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História secreta da psiquiatria

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O ótimo blog Neurophilosophy traz uma matéria sobre a história de experimentos com drogas psicodélicas. Leia: THE SECRET HISTORY OF PSYCHEDELIC PSYCHIATRY

Tudo começou na década de 50, dez anos após a descoberta e síntese do LSD por Albert Hofmann. O artigo passa também pelo famoso experimento do escritor Aldous Huxley com mescalina que deu origem ao ensaio As portas da percepção. 

Vale a pena ler com calma e se informar. No final há links para outros textos interessantes sobre o tema.

Leia também aqui no blog sobre experimentos com LSD.

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Linha do tempo da esquizofrenia

esquizofrenia_japones

Em tempos de espera pelo DSM-V, nada como revisitar marcos da história da psiquiatria.

A Scientific American publicou no site recentemente uma bela timeline da história da esquizofrenia.  Vale muito a pena uma passeada pelo texto e imagens: Throughout History, Defining Schizophrenia Has Remained a Challenge

(Caso apareça inicialmente uma página de anúncio, clique em prosseguir para ver a matéria)

Na ilustração acima, a mudança feita no início do século XXI pela psiquiatria japonesa. Antes denominada seishun bunretsu byo, ou “doença da mente dividida”, em 2002 a esquizofrenia passou a ser chamada togo shitcho sho, “transtorno da integração”. A mudança de nome visa à diminuição do estigma e da confusão a respeito da natureza dos sintomas.

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Dentro da cabeça

Imagem extraída da Look Magazine, dezembro de 1938. Não há como não gostar dessas ilustrações científicas do século em que nasci, elas colocam meu “Departamento da memória” em estado de festa.

(Clique para ver maior)

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Uma imagem

Antigo modelo anatômico do Museu de Saúde de Colônia, Alemanha.

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Conheça o Brainbank

 

O Brainbank é uma ótima iniciativa de professores da Universidade de Bristol. O site é um banco de aulas e propostas de atividades para quem deseja ensinar sobre tópicos básicos em psicologia e funções cerebrais. Os assuntos – divididos em três grupos: “biologia do cérebro”, “funcionamento do cérebro” e “cérebro social” – foram montados a partir de uma série de aulas ministradas pelo professor Bruce Hood com o tema Meet your brain (“Conheça seu cérebro”).

O conteúdo das apresentações é bem acessível,  já que é voltado ao público leigo (inclusive crianças). Todos os tópicos vêm com instruções para a realização de atividades que interagem com a platéia.

Acima, um trecho que mostra como nossos cérebros são atavicamente preparados para identificar rostos. A demonstração é feita com um bebê. As instruções dessa atividade você lê aqui.

É uma boa fonte de material para quem deseja falar sobre neurociência para o grande público. Infelizmente os vídeos são em inglês, sem legenda. (Alguém se habilita a criar as legendas? :D)

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Cérebro em transe

Dois links interessantes para entender a neurofisiologia dos estados dissociativos de transe:

Neuroimaging during Trance State: A Contribution to the Study of Dissociation
Um artigo resultado de colaboração entre autores brasileiros e norteamericanos. Um grupo de médiuns foi avaliado por meio de SPECT (neuroimagem funcional) durante o estado de transe da psicografia.

How a Medium’s Brain Changes in a Trance
Uma matéria do Yahoo!News sobre o artigo anterior, mais acessível ao público leigo.

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Cérebro encharcado

 

Acima, um vídeo bem interessante sobre os efeitos fisiológicos do álcool no cérebro.

Infelizmente o vídeo está em inglês e ainda sem legenda.

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Beatles e a neurociência

Você já escutou tanto um disco a ponto de ter a sequência de músicas incrustada na memória? Você sabe que isso aconteceu quando, mesmo muitos anos depois, ao por o disco pra tocar, no final de uma música você sabe exatamente qual é a próxima, ou chega a ouvir dentro da cabeça os acordes iniciais da seguinte.

O pesquisador Josef Rauschecker da Universidade de  Georgetown estuda o papel do sistema motor do cérebro relacionado à memória. Aparentemente, o sistema motor é capaz de gravar sequências de notas musicais, palavras e eventos.  Estudos de neuroimagem funcional conduzidos por Rauschecker mostram que, ao contrário do que se pode imaginar, quando voluntários são solicitados a memorizar sequências musicais, as principais áreas cerebrais envolvidas não são aquelas relacionadas à audição, mas certas áreas motoras.

Segundo o pesquisador, o que o motivou a investigar o assunto foi a curiosidade com a fixação das suas próprias memórias relacionadas a músicas dos Beatles. Talvez, se não fosse pelo Rubber Soul, o Revolver e o White Album, esses estudos sobre o funcionamento da memória não estivessem sendo conduzidos.

Leia mais na matéria: The Beatles’ Surprising Contribution To Brain Science

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Pensamento divergente e criatividade

Gostei dessa matéria: Creativity and IQ, Part I: What Is Divergent Thinking? How Is It Helped by Sleep, Humor and Alcohol?

O autor analisa a função ‘criatividade’ sob a ótica de dois processos de pensamento: convergente e divergente. Segundo o texto, soluções criativas de problemas derivam da diversidade e profundidade da redes semânticas (semantic networks) na mente.

Divergent thinking tasks have been widely used because traditionally creativity has been understood in terms of the accessibility of concepts in in our long term memory systems. Concepts are connected in our brains in ‘semantic networks’.

O texto cita também alguns achados recentes interessantes. Uma boa quantidade de sono e bom-humor parecem influenciar positivamente nas funções ligadas à criatividade.

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Neurociência da estética

Qualquer usuário da internet diante de um :-) enxerga um pequeno rosto sorrindo, apesar de estar vendo apenas três sinais de pontuação. Nosso cébrebro é construído para funcionar assim, reconhecendo imagens familiares – como rostos – em linhas ou desenhos não pictóricos. Já falei um pouco sobre isso, aqui.

O que torna o cérebro apto a apreciar esteticamente uma pintura ou uma foto está diretamente conectado a esse tipo de funcionamento inato. Os grandes artistas intuíram, concluíram de maneira empírica ou apenderam com seus mestres as bases do funcionamento perceptivo.

Há razões evolutivas para nossa cabeça funcionar assim: era muito importante para os nossos ancestrais, por exemplo, perceber potenciais predadores no seu meio. Os mais capazes de avaliar visualmente e interpretar o ambiente, tinham mais chance de sobrevivência.

What the brain draws from: Art and neuroscience é uma ótima matéria da CNN Health que analisa essas e outras questões a propósito de como o cérebro opera diante das artes visuais.

And while individual tastes are varied and have cultural influences, the brain also seems to respond especially strongly to certain artistic conventions that mimic what we see in nature.

Para os interessados no assunto, há uma outra matéria bem interessante sobre como o cérebro reconhece o belo, aqui.

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Delicada tristeza

Noh é uma forma de teatro tradicional japonês no qual o protagonista usa uma máscara. Esse adereço tem um papel fundamental: é através dele que o ator expressa as emoções do personagem. As máscaras são habilmente feitas de modo a mostrar expressões faciais ambíguas. Dependendo da inclinação da face e dos gestos e postura do ator, a máscara pode representar emoções distintas.

Abaixo três fotos de uma mesma máscara feitas mudando a posição da câmera:

Alguns estudos recentes têm tentado compreender as funções cognitivas e seus correlatos anatômicos no cérebro responsáveis pela apreciação estética. O novo campo tem até nome: neuroestética.

Veja esse  estudo que avalia a ativação da amígdala diante das máscaras do Noh: Neural correlates of delicate sadness: an fMRI study based on the neuroaesthetics of Noh masks.

O ótimo blog The Neurocritic (onde encontrei essas referências) pondera que as percepções mais sutis de expressões humanas – inclusive aquelas ambíguas – não podem ser localizadas em áreas específicas ou únicas do cérebro, como demonstra uma recente meta-análise sobre o assunto: The brain basis of emotion: a meta-analytic review

Em linhas gerais, a meta-análise confronta duas propostas antagônicas que tentam explicar as emoções humanas à luz da neurociência. A corrente “localizacionista” busca evidências de áreas específicas responsáveis pelo processamento das emoções – como no estudo das máscaras do Noh. Do outro lado, os “construcionistas” sugerem que as discrete emotions (algo como “emoções sutis”) são resultado de interações em rede de múltiplas áreas/funções cerebrais.

Leia mais aqui: The Art of Delicate Sadness

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Confabulações de Chico Buarque


Daniel Martins de Barros
lembra bem (trocadilho intencional) da presença do sintoma confabulação no livro “Leite Derramado” de Chico Buarque, no artigo Traiçoeira Memória

Confabulação (ou fabulação) é a inserção de memórias “falsas” em lacunas de memória, frequentemente apresentadas por pessoas com quadros demenciais. Em geral, o doente confabula sem perceber, e o conteúdo das memórias implantadas é feito de retalhos de fatos reais ou verossímeis vividos pela pessoa.

Num exemplo, quando perguntado a um portador da doença de Alzheimer sobre o que fez no último final de semana – do qual se sabe que permaneceu no hospital -, este responde com convicção que foi pescar com o filho depois de jogar sinuca com alguns amigos. Em algum momento de sua história – digamos, há trinta anos – ele de fato foi pescar com o filho. Sobre a sinuca, pode-se descobrir, por exemplo, que nunca a praticou, mas que seu pai era um exímio jogador num passado também distante.

No livro de Chico Buarque quem confabula é Eulálio, o personagem-narrador, que contrói uma narrativa com fatos de sua vida costurados por eventos fantasiosos.

Leia o artigo e entenda um pouco mais com um ótimo exemplo na literatura.

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A internet pode te deixar louco?

A resposta é não. Ou, pelo menos, não há dados sérios que mostrem isso.

Quando li há algumas semanas na Folha uma matéria sugerindo que a internet e o uso de gadgets poderia gerar doenças psiquiátricas, pensei em escrever aqui um texto de crítica a esse tipo de avaliação superficial. Não precisei, já que achei no Mind Hacks um ótimo artigo sobre o assunto: No, the web is not driving us mad

No texto, Vaughan Bell usa como exemplo uma matéria de capa recentemente publicada pela Newsweek sobre os supostos males psíquicos causados pela internet. Na matéria da revista, pode-se ler que a web chega a ser responsável até por quadros de psicose.

Bell chama atenção para a precariedade da sustentação científica de afirmações desse tipo, geralmente baseadas – quando baseadas – em evidências fracas ou em casos isolados. Não há, por exemplo, dados em décadas de pesquisa  sobre o assunto que indiquem que a internet esteja entre os fatores ambientais de risco para a esquizofrenia. A própria tentativa – tão citada ultimamente nos meios de comunicação – de catalogar um suposto vício de internet é um erro do ponto de vista científico, como o mesmo autor sugere em outro texto.

The article also manages the usual neuroscience misunderstandings. The internet ‘rewires the brain’ – which I should hope it does, as every experience ‘rewires the brain’ and if your brain ever stops re-wiring you’ll be dead. Dopamine is described as a reward, which is like mistaking your bank statement for the money.

Para os interessados no assunto:  leiam o texto com calma, junto com as referências.

* Acima, uma ilustração do artista James Jean.

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O que a mente vê

 

Eu sei que está um pouco cansado falar bem ou indicar as palestras da TED, mas essa apresentação de 2009 do neurologista e escritor Oliver Sacks vale a recomendação.

Sacks fala da síndrome de Charles Bonnet, que é a ocorrência de alucinações visuais em pacientes com algum grau de déficit visual. Alucinose seria o termo psicopatológico mais preciso, já que o doente percebe a alteração sensoperceptiva como algo estranho à vida psíquica ou, como se diz em psiquiatria, faz crítica ao fenômeno. Oliver Sacks chama a atenção para este fato ressaltando que, nas psicoses, o doente interage ou “acredita” nas alucinações auditivas ou visuais produzidas pelo cérebro.

Charles Bonnet descreveu a síndrome em 1760 a partir do relato das alucinações (ou alucinose) que seu avô experimentava. Depois de 250 anos ainda tentamos entender como o cérebro funciona nessa condição particular.

Dê play e assista ao vídeo, que tem legendas em português.

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Intermezzo

Charlotte Gainsbourg fez uma canção chamada IRM, que é a sigla em francês para ressonância magnética (imagerie par résonance magnétique). A música agrega barulhos de ressonância e tem uma letra poeticamente neurocientífica:

Leave my head demagnetised
Tell me where the trauma lies
In the scan of pathogen
Or the shadow of my sin

>> Estou meio fora do ar esses dias por problemas no computador. Volto a seguir, não me abandonem.