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O DSM-V vem aí

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, DSM) foi finalizada, segundo comunicação oficial da American Psychiatric Association feita hoje (que você pode ler aqui). O DSM-V deverá ser publicado oficialmente somente em março de 2013.

Pra quem não sabe, o DSM, junto com a Classificação  Internacional das Doenças ( atualmente na décima edição, a famosa CID-10), formam o principal corpo de informação sobre os diagnósticos em psiquiatria. Os referenciais propostos nos dois sistemas classificatórios são utilizados no mundo todo.

Há uma longa e tortuosa história por trás dos dois manuais classificatórios, no entanto, há algo recorrente em todos os lançamentos de novas versões: a polêmica. Como não poderia deixar de ser, a nova edição do DSM vem gerando críticas, desde o início da sua gestação, por parte de profissionais de saúde ao redor do mundo.

Algumas mudanças das mudanças que devem ocorrer no DSM-V são:

  • Extinção do diagnóstico mutiaxial;
  • Os vários transtornos relacionados ao autismo devem ser agregados em um ‘transtorno do espectro autista’;
  • Um novo diagnóstico infantil, disruptive mood dysregulation disorder (algo como ‘transtorno da oscilação disruptiva do humor’) fará parte do esforço de enquadrar nosologicamente o transtorno bipolar na infância;
  • A inclusão de uma “síndrome psicótica atenuada” no grupo dos transtornos psicóticos (provavelmente para caracterizar sintomas de pessoas do grupo de altíssimo risco para psicose ou estados prodrômicos da esquizofrenia);
  • A criação de critérios para um transtorno relacionado ao uso de jogos pela internet (Internet use gaming disorder).

É esperar para ver. Talvez tudo mude para continuar do mesmo jeito, como se o passado nunca tivesse existido.

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Ondas de diagnóstico

Li no ótimo blog Psiquiatria e Sociedade um texto interessante sobre a prevalência de certos diagnósticos na mídia ao longo dos anos.

Uma análise feita no acervo do jornal Estadão nas últimas quatro décadas mostra as tendências de se falar mais desse ou daquele diagnóstico psiquiátrico em cada período de dez anos. O termo “psicopata”, por exemplo, triplicou suas aparições entre os anos 80 e 90.

O conhecimento científico normalmente caminha dos periódicos técnicos para os veículos de divulgação de ciência, desses para a mídia leiga e finalmente ganham a massa. Mas essa é uma via de mão dupla, como fica claro quando lidamos com o comportamento humano: a psicologia do senso comum é influenciada pela ciência e ao mesmo tempo em que a influencia (antes de serem cientistas, os pesquisadores são pessoas).

É difícil encontrar em português textos como esse, que falam da psiquiatria e da cultura de maneira cuidadosa. Leia mais: As doenças da moda

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