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A explosão do autismo

O New York Times publicou hoje uma matéria interessante que discute o recente aumento da prevalência de autismo nos EUA. Segundo um relatório publicado no mês passado pelo órgão CDC (Centers for Disease Control and Prevention) uma em cada 88 crianças norte-americanas estaria em algum ponto do espectro autista. A prevalência atual é quase o dobro da estimada em 2007.

According to the C.D.C., what critics condemn as over-diagnosis is most likely the opposite. Twenty percent of the 8-year-olds the agency’s reviewers identified as having the traits of autism by reviewing their school and medical records had not received an actual diagnosis.

A matéria deve interessar  ao pessoal da psiquiatria infantil. Clique para ler (em inglês): The Autism Wars

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Megaproblema

Imagine que, num dado momento, um vagão de metrô com 30 pessoas parte da Estação da Sé, em São Paulo.

Seis pessoas dentro desse vagão terão o diagnóstico de um transtorno ansioso (ansiedade generalizada, pânico, fobia etc). Três pessoas – não necessariamente as mesmas do grupo anterior – terão um transtorno mental grave. Se pensarmos num trem inteiro de, digamos, dez vagões, a matemática é simples: serão 60 pessoas com algum transtorno de ansiedade e 30 (um vagão inteiro!) de pessoas com um trasntorno mental considerado grave.

A comparação que fiz é um tanto imprecisa do ponto de vista estatístico – já que a amostra num vagão de metrô não é nem de longe a ideal-, mas serve bem para ilustrar o impacto causado pelos dados apresentados pela São Paulo Megacity Mental Health Survey. A pesquisa conduzida pelo Instituto de Psiquiatria da USP é um trabalho epidemiológico monumental que avaliou a prevalência de transtornos mentais na população da Grande São Paulo.

Os dados impressionam. Entre eles, a prevalência de 10% de transtornos mentais graves. Nos EUA, estudos apontam para taxas ao redor 4,5%.

Vale a pena ler o artigo na íntegra e utilizar os dados recém saídos do forno em pesquisas, aulas ou artigos. Para ver um panorama geral e ilustrado dos dados, saiu uma matéria na Folha sobre o estudo.

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Asterix no centro cirúrgico

O artigo científico Traumatic brain injuries in illustrated literature: experience from a series of over 700 head injuries in the Asterix comic books (Lesões traumáticas cerebrais na literatura ilustrada: relato de uma série de 700 traumas encefálicos nos quadrinhos Asterix) existe mesmo e foi publicado ano passado na revista científica européia Acta Neurochirurgica.

O artigo traça um perfil epidemiológico dos casos de traumatismo crânio-encefálico (TCE) nas histórias de Asterix, o mais conhecido herói gaulês. Felizmente, apesar da intensidade do fator traumático (golpes na maioria dos casos) e da gravidade das lesões, não há relatos na amostra de morte ou mesmo déficit neurológico permanente.

Alguns outros dados são engraçados: 63,9% das vítimas eram romanos e quase 90% dos traumatismos foram provocados por gauleses. 70,5% das vítimas usava um elmo que foi perdido na grande maioria dos casos (87,7%)

Aqui, o link para o resumo do artigo.

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