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Suicídio: o impacto em quem fica

Vou fazer aqui o resumo de três estudos interessantes sobre as reações emocionais que o suicídio causa nas pessoas. O assunto deve interessar a quem gosta de tanatologia.

Em um estudo que avaliava como os sobreviventes de tentativas de suicídio eram vistas, sessenta voluntários foram apresentados a vinhetas clínica de pessoas fictícias. O resultado mostrou que a atitude geral das pessoas em relação aos sobreviventes era negativa. Nem um texto sobre suicídio lido por metade da amostra foi capaz de diminuir a má impressão. Outra pesquisa mostrou que mulheres, mais que homens, tendem a ver tentativas de suicídio como algo justificável.

O resultado mais interessante, no entanto, é de um estudo recente que avaliou o impacto emocional e o desejo de ajudar a família do suicida. Obituários fictícios de morte por suicídio, overdose e câncer foram apresentadas a voluntários. Como esperado, suicidas foram vistos de forma mais negativa quando comparado às vítimas de câncer.  Contrariamente ao previsto, não houve diferença no desejo de ajudar os familiares dos mortos por auto-extermínio, overdose ou câncer.

ResearchBlogging.org

Sand, E., Gordon, K., & Bresin, K. (2013). The Impact of Specifying Suicide as the Cause of Death in an Obituary Crisis: The Journal of Crisis Intervention and Suicide Prevention, 34 (1), 63-66 DOI: 10.1027/0227-5910/a000154

Reynolds, F., & Cimbolic, P. (1988). Attitudes Toward Suicide Survivors as a Function of Survivors’ Relationship to the Victim OMEGA–Journal of Death and Dying, 19 (2), 125-133 DOI: 10.2190/KR1X-QNG3-2YGM-UDYQ

Vanwinkle, D., Calhoun, L., Cann, A., & Tedeschi, R. (1998). Social Reactions To Attempted Suicide: The Effects Of Gender And Physical Attractiveness OMEGA–Journal of Death and Dying, 37 (2), 89-100 DOI: 10.2190/NVLD-RPA4-M3FD-K47H

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Delicada tristeza

Noh é uma forma de teatro tradicional japonês no qual o protagonista usa uma máscara. Esse adereço tem um papel fundamental: é através dele que o ator expressa as emoções do personagem. As máscaras são habilmente feitas de modo a mostrar expressões faciais ambíguas. Dependendo da inclinação da face e dos gestos e postura do ator, a máscara pode representar emoções distintas.

Abaixo três fotos de uma mesma máscara feitas mudando a posição da câmera:

Alguns estudos recentes têm tentado compreender as funções cognitivas e seus correlatos anatômicos no cérebro responsáveis pela apreciação estética. O novo campo tem até nome: neuroestética.

Veja esse  estudo que avalia a ativação da amígdala diante das máscaras do Noh: Neural correlates of delicate sadness: an fMRI study based on the neuroaesthetics of Noh masks.

O ótimo blog The Neurocritic (onde encontrei essas referências) pondera que as percepções mais sutis de expressões humanas – inclusive aquelas ambíguas – não podem ser localizadas em áreas específicas ou únicas do cérebro, como demonstra uma recente meta-análise sobre o assunto: The brain basis of emotion: a meta-analytic review

Em linhas gerais, a meta-análise confronta duas propostas antagônicas que tentam explicar as emoções humanas à luz da neurociência. A corrente “localizacionista” busca evidências de áreas específicas responsáveis pelo processamento das emoções – como no estudo das máscaras do Noh. Do outro lado, os “construcionistas” sugerem que as discrete emotions (algo como “emoções sutis”) são resultado de interações em rede de múltiplas áreas/funções cerebrais.

Leia mais aqui: The Art of Delicate Sadness

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Galeria das emoções

Em 1872 Darwin publicou A Expressão das Emoções no Homen e nos Animais. A obra continha ilustrações baseadas nas fotos do fisiologista francês Duchenne de Boulogne.

As famosas – e bizarras – fotos de um sujeito da Era Vitoriana tomando choques no rosto (acima) entraram para a história da medicina. Elas mostram um estudo da fisionomia humana a partir da estimulação elétrica de músculos da mímica facial. Darwin utilizou as imagens produzidas por Duchenne para tentar determinar se havia um núcleo de expressões humanas e se variações culturais poderiam modificar esse núcleo. Ele mostrou as imagens para alguns voluntários e perguntou que expressão cada uma representava.

Recentemente um grupo da Universidade de Cambridge retomou o estudo de Darwin de onde ele o havia deixado. A matéria da Wired Darwin’s Creepiest Experiment Brought Back to Life fala do estudo e traz uma galeria com algumas das fotos de Duchenne.

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