Tag Archives: artes plásticas

Inumeráveis estados do ser

O escritor brasileiro Ferreira Gullar relatou recentemente nA Folha suas impressões sobre a obra dos artistas plásticos Emygdio de Barros e Raphael Domingues. Ambos foram pacientes tratados no Serviço de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional, criado pela doutora Nise da Silveira, em 1942.

Quem se interessa pela relação entre arte e transtorno mental, certamente já ouviu falar do trabalho de Nise da Silveira e do Museu de Imagens do Insconsciente.

A relação entre arte e loucura ainda hoje, no entanto, é motivo de discussão, mesmo porque há quem afirme que não existe loucura e, sim, como disse Antonin Artaud, “inumeráveis estados do ser”.

O que se chama loucura seria um desses estados. Nessa linha de pensamento, a doutora Nise da Silveira criou o Museu de Imagens do Inconsciente, cujo acervo deveria preservar as obras desses artistas como material de estudo do universo psíquico. Por isso mesmo, proibiu que as obras criadas naquele ateliê do Serviço de Terapêutica fossem comercializadas.

Leia o texto de Ferreira Gullar  na íntegra: Loucura e arte

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Neurociência da estética

Qualquer usuário da internet diante de um :-) enxerga um pequeno rosto sorrindo, apesar de estar vendo apenas três sinais de pontuação. Nosso cébrebro é construído para funcionar assim, reconhecendo imagens familiares – como rostos – em linhas ou desenhos não pictóricos. Já falei um pouco sobre isso, aqui.

O que torna o cérebro apto a apreciar esteticamente uma pintura ou uma foto está diretamente conectado a esse tipo de funcionamento inato. Os grandes artistas intuíram, concluíram de maneira empírica ou apenderam com seus mestres as bases do funcionamento perceptivo.

Há razões evolutivas para nossa cabeça funcionar assim: era muito importante para os nossos ancestrais, por exemplo, perceber potenciais predadores no seu meio. Os mais capazes de avaliar visualmente e interpretar o ambiente, tinham mais chance de sobrevivência.

What the brain draws from: Art and neuroscience é uma ótima matéria da CNN Health que analisa essas e outras questões a propósito de como o cérebro opera diante das artes visuais.

And while individual tastes are varied and have cultural influences, the brain also seems to respond especially strongly to certain artistic conventions that mimic what we see in nature.

Para os interessados no assunto, há uma outra matéria bem interessante sobre como o cérebro reconhece o belo, aqui.

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Cartas de Van Gogh

Já fiz alguns posts sobre o pintor Van Gogh (aqui e aqui). Sempre dou o exemplo do artista quando quero falar sobre a relação entre transtorno mental e criatividade. Estudos patográficos apontam para a possibilidade de o pintor ter sofrido da doença que hoje chamamos de transtorno bipolar.

Estudos dessa natureza geralmente se baseiam em escritos e relatos de contemporâneos. Encontrei um belo arquivo de cartas de Van Gogh ao colega artista Émile Bernard (1868 – 1941). A correspondência se dava em missivas ricamente ilustradas e escritas em francês.

Clique na imagem para ver o arquivo de cartas. (No menu à esquerda de cada imagem há a opção de traduzir o texto para o inglês)

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Sob efeito da arte

 

O artista Bryan Lewis Saunders conduziu uma experiência artística curiosa: durante agumas semanas usou diariamente uma droga ou medicação diferente e, sob o efeito da substância, desenhou um auto-retrato.

O resultado pode ser visto aqui. Os desenho são muito interessantes, mas é importante ter em mente que em alguns dos ‘experimentos’, o resultado é mais influenciado pela licença artística do que pela substância em si. Fármacos como sertralina (um antidepressivo), cefalexina (um antibiótico) e ziprasidona (um antipsicótico) nas doses tomadas pelo artista não têm nenhum efeito significativo sobre a sensopercepção.

Mesmo assim, vale a pena ver a galeria (clique na imagem)

Quem acompanha o blog deve lembrar que escrevi sobre uma experiência semelhante aqui.

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Antes e depois da esquizofrenia

"Gatos com guarda-chuvas" - Louis Wain antes da esquizofrenia...

 

Muito diferente da percepção leiga da doença mental, a esquizofrenia não é um transtorno caracterizado pela personalidade m[ultipla. Parte desse mito provém da própria etimologia do termo - em grego skízein quer dizer cisão, divisão, e phren, siginifica sopro ou diafragma e, por extensão, espírito (no sentido de "mente").

O que acontece na esquizofrenia é uma cisão entre as funções mentais, seja entre o pensamento e a expressão afetiva deste (marca sublinhada por Eugen Bleuler, que deu fama ao termo), seja entre a percepção da vida psíquica interior em oposição à realidade objetiva. Na doença, normalmente o mundo externo é vivido como hostil ou persecutório e há um apagamento da fronteira entre o mente e o mundo.

A percepção de mundo do artista britânico Louis Wain (1860 – 1939) mudou assustadoramente após o primeiro surto psicótico, no início da década de 20. O desenhista, conhecido pelos seus desenhos de gatos e filhotes com atitudes e feições humanas, foi admitido pela primeira vez em um hospital psiquiátrico em 1924, com o diagnóstico de esquizofrenia e terminou seus dias sem voltar ao convívio social, desenhando apenas por prazer.

.. e depois da esquizofrenia.

A doença provocou uma mudança significativa no estilo de Wain. Apesar de manter o mesmo tema na maioria dos desenhos, sua obra após o adoencimento se caracteriza por padrões intricados e abstratos como fundo de expressões perturbadoras. As feições outrora familiares do seus gatos passaram a comunicar um quê de perplexidade ou de uma jocosidade difícil de ressoar emocionalmente no observador.

Clique na segunda imagem para ver uma galeria do artista. Ou assista a um vídeo mostrando alguns de seus desenhos, antes e depois da esquizofrenia.

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Lições de um cérebro danificado

Depois de um dano cerebral é bem comum que pacientes com talento artístico apresentem um déficit cognitivo que comprometa suas habilidades criativas. Encontrei um artigo muito interessante que avalia justamente o oposto: imagens criadas por pessoas com dano neurológico que demonstram persistência ou mudança qualitativa da capacidade de criação artística.

Sim, algumas pessoas podem desenvolver habilidades artísticas depois de um dano cerebral, já falei sobre isso no post Gênio instantâneo. O artigo recente, publicado no períodico Brain, analisa casos de demência, Parkinson, acidente vascular, epilepsia enxaqueca e traumatismo craniano.

A ilustração acima mostra a evolução dos desenhos de um artista com demência com degeneração fronto-temporal. O desenho A foi feito anos antes da doença, os demais mostram representações cada vez mais bizarras e ameaçadoras à medida que a doença progride (o desenho D foi feito três anos após o diagnóstico).

A compreensão do que ocorre no cérebro danificado pode ajudar muito a entender o complexo mecanismo neural da criatividade.

Leia o artigo na íntegra aqui: Pictures as a neurological tool: lessons from enhanced and emergent artistry in brain disease

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Mente iluminada

 

O vídeo acima foi o vencedor do concurso Art of Neuroscience de 2012. A sequência mostra o mapeamento de estruturas e vias neuronais no cérebro humano. A trilha sonora acompanha bem as imagens.

Saiba mais sobre o vídeo aqui: Mentes que brilham, douradas

(via @cienciahoje)

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A mente como matéria


Um contraponto interessante ao post anterior: uma ótima galeria com imagens do sistema nervoso central.

Visite Brains: The mind as matter, organizado pela Wellcome Collection.

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Flores para o fim de uma era

Em 2003 o hospital psiquiátrico Massachusetts Mental Health Center estava prestes a ser demolido depois de nove décadas de funcionamento.

A artista Anna Schuleit enxergou a possibilidade de deixar uma lembrança bela do hospital para a posteridade, preenchendo a construção com 28.000 flores. Durante quatro dias antes da demolição a instalação foi aberta à visitação do público. As fotos só recentemente vieram parar na internet.

Não costumo gostar de instalações mas essa ficou interessante. Veja as fotos e a história aqui (junto com uma entrevista com a artista).

(achei no Mind Hacks)

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NeuroPop Art

Dois artistas que utilizam o cérebro como base para pinturas e esculturas: Emilio Garcia (acima) e Elizabeth Jameson (abaixo).

Encontrei ambos no ótimo blog The Neuro Bureau.

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A beleza do neurônio

Hippocampus II (detalhe), Greg Dunn

 

Greg Dunn é artista plástico e estudante de neurociência. Seus belos quadros são inspirados na histologia do sistema nervoso central e na arte tradicional japonesa. Veja aqui a galeria de suas pinturas.

(via Neuro Images)

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Arte dentro da cabeça


Kaishi hen, Sinnin Kawaguchi (1736-1811)

 

Neuro Images é um tumblr só com imagens interessantes do sistema nervoso.

Muito útil para enfeitar slides de aulas sobre o tema.

E, sim, na ilustração acima o cérebro parece mesmo com miojo.

neuroanatomia psiquiatria arte
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Nos olhos de quem vê

Gosto muito de passear pelo Street Anatomy. O blog é sobre a ciência da anatomia representada na arte e na cultura.

Foi lá onde encontrei o mini-documentário acima sobre uma artesã especializada em próteses oculares. O post não tem muito a ver com psiquiatria, eu sei, mas o trabalho da ocularista Christie Erickson é simplesmente espetacular.

A seguir voltamos à programação normal deste blog.

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Bibliofilia 4

Book-Aesthete é mais um daqueles blogs sobre a beleza do objeto livro. O autor começa assim:

Since collecting actual books is somewhat cost-prohibitive, I’ve begun to amass all of the books I would love to have if I had the means. Some are new, lots are old, all are unique or beautiful or unusual or in some other way have captured my fancy.

Gostei muito.

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Bibliofilia 3

O site 50 Watts promoveu um concurso de capas de livros inspiradas no estilo editorial da Polônia. A fonte de inspiração é o livro One Thousand Polish Book Covers.

Clique aqui (ou na imagem) para ver as belas capas vencedoras.

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