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Cão de olhos negros

Vi no Mental Elf uma matéria sobre a ineficácia na prevenção de sintomas depressivos das chamadas low-intensity interventions – em português, algo como intervenções leves, ou seja, aquelas que não se baseiam em medicações ou atuação direta do terapeuta. É o caso de atividades físicas de grupo e terapia cognitiva computadorizada.

Pois é, parece que isso não funciona bem para evitar que pacientes com depressão voltem a adoecer, como você pode ler aqui. Mas não foi isso que me chamou a atenção.

O que gostei mesmo foi da menção à canção de Nick Drake chamada Black Eyed Dog (escute no vídeo acima). Aparentemente, a letra é sobre a inevitável instalação da melancolia no espírito das pessoas que sofrem de depressão. Sabidamente, o compositor e músico britânico Nick Drake era portador da doença e suicidou-se poucos meses após gravar a música, depois de tomar uma overdose do antidepressivo imipramina.

A black eyed dog he called at my door
The black eyed dog he called for more
A black eyed dog he knew my name
A black eyed dog.

I’m growing old and I wanna go home
I’m growing old and I don’t wanna know.

A black eyed dog he called at my door
A black eyed dog he called for more.

Já havia falado sobre Nick Drake aqui. E sobre outras músicas cujo tema é a depressão, aqui.

P.S.: Ainda sofro com problemas no computador. Devo voltar a postar com mais frequência a partir da próxima semana. Té.

:: Posts relacionados: Paint it black, Melanolia em doze compassos, Stormy Weather

 

Cartum #33

Mais uma dos Peanuts, do eterno Charles Schultz. (Clique para ver ampliado)

Veja mais cartuns e quadrinhos sobre psiquiatria e psicologia aqui no blog.

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Megaproblema

Imagine que, num dado momento, um vagão de metrô com 30 pessoas parte da Estação da Sé, em São Paulo.

Seis pessoas dentro desse vagão terão o diagnóstico de um transtorno ansioso (ansiedade generalizada, pânico, fobia etc). Três pessoas – não necessariamente as mesmas do grupo anterior – terão um transtorno mental grave. Se pensarmos num trem inteiro de, digamos, dez vagões, a matemática é simples: serão 60 pessoas com algum transtorno de ansiedade e 30 (um vagão inteiro!) de pessoas com um trasntorno mental considerado grave.

A comparação que fiz é um tanto imprecisa do ponto de vista estatístico – já que a amostra num vagão de metrô não é nem de longe a ideal-, mas serve bem para ilustrar o impacto causado pelos dados apresentados pela São Paulo Megacity Mental Health Survey. A pesquisa conduzida pelo Instituto de Psiquiatria da USP é um trabalho epidemiológico monumental que avaliou a prevalência de transtornos mentais na população da Grande São Paulo.

Os dados impressionam. Entre eles, a prevalência de 10% de transtornos mentais graves. Nos EUA, estudos apontam para taxas ao redor 4,5%.

Vale a pena ler o artigo na íntegra e utilizar os dados recém saídos do forno em pesquisas, aulas ou artigos. Para ver um panorama geral e ilustrado dos dados, saiu uma matéria na Folha sobre o estudo.

:: Post relacionados: Ação e reação, São Paulo melancólica, Delírios bizarros e religião

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A beleza trágica do incomum

An Emergency In Slow Motion é a biografia de Diane Arbus, um dos maiores nomes da fotografia do século XX. O livro  tem sido chamado, na verdade, de psicobiografia, já que foi escrito pelo psicólogo Todd Schulz a partir de dados fornecidos, inclusive, pelo terapeuta da artista. A obra tenta lançar luz sobre a personalidade e o funcionamento psíquico da fotógrafa norte-americana, que sofria de depressão e se suicidou aos 48 anos.

Arbus tornou-se conhecida pela impressionante documentação em preto-e-branco de pessoas em seu dia-a-dia, imprimindo sempre um ar de mistério e profundidade em suas imagens. Sua série de retratos de “freaks”(anões, travestis, gigantes) é impressionante.

O livro já entrou na minha lista de leitura deste ano.

Aqui, uma amostra do trabalho de Diane Arbus.

:: Posts relacionados: Vivendo com a doença de Azlheimer, Fotografias do mundo interior, Imagens da depressão, Um médico rural

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A nuvem negra do marketing

 

Sou totalmente contra a propaganda de medicamentos psiquiátricos para o público leigo. Felizmente – e até onde tenho notícia – esse sério problema ainda não chegou ao Brasil.

Acima, um comercial americano (em inglês, sem legenda) que indica o uso de uma medicação (conhecidamente propagada à classe médica como panacéia e substrato de pesquisas controversas como esta e esta) para o tratamento da depressão.

Enfim, não sei o que dá mais medo: a parte do comercial que retrata a depressão como uma nuvenzinha sobre a cabeça, ou se os últimos dois terços de alerta a efeitos colaterais horríveis, sempre ao som de uma música tranquilizadora.

(achei o vídeo em The Neurocritic)

:: Posts relacionados: Dos anúncios direto para a mentePsiquiatria vermelha,  Médicos preferem fumar Camel

Cartum #21

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Melancolia em doze compassos

blues depressão psiquiatria
A edição de julho do British Journal of Psychiatry traz na sessão “Psychiatry in 100 words” uma homenagem a Robert Johnson - seguramente a maior lenda do blues – , nascido há cem anos.

O texto integral intitulado “Melancholy in 100 words” é o que segue:

I got stones in my pathway/And my road seems dark at night/I have pains in my heart/They have taken my appetite’. Robert Johnson, known as the King of the Delta blues singers, distilled into these lines the essence of severe depressive illness – somatic ills, fear and suspicion, emotional and physical pain, nocturnal troubles and struggle against obstacles. The words are one with the powerful, haunting music. ICD-10 and DSM-IV have their place, but poets have often been there before us, and done a better job. We can all learn from Robert Johnson, born just 100 years ago.

Diz a lenda que Johnson teria feito um pacto com o demônio: sua alma em troca de uma habilidade diabólica ao violão. O músico morreu aos 27 anos, deixando 40 faixas que moldariam o estilo musical desenvolvido por Muddy Watters, B.B King e Eric Clapton.

:: Posts relacionados: Jazz e transtorno mental, Gershwin e os movimentos do humor, Stormy weather

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Os sofrimentos do jovem Hamlet

Ótimo (e curto) texto sobre alguns aspectos psicopatológicos do personagem mais célebre de Shakespeare: A Melancolia em Hamlet

Durante a tragédia, Shakespeare marca o caráter do protagonista com uma notável manifestação de tristeza. A peça, que traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida, mostra que o dramaturgo, sem pesquisas e fundamentos científicos, mas com intuição e sensibilidade, percebeu exatamente como se comporta um homem acometido pela depressão.

Quem escreve é Renata Calheiros Viana, do blog A Arte da Medicina.

:: Posts relacionados: Dostoievski em crise, O mistério final de Poe, Diário de um louco

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Paint it black

Number 32, Jackson Pollock (1950)

Quinze grandes músicas pop cujo tema principal é depressão/suicídio (não segui nenhuma ordem em especial):

Paint it black (Rolling Stones)
I’m so tired (Beatles)
Nothing compares to you (Prince)
Fell on black days (Soundgarden)
King of pain (The Police)
Everybody hurts (REM)*
Love will tear us apart (Joy Division)
I know it’s over (The Smiths)
Comfortably numb (Pink Floyd)
In my room (Beach Boys)
Fade to black (Metallica)
Lithium (Nirvana)
Perfect day (Lou Reed)
Trouble (Cat Stevens)
Things behind the sun (Nick Drake)**

* Acho o clipe dessa particularmente bonito
** Na verdade, é difícil acha alguma do Nick Drake que não seja sobre melancolia.

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