nunca a praticou, mas que seu pai era um exímio jogador num passado também distante.

No livro de Chico Buarque quem confabula é Eulálio, o personagem-narrador, que contrói uma narrativa com fatos de sua vida costurados por eventos fantasiosos.

Leia o artigo e entenda um pouco mais com um ótimo exemplo na literatura.

:: Posts relacionados: Um teste para alucinações10 filmes sobre memória e esquecimentoOmnia Vincit Cantus

Leave a Comment

Paranóia na tela

O pessoal da psicanálise vai gostar desse.

Em breve deve estrear um filme sobre a vida  (e delírio) de um dos casos mais famosos trazidos à luz pelo pai da psicanálise. Shock Head Soul (Reino Unido/Holanda, 2011) projeta na tela a história de Daniel Paul Schreber,  juiz alemão acometido por um transtorno mental grave na virada do século XX. O filme é baseado no livro “Memórias de um doente dos nervos”  publicado em 1903, que narra a formação do exuberante delírio do autor.

Em 1911 a obra foi analisada por Freud como paradigma de um caso de paranóia.

Veja aqui o site oficial do filme.

Leia aqui a entrevista com Helen Taylor-Robinson (psicanalista) e Clive Robinson (psiquiatra) que participaram da realização do filme.

:: Posts relacionados: Cinema e psiquiatria, Os perigos do método, Divã de celulóide

Torrente de palavras

A hipergrafia, uma compulsão irresistível por escrever – em verso ou prosa – pode ser encontrada na epilepsia, notadamente naquelas com origem no lobo temporal. Também pacientes em episódio maníaco ou esquizofrenia podem apresentar essa necessidade de escrever abundantemente.

Há quem diga que o escritor russo Fiódor Dostoiévski apresentava o sintoma como parte da sua epilepsia. A mesma suspeita é levantada quando se fala de Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

Em algumas condições não necessariamente patológicas, a hipergrafia também pode render a entrada no panteão da literatura. É o caso do escritor americano Arthur Crew Inman (1895-1963).

Entre 1919 e 1963 Inman escreveu um diário com nada menos que 17 milhões de palavras sobre eventos, pessoas e observações de um período de mais de quatro décadas do século XX. Em breve será lançado um filme com John Hurt sobre a vida do autor. Veja aqui o site oficial: Hypergraphia.

Acima, ilustrando o post, um poema comcreto de Lewis Carroll intitulado “The Mouse’s Tale” (um trocadilho entre tale e tail, respectivamente, conto e cauda)

(Peguei a dica do filme em The Neurocritic)

:: Posts relacionados: Poe e os lobos frontaisDostoiévski em criseTolstói e as lições da morte, Aura poética

Leave a Comment

O Fazendeiro do Ar


Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Tirei uns dias de férias. Volto próxima semana.

Programei algumas postagens automáticas para esses dias; entre elas esse minidocumentário (que parece material do Ler Para Contar).

O Fazendeiro do Ar faz parte de uma série de filmes dirigidos pelo grande escritor Fernando Sabino sobre outros de igual magnitude. Esse é sobre Carlos Drummond de Andrade, que aparece muito descontraído e à vontade por conta da antiga amizade com o diretor.

A grande noite umbrosa* de Poe

Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Assisti ao filme O Corvo (EUA, 2012), livremente baseado na vida e obra de Edgar Allan Poe. A trama, que transforma os dias finais do escritor americano em uma história policial, não é boa, mas serviu para reavivar no meu córtex – ultimamente tão desmemoriado – algumas coisas interessantes sobre o autor de The Raven.

Lembrei de um panfleto distribuído na casa de Edgar Allan Poe, transformada em museu na Filadélfia, que apresenta fatos históricos que desmentem os supostos alcoolismo e adicção a ópio imputados ao escritor. Segundo o texto (leia aqui) a má fama foi arquitetada por um crítico e rival literário de Poe chamado Rufus Griswold.

Veio à memória também um artigo médico que postei no blog há quase dois anos sobre as circunstâncias misteriosas da morte de Edgar Allan Poe. Releia aqui: O mistério final de Poe

Por último, lembrei do belíssimo poema A Dream Within a Dream, que empresta algumas linhas para o fechamento do filme, antes dos créditos finais.

* “A grande noite umbrosa” é a tradução do nosso Machado de Assis para “the Night’s Plutonian shore“, frase magistral de The Raven. Veja aqui a tradução completa do Bruxo do Cosme Velho para um dos maiores poemas da língua inglesa.

:: Posts relacionados: O mistério final de PoeMeta-sonhos, Poe e os lobos frontais

Leave a Comment

Poe e os lobos frontais

O extraordinário caso do americano Phineas Gage, um operário das estradas de ferro que sobreviveu após ter o crânio atravessado por uma barra de ferro em 1848, virou uma história clínica paradigmática da neurologia e psiquiatria. Após recuperar-se do trauma inicial, Gage apresentou uma profunda mudança na personalidade provocada pelas lesões no lobo frontal.

Mais extraordinário do que o caso é o fato de Edgar Allan Poe ter descrito uma síndrome idêntica, oito anos antes. No conto The Business Man (não achei a versão em português) o personagem principal apresenta boa parte das mudanças de personalidade de uma síndrome do lobo frontal, provocadas por um traumatismo craniano na infância.

Leia um ótimo artigo sobre o assunto: The medical prescience of Edgar Allan Poe

That incident defines the man’s life; he develops a slavish adherence to exactness and obsession with methods that are characteristic of a modern diagnosis of frontal lobe syndrome. After losing his job over a matter of two pennies, Poe’s hero becomes an increasingly violent sociopath, going into the “Assault and Battery trade” and is eventually thrown into prison.

*Bônus: Um recente estudo de neuroimagem avalia o caso Phineas gage

:: Posts relacionados: Phineas GageO mistério final de PoeTolstói e as lições da morte

Leave a Comment

Ulysses em quadrinhos

Encontrei uma versão online de Ulysses de James Joyce, em quadrinhos. Robert Berry, autor da proeza, desenhou todos os capítulos do livro, além de criar uma guia de leitura para cada um deles.

Pode interessar tanto a quem já leu o livro quanto a quem tem preguiça de se aventurar por suas numerosas folhas.

(Os lacanianos adoram  obra de Joyce e, no dia 16 de junho, costumam comemorar o Bloomsday, uma homenagem ao livro Ulysses celebrada nas vinte e quatro horas em que se passa a saga do personagem Leopold Bloom.)

Clique para ler: Ulysses Seen.

:: Posts relacionados: BibliofiliaShakespeare e o suicídioSorôco, Guimarães Rosa e a loucura

Leave a Comment