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O útero errante

"Ducha pélvica" para o tratamento da histeria (c. 1860)

 

Para lembrar sempre que a palavra “histeria” deriva de útero (hystera em grego), recomendo um bom artigo no Chirurgeon’s Apprentice, sobre as ligações históricas entre a síndrome consagrada por Freud e o órgão feminino.

O conceito da histeria nasceu na Grécia Antiga e sugeria que as doenças emocionais que normalmente acometiam as mulheres se deviam a um “útero errante” que vagueva pelo corpo em busca do seu lugar anatômico. Os sintomas incluíam insônia, retenção de líquidos, desmaios, nervosismo, falta de ar e espasmos musculares.

Today, hysteria is regarded as a ‘physical expression of a mental conflict’ and can happen to anyone regardless of age or gender. In ancient times, however, it was attributed only to women, and believed to be physiological (not psychological) in nature.

No século XVII William Harvey, conhecido por todo estudante de medicina como o primeiro a descrever o sistema circulatório, acreditava que as mulheres eram “escravas de sua própria biologia”, e atribuía ao útero características de um ser independente: “insaciável, feroz, animalesco”.

O artigo e o blog devem interessar a quem gosta de história da medicina: O, Wandering Womb! Where Art Thou?

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O que é psicanálise?

 

Um vídeo que pode confundir mais que educar, mas eu gostei.

Trata-se de um curta animado feito pelo Instituto de Psicanálise da British Psychoanalytic Society. A animação aborda o que acontece durante as sessões de terapia de uma maneira um tanto abstrata e com muita licença poética.

A trilha é muito boa, com destaque para a ótima música do final: It must be something psychological.

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Paranóia na tela

O pessoal da psicanálise vai gostar desse.

Em breve deve estrear um filme sobre a vida  (e delírio) de um dos casos mais famosos trazidos à luz pelo pai da psicanálise. Shock Head Soul (Reino Unido/Holanda, 2011) projeta na tela a história de Daniel Paul Schreber,  juiz alemão acometido por um transtorno mental grave na virada do século XX. O filme é baseado no livro “Memórias de um doente dos nervos”  publicado em 1903, que narra a formação do exuberante delírio do autor.

Em 1911 a obra foi analisada por Freud como paradigma de um caso de paranóia.

Veja aqui o site oficial do filme.

Leia aqui a entrevista com Helen Taylor-Robinson (psicanalista) e Clive Robinson (psiquiatra) que participaram da realização do filme.

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Salada de palavras

“Em nossos sonhos somos conduzidos a um mundo primitivo. Trata-se de um mundo mais parecido com o do selvagem, da criança, do criminoso, do louco do que com o mundo desperto do respeitável cidadão. Deve-se admitir que a isso se deve, em grande parte, o charme dos sonhos. E é também esse seu valor científico. Através dos nossos sonhos podemos compreender nossa ligação com estágios evolutivos há muito deixados para trás e, pela vivissecção da nossa própria vida onírica, podemos apreender algo a respeito do homem primitivo e da natureza de suas crenças (…)

O interesse [em estudar os sonhos] tem duas facetas. Não só pode nos revelar um mundo arcaico de vasta emoções e pensamentos imperfeitos mas, nos ajudando a obter um claro conhecimento dos processos oníricos comuns, pode proporcionar um avanço na compreensão de muitos dos fenômenos extraordinários do sonho, muitas vezes apresentados a nós por pessoas impressionáveis com algo misterioso ou mesmo sobrenatural.”

Havelock Ellis“The stuff that dreams are made of” (1899) – antes de Freud e sua Interpretação dos sonhos. Texto publicado na Appletons’ Popular Science Monthly.

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A Era do Insight

Eric Kandel, ganhador do Prêmio Nobel de fisiologia/medicina de 2000, publicou recentemente o livro “The Age of Insight: The Quest to Understand the Unconscious in Art, Mind, and Brain, from Vienna 1900 to the Present

O blog Frontal Cortex, traz uma resenha sobre o livro e uma ótima entrevista com o autor, reconhecido mundialmente por suas descobertas no campo da neurociência. Além de cientista brilhante, Kandel é mencionado como um intelectual versado em assundos que vão de arte alemã à história da psicanálise.

I think Freud would love modern neuroscience. Freud developed his tripartite structure of the mind, clinical observation, theory of psychoanalysis, in the hope that, someday, this would be translated into brain sciences, he was aware that what he was developing a cognitive psychology – psychoanalysis – and that this was bound to be modified, and, in part, falsified, by biology.(…)In fact, if you look around, it is amazing how much of our view of the mind follows outlines of Freud’s thinking.

O livro deve interessar tanto a quem gosta de história da psiquiatria e da neurociência quanto ao pessoal da psicanálise.

Clique aqui ou na imagem para ler a resenha/entrevista.

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Os perigos do método

 

O novo filme de David Cronenberg (Spider, Crash, A Mosca) certamente vai entrar para a videoteca dos psicanalistas. A Dangerous Method (2011) deve estrear em novembro e traz Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como Carl Jung. A história gira em torno do romance entre Jung e a paciente Sabina Spielrein (vivida por Keira Knigtley).

Apesar de uma versão dessa história já ter ido para as telas há alguns anos, no filme”Jornada da Alma“ (uma jornada capenga conduzida por fraquíssimas atuações em uma produção bem pé-duro, na minha opinião), o novo do Cronenberg parece ser bem atrativo.

É esperar pra ver.

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Hipnose de salão

De Mesmer a Charcot a hipnose teve um importante papel clínico entre o final do século XVII e meados do século XX. Há mesmo quem a pratique com fins psicoterápicos até hoje. Mas o fato é que, depois de Freud, as limitações curativas dessa prática no campo da psicologia clínica ficaram evidentes.

Paralelamente, a hipnose ganhou os salões, picadeiros e palcos, principalmente na Europa do século XIX. Encontrei uma curiosa coleção de pôsteres de artistas hipnotizadores desse período no ótimo blog ephemera assemblyman.  Para ver a galeria, clique aqui.

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Divã de celulóide

Uma lista de filmes nos quais a psicoterapia / psicanálise ou o terapeuta têm um papel importante. Alguns podem ser úteis em aulas para apresentar o tema:

- Freud Além da Alma (EUA, 1962)
- Eqqus (EUA/Iglaterra, 1977)
- Jornada da Alma (Itália/ França/ Inglaterra, 2002)
- A outra (EUA, 1988)
- Quando fala o coração (EUA, 1945)
- O Quarto do Filho (Itália/França, 2001)
- Gente como a gente (EUA, 1980)

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Dostoiévski em crise

Matéria interessante sobre a epilepsia de Dostoiévski que destaca alguns trechos da obra do escritor russo: Diagnosing Dostoyevsky’s epilepsy

An early attempt at diagnosing Dostoyevsky’s condition was made by Sigmund Freud, who trained as a neurologist, and described epilepsy as “an organic brain disease independent of the psychic constitution”. Freud believed that the condition was incompatible with great intellect, because it was “associated with deterioration and retrogression of the mental performance”; “What is generally believed to be epilepsy in men of genius,” Freud wrote, “are always straight cases of hysteria”.

Via Neurophilosophy

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