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Estranhos à razão

Em 1938 a revista LIFE publicou o ensaio do fotógrafo Alfred Eisenstaedt sobre o serviço psiquiátrico Pilgrim State Hospital. As imagens documentam o estado em que se encontrava as instituições manicomiais norte-americanas no final da década de 30.  Clique na imagem acima para ver as fotos.

Mentally balanced people shun and fear the insane. The general public refuses to face the terrific problem of what should be done for them. Today, though their condition has been much improved, they are still the most neglected, unfortunate group in the world. 

As fotos nos lançam a um período da história da psiquiatria em que a assistência se confundia com demandas econômicas de um país em crescimento, notadamente aquela de manter à margem da sociedade sadia o indivíduo incapaz de produzir.

(via Desde el manicómio)

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As faces da dependência

O fotógrafo Chris Arnade diz que seu assunto fotográfico favorito é aquele que merece atenção mas que não está procurando por ela. Com isso em mente, fotografou e colheu informações de pessoas com dependência química nas ruas de Hunts Point em Nova Iorque. O resultado é o comovente ensaio Faces of Addiction.

Muitas vezes é difícil definir a linha entre o fotojornalismo austero  e a estetização da miséria. Na minha opinião, Arnade conseguiu caminhar no lado honesto da linha com sutileza, evitando cair na armadilha do sensacionalismo.

Clique na imagem para ver a galeria.

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Planeta particular

Hiba, Campo de refugiados palestino Shatila, Beirut 2010 © Rania Matar

 

Gostei muito do projeto da fotógrafa libanesa Rania Matar. De maneira honesta e delicada ela se pôs a fotografar dentro dos seus quartos meninas adolescente de diferentes países e realidades sociais. O resultado é o belo livro A Girl and Her Room (Umbrage, 2012).

Sem mais palavras, veja algumas fotos no site da artista, aqui.

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Galeria das emoções

Em 1872 Darwin publicou A Expressão das Emoções no Homen e nos Animais. A obra continha ilustrações baseadas nas fotos do fisiologista francês Duchenne de Boulogne.

As famosas – e bizarras – fotos de um sujeito da Era Vitoriana tomando choques no rosto (acima) entraram para a história da medicina. Elas mostram um estudo da fisionomia humana a partir da estimulação elétrica de músculos da mímica facial. Darwin utilizou as imagens produzidas por Duchenne para tentar determinar se havia um núcleo de expressões humanas e se variações culturais poderiam modificar esse núcleo. Ele mostrou as imagens para alguns voluntários e perguntou que expressão cada uma representava.

Recentemente um grupo da Universidade de Cambridge retomou o estudo de Darwin de onde ele o havia deixado. A matéria da Wired Darwin’s Creepiest Experiment Brought Back to Life fala do estudo e traz uma galeria com algumas das fotos de Duchenne.

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Lobotomia: antes e depois

Durante três décadas – a partir de meados dos anos 30 – o médico americano Walter Freeman realizou perto de 3.500 lobotomias.  Freeman desenvolveu a técnica criada pelo português Egas Moniz e criou um aparelho especial para realizar a cirurgia de maneira rápida, quase ambulatorial. Já fiz dois posts sobre o assunto, aqui e aqui.

Aparentemente, Freeman era obcecado por fotografar os pacientes antes e depois da lobotomia, no intuito de mostrar a melhora obtida com o procedimento. Encontrei no Science & The Arts um slideshow com algumas fotografias do período.

At the time, lobotomy was was considered a miracle, and Freeman was hailed as a hero — and in fact, some patients did report improvement. In hindsight, though, the procedure seems inappropriate and scientifically dubious, and we now know that it destroyed many patients’ lives.

Clique para ver: Walter Freeman’s Photographs

(Bônus: audio-documentário com um dos pacientes mais jovens a ser submetido à lobotomia. Howard Dully, hoje com 56 anos, que procurou por dois anos outros pacientes do dr. Freeman para entrevistar)

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O mundo fechado dos asilos

Entre 2007 e 2008  o fotógrafo Cristopher Payne visitou setenta hospitais psiquiátricos abandonados em trinta estados dos EUA. A documentação fotográfica rendeu uma coleção de imagens intitulada Asylum: Inside the Closed World of State Mental Hospitals.

We tend to think of mental hospitals as “snake pits”—places of nightmarish squalor and abuse—and this is how they have been portrayed in books and film. Few Americans, however, realize these institutions were once monuments of civic pride, built with noble intentions by leading architects and physicians, who envisioned the asylums as places of refuge, therapy, and healing.

Pelas fotografias dá para perceber que muitos hospitais funcionavam como cidades autônomas, onde quase tudo do que precisavam era produzido no próprio local como comida, energia e até roupas e sapatos.

Impossível não notar como o ar de abandono dá uma atmosfera sombria às fotos.

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A beleza trágica do incomum

An Emergency In Slow Motion é a biografia de Diane Arbus, um dos maiores nomes da fotografia do século XX. O livro  tem sido chamado, na verdade, de psicobiografia, já que foi escrito pelo psicólogo Todd Schulz a partir de dados fornecidos, inclusive, pelo terapeuta da artista. A obra tenta lançar luz sobre a personalidade e o funcionamento psíquico da fotógrafa norte-americana, que sofria de depressão e se suicidou aos 48 anos.

Arbus tornou-se conhecida pela impressionante documentação em preto-e-branco de pessoas em seu dia-a-dia, imprimindo sempre um ar de mistério e profundidade em suas imagens. Sua série de retratos de “freaks”(anões, travestis, gigantes) é impressionante.

O livro já entrou na minha lista de leitura deste ano.

Aqui, uma amostra do trabalho de Diane Arbus.

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Vidas deixadas para trás

Raramente eu deparo com coisas tão comoventes como a exposição The Lives They Left Behind –  Suitcases from a State Hospital Attic.

A coleção de relatos e fotografias – que já se desdobrou em uma exposição itinerante e um livro – organiza-se a partir do material encontrado em malas abandonadas pelos pacientes do Willard Psychiatric Center, no estado de Nova York. O conteúdo foi encontrado após o fechamento da instituição em 1995.

Alguns dos pacientes chegaram a passar mais de sessenta anos no hospital, abandonados por suas famílias ou distantes de sua pátria natal. As maletas  carregam os vestígios das ricas e complexas existências dos seus portadores antes do internamento no Willard Center. Realmente tocante.

The suitcases and the life stories of the people who owned them raise questions that are difficult to confront.  Why were these people committed to this institution, and why did so many stay for so long?  How were they treated?  What was it like to spend years in a mental institution, shut away from a society that wanted to distance itself from people it considered insane?

Aqui o site oficial da exposição, com fotos e histórias de alguns pacientes.

Mais fotos das malas feitas pelo fotógrafo Jon Crispin podem ser vistas aqui e aqui.

Aqui, o livro na Amazon.com.

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História ilustrada da psiquiatria

O site da CBS News publicou uma coleção de fotos raras da psiquiatria do século XIX e começo do século XX. Veja a galeria aqui.

Psychiatry has come a long way since the days when patients were shunned from society and shackled in loony bins. Psychiatrists of yore experimented with numerous techniques for treating mental disorders – some that paved the way for psychiatry and are even used today.

Na foto acima, uma sessão de musico-terapia na qual uma cantora de ópera se apresenta para pacientes da ala feminina na década de 1920. Acreditava-se então que certas frequências sonoras eram capazes de acalmar as pessoas com transtornos mentais. Por conta disso, era comum alguns hospitais americanos terem suas próprias bandas de música.

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Vivendo com a doença de Alzheimer

A Time lightbox publicou há alguns dias um emocionante ensaio fotográfico do artista Kenneth O’Halloram. O fotógrafo acompanhou o silente cotidiano de Angel Serrano, um paciente com doença de Alzheimer em estado avançado, em companhia de seus parentes e cuidadores.

Angel Serrano lived in the town of Talavera de la Reina, an hour’s drive from Madrid, with his wife Dioni, youngest son Carlos and daughter Cristina. His family devoted virtually all of their time to caring for Angel in the final few years of his life.

Clique aqui ou na imagem para ver o ensaio.

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A bela morte

© The Tanathos Archive

tanatologia

No final do século XIX, quando a fotografia se tornava mais acessível e popular, o hábito de fotografar mortos tornou-se relativamente comum. Esse tipo de fotografia, vista hoje como algo proveniente de um filme de terror*, tinha na época a função de facilitar o luto, de criar uma recordação palpável,fiel e permanente do familiar falecido.

O site The Thanatos Archive disponibiliza um grande arquivo de fotos post mortem. Às vezes involuntariamente assustadoras, às vezes simplesmente belas, as fotos evocam um período da história ocidental em que a morte era tida como algo doméstico e tragicamente familiar.

O tema deve interessar ao pessoal da tanatologia.

Clique aqui para ter acesso a uma amostra da galeria.

* No filme Os Outros um álbum desse tipo de fotos tem um interessante papel na trama.

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Musas da histeria

Leio no Morbid Anatomy sobre o recém-lançado livro Medical Muses: Hysteria in Nineteenth-Century Paris. O livro trata das pacientes Blanche, Augustine e Geneviève, internadas em Salpetrière no final do século XIX. Durante sua estadia no hospital, os graves sintomas histéricos apresentados pelas três mulheres atraíam multidões de visitantes e inspiraram escritores, pintores e escultores.

To what degree their disease was socially determined and to what degree it was physically determined is impossible to say. If they showed up at a hospital today, suffering from the same symptoms, they would probably be diagnosed with schizophrenia or conversion disorder or bipolar disorder.

Além de uma boa resenha a obra, o post no Morbid Anatomy traz uma pequena galeria de fotos da histeria feitas no período.

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