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As viagens de Oliver Sacks

Encontrei na revista Piauí um texto muito bacana de Oliver Sacks sobre suas experiências com drogas psicoativas na década de 60. Além de relatar suas “viagens”, Sacks adiciona uma boa pitada de informação histórica, como é comum na sua escrita.

Num plano menos ambicioso, as drogas são usadas não tanto para iluminar, expandir ou concentrar a mente, mas pela sensação de prazer e euforia que podem proporcionar. Mesmo os primeiros mórmons, proibidos de consumir chá ou café, em sua longa marcha até o estado de Utah encontraram na beira da estrada uma erva simples, o chá mórmon, cuja infusão restabelecia e estimulava os combalidos peregrinos. Era a éfedra, que contém efedrina, similar às anfetaminas em seus aspectos químico e farmacológico.

Fiquei surpreso ao saber que o célebre neurologista e escritor inglês já viajou um bocado embalado por lsd, maconha, artane, hidrato de cloral, anfetaminas e morfina. Em um ponto das suas experiências, Sacks chega a ter o delírio da síndrome de Capgras.

Leia o texto todo aqui: Estados alterados

(Não deixe de ler também sobre outra célebre experiência com drogas que já postei aqui: Robert Crumb sobre o LSD)

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Sob efeito da arte

 

O artista Bryan Lewis Saunders conduziu uma experiência artística curiosa: durante agumas semanas usou diariamente uma droga ou medicação diferente e, sob o efeito da substância, desenhou um auto-retrato.

O resultado pode ser visto aqui. Os desenho são muito interessantes, mas é importante ter em mente que em alguns dos ‘experimentos’, o resultado é mais influenciado pela licença artística do que pela substância em si. Fármacos como sertralina (um antidepressivo), cefalexina (um antibiótico) e ziprasidona (um antipsicótico) nas doses tomadas pelo artista não têm nenhum efeito significativo sobre a sensopercepção.

Mesmo assim, vale a pena ver a galeria (clique na imagem)

Quem acompanha o blog deve lembrar que escrevi sobre uma experiência semelhante aqui.

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Robert Crumb sobre o LSD

Achei muito ilustrativo o relato do quadrinista norte-americano Robert Crumb sobre suas experiências com o LSD.

O texto abaixo foi extraído do livro Minha Vida. Nele, Crumb  conta como foi a primeira vez que usou a droga além de outras histórias interessantes sobre a cultura hippie na década de 1960. Entre elas, o fato de que o LSD era permitido em 1965 (só foi proibido dois anos depois) e que era produzido pela Sandoz.

“O LSD era permitido em 1965, quando tomei pela primeira vez!”

Dana conseguiu nosso primeiro ácido com um psiquiatra. Era um líquido azulado em pequenas ampolas de vidro,fabricado na empresa farmacêutica Sandoz, na Suíça. O melhor. A primeira viagem foi uma experiência totalmente mística – impactante, assustadora e visionária. Queria repetir. Dana ouviu dizer que tinha gente distribuindo LSD, então certa noite fomos a uma grande mansão antiga em Cleveland Heights. Não havia mobília, mas deduzi automaticamente que tinham dinheiro à beça. Pareciam crianças ricas. Era uma cena estranha. Disse a eles que queria uma dose bem potente. O que deram para mim e para Dana era coisa boa, muito pura, mas assim que a droga bateu fiquei com muito medo daquela gente. Se transformarem em demônios para mim… diabos. Achei que estava no inferno! Acreditava nisso! Lembro de, a certa altura, ter saído das profundezas do terror e me forçado a esquecer algo que tinha visto, porque era horrível e insuportável demais. A única maneira de escapar desse delírio era esquecer o que estava vendo, e vomitei no chão!

Aquelas pessoas ficaram completamente enojadas comigo. Não sabia quem eram, podiam ser agentes do governo ou somente rapazes antipáticos de uma república se divertindo com as namoradas.

(more…)

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Psiquiatria & psicodelia


The Secret Story of Psychedelic Psychiatry
é uma matéria sobre a história do uso de drogas psicoativas na psiquiatria. Dados importantes foram publicados em um paper recente (abstract) sobre o assunto na Nature.

A figura acima é um diagrama de Venn que mostra a complexidade dos efeitos psicotrópicos de diversas substâncias. Imagem em tamanho maior (via Neurocritic).

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