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Emaranhado de memórias

 

O belo curta animado em stop-motion Undone captura de maneira abstrata a progressão da doença de Alzheimer.

Hayley Morris, realizadora do filme, diz que se inspirou no seu avô para fazê-lo.

Bonito.

(via Brain Pickings)

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Confabulações de Chico Buarque


Daniel Martins de Barros
lembra bem (trocadilho intencional) da presença do sintoma confabulação no livro “Leite Derramado” de Chico Buarque, no artigo Traiçoeira Memória

Confabulação (ou fabulação) é a inserção de memórias “falsas” em lacunas de memória, frequentemente apresentadas por pessoas com quadros demenciais. Em geral, o doente confabula sem perceber, e o conteúdo das memórias implantadas é feito de retalhos de fatos reais ou verossímeis vividos pela pessoa.

Num exemplo, quando perguntado a um portador da doença de Alzheimer sobre o que fez no último final de semana – do qual se sabe que permaneceu no hospital -, este responde com convicção que foi pescar com o filho depois de jogar sinuca com alguns amigos. Em algum momento de sua história – digamos, há trinta anos – ele de fato foi pescar com o filho. Sobre a sinuca, pode-se descobrir, por exemplo, que nunca a praticou, mas que seu pai era um exímio jogador num passado também distante.

No livro de Chico Buarque quem confabula é Eulálio, o personagem-narrador, que contrói uma narrativa com fatos de sua vida costurados por eventos fantasiosos.

Leia o artigo e entenda um pouco mais com um ótimo exemplo na literatura.

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Lições de um cérebro danificado

Depois de um dano cerebral é bem comum que pacientes com talento artístico apresentem um déficit cognitivo que comprometa suas habilidades criativas. Encontrei um artigo muito interessante que avalia justamente o oposto: imagens criadas por pessoas com dano neurológico que demonstram persistência ou mudança qualitativa da capacidade de criação artística.

Sim, algumas pessoas podem desenvolver habilidades artísticas depois de um dano cerebral, já falei sobre isso no post Gênio instantâneo. O artigo recente, publicado no períodico Brain, analisa casos de demência, Parkinson, acidente vascular, epilepsia enxaqueca e traumatismo craniano.

A ilustração acima mostra a evolução dos desenhos de um artista com demência com degeneração fronto-temporal. O desenho A foi feito anos antes da doença, os demais mostram representações cada vez mais bizarras e ameaçadoras à medida que a doença progride (o desenho D foi feito três anos após o diagnóstico).

A compreensão do que ocorre no cérebro danificado pode ajudar muito a entender o complexo mecanismo neural da criatividade.

Leia o artigo na íntegra aqui: Pictures as a neurological tool: lessons from enhanced and emergent artistry in brain disease

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Um teste para alucinações

Já escrevi sobre pareidolias aqui no blog.

Um estudo recente avaliou a capacidade de perceber pareidolias em pacientes com demência e controles saudáveis. Foram mostradas imagens como as acima, um pouco borradas e com possibilidade de intepretações dúbias por conta de pareidolias, para todos os participantes. Em seguida foi perguntado sobre o que viam.

Não houve diferença de interpretações das imagens entre as pessoas saudáveis e aquelas com Alzheimer, porém, nos pacientes com um tipo específico de demência – chamada demência com corpos de Lewy – houve uma tendência maior a ver coisas que não estavam nas fotos.

Pareidolias were observed in patients with dementia with Lewy bodies who had visual hallucinations as well as those who did not have visual hallucinations, suggesting that pareidolias do not reflect visual hallucinations themselves but may reflect susceptibility to visual hallucinations.

O teste tem sido chamado de Pareidolia Test e parece se mostrar útil na detecção da demência por corpos de Lewy.

Veja o artigo completo aqui: Pareidolias: complex visual illusions in dementia with Lewy bodies

(achei no Neuroskeptic)

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A micróglia por Alzheimer

Acima, um desenho das células da micróglia feito pelo neuropatologista Alois Alzheimer, publicado originalmente em 1911. Tirei a ilustração daqui: Physiology of Microglia

Clique na imagem para ver em tamanho maior.

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Omnia Vincit Cantus*

 

O vídeo acima é comovente. O senhor Henry, residente de um abrigo para idosos, passa a maior parte do tempo em um estado catatônico (provavelmente decorrente de um quadro demencial avançado), até que uma de suas filhas tem a idéia de trazer um iPod com as músicas que seu pai gostava.

A reação é surpreendente.

Quem comenta o vídeo é Oliver Sacks.

* Adaptei a frase de VirgílioOmnia vincit amor“(O amor vence tudo), trocando o “amor” por “música”.

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Vivendo com a doença de Alzheimer

A Time lightbox publicou há alguns dias um emocionante ensaio fotográfico do artista Kenneth O’Halloram. O fotógrafo acompanhou o silente cotidiano de Angel Serrano, um paciente com doença de Alzheimer em estado avançado, em companhia de seus parentes e cuidadores.

Angel Serrano lived in the town of Talavera de la Reina, an hour’s drive from Madrid, with his wife Dioni, youngest son Carlos and daughter Cristina. His family devoted virtually all of their time to caring for Angel in the final few years of his life.

Clique aqui ou na imagem para ver o ensaio.

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Bicicleta, colher, maçã

Bicicleta cucharra manzana* é um documentário sobre o político catalão Pasqual Maragall e sua luta contra a doença de Alzheimer. A crítica considerou o filme um tocante – e às vezes engraçado – testemunho sobre a doença que acomete 26 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Até o momento o filme ainda não foi lançado oficialmente no Brasil mas no site oficial é possível adquirir o DVD.

* O título do documentário é uma referência às três palavras utilizadas no Mini-Exame do Estado Mental para testar as memórias imediata e recente.

doença de alzheimer psiquiatria cinema

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Demência: ano zero

Gostei muito deste post do Neurophilosophy sobre o primeiro caso do dr. Alois Alzheimer. Uma das coisas curiosas é que a paciente Auguste Deter na época do diagnóstico tinha apenas 51 anos.

On November 25th, 1901, a 51-year-old woman named Auguste Deter was admitted to the hospital, and was examined by Alzheimer. Deter at first presented with impaired memory, aphasia, disorientation and psychosocial incompetence (which was, at that time, the legal definition of dementia)

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