Tag Archives: história da psiquiatria

Álcool, o inimigo

 

Encontrei no interessante Virtual Absynthe Museum um pôster do final do século XIX que alerta sobre o perigo mortal do álcool. Interessante é notar que, por trás das campanhas anti-absinto e contra outros tipos de bebidas alcoólicas destilada, havia na época o poderoso lobby da indústria de vinho francesa. Apesar de condenado pelo movimento da temperança, o uso do álcool contido no vinho, sobretudo na França, não era visto como algo nocivo.

No pôster, essa idéia aparece como um experimento: à esquerda, a cobaia faz uso de álcool derivado de uva e sofre apenas um leve estado de embriaguez e sonolência. A pobre cobaia da direita, porém, tem uma sorte pior. Após ser inoculada com o tipo de álcool “ruim” (chamado de “álcool industrial”), agoniza com convulsões e eventualmente morre.

Veja detalhes do pôster em tamanho maior, clicando na imagem.

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Atacando a psicose

A imagem acima não é o pôster de um filme de terror antigo. É o anúncio – um tanto bizarro – da medicação Thorazine (clorpromazina). Provavelmente da década de 1960, a propaganda indica o momento de se usar o remédio: “Quando o paciente parte para o ataque contra ‘eles’ – Thorazine rapidamente põe fim ao seu rompante violento.”  Clique aqui, para ler o texto do anúncio ampliado.

A clorpromazina foi o primeiro antipsicótico a ser sintetizado, no começo da década de 50 na França. O advento da substância marcou o início de uma era na psiquiatria. A partir dela e de drogas semelhantes, a psicofarmacologia passou a ganhar um espaço cada vez maior na prática médica.

(via Critical Psychiatry)

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Estranhos à razão

Em 1938 a revista LIFE publicou o ensaio do fotógrafo Alfred Eisenstaedt sobre o serviço psiquiátrico Pilgrim State Hospital. As imagens documentam o estado em que se encontrava as instituições manicomiais norte-americanas no final da década de 30.  Clique na imagem acima para ver as fotos.

Mentally balanced people shun and fear the insane. The general public refuses to face the terrific problem of what should be done for them. Today, though their condition has been much improved, they are still the most neglected, unfortunate group in the world. 

As fotos nos lançam a um período da história da psiquiatria em que a assistência se confundia com demandas econômicas de um país em crescimento, notadamente aquela de manter à margem da sociedade sadia o indivíduo incapaz de produzir.

(via Desde el manicómio)

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A loucura e seus nomes (II)

Bethlem Royal Hospital, o manicômio mais antigo da Europa. William Hogarth, 1763.

 

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

(Procura da Poesia – Carlos Drummond de Andrade)

Dando continuidade à pesquisa iniciada aqui, mais algumas palavras relacionadas ao adoecimento mental:

  • Alienado: literalmente, aquele que se mantém distanciado da realidade, alheado. Do latim alienatus, derivado de alienus, que pode significar muitas coisas: estranho, alheio, isento, livre, impróprio, contrário e inimigo [1]. Alienista é aquele que cuida dos alienados, antigo nome dado aos médicos que tratavam das doenças mentais; talvez o uso mais conhecido na língua portuguesa seja o do título de um conto de Machado de Assis, “O alienista“.
  • Orate: indivíduo sem juízo, tresloucado, louco. Deriva do catalão orat [2] que, por sua vez deriva do latim auratus, de aura: vento, sopro, alma. Não é possível determinar se a relação com a loucura se dá pelo significado “alma” (como phrén)  ou por “vento”. Acreditava-se no período medieval que ‘maus ventos’ ou miasmas, podiam afetar a mente. A palavra “orate” também foi tornada célebre em “O alienista“. No conto, o doutor Simão Bacamarte cria uma “casa de orates”, isto é, um asilo para doentes mentais.
  • Mania: no português coloquial significa excentricidade, esquisitice. Na psiquiatria o termo é utilizado para designar o estado de agitação psicomotora ou euforia característicos da fase não-melancólica do transtorno afetivo bipolar (antiga “psicose maníaco-depressiva”). A palavra manie – em francês - foi introduzida na psiquiatria do século XIX por E. Esquirol, e agregava característica a tipos de folie (loucura), como a lypémanie e a monomanie [3]. Deriva do grego manía: ‘loucura, demência’. Maníaco é o louco, geralmente agitado ou “furioso”. No Brasil, comumente a palavra é usada para designar criminosos cruéis e/ou com transtorno mental.
  • Manicômio: estabelecimento para internação e tratamento de loucos. Do italiano manicòmio, de manì(aco) +  -comio, do grego kómeo, ‘eu curo’ [4]. Atualmente as palavras “manicômio” e “manicomial” têm caráter derrogatório, sendo utilizadas quando se quer ressaltar os aspectos negativos associados a instituições de internação de doentes mentais.
  • Frenesi: antigamente utilizado para designar o delírio violento provocado por afecção cerebral aguda, hoje significa agitação, exaltação, atividade intensa. Vem do latim phrenesis ‘delírio frenético’ e provavelmente nos chegou pelo francês phrenesie, no século XIII [5]. A raiz comum é o grego phrén ‘razão, juízo, bom senso’. No Ceará e em outros estados do Nordeste, utiliza-se a corrutela farnesim para desingar uma sensação psíquica de inquietação, impaciência. [6]

 

REFERÊNCIAS

1. Da Cunha, A.G. (2012). Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon.
2. Alcover, A.M. e Moll, F. de B. (2006) Diccionari català-valencià-balear. 10ª ed. Consultado em http:http://dcvb.iecat.net/
3. Esquirol, E. (1838) Des maladies mentales considérées sous les rapports médical, hygiénique et médico-légal. 1ª ed. Paris: J.B. Baillière.
4. Da Cunha, A.G. (2012). Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon
5. Houaiss A., Villar M. de S., Franco FM de (2009) Houaiss eletrônico. Rio de Janeiro: Objetiva.
6. Cabral, T. (1982) Dicionário de termos e expressões populares. Fortaleza: Edições UFC.

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A Loucura e seus nomes

O pássaro Dodô, extinto no século XVII.

 

As palavras têm poder, ninguém duvida. Ao longo do tempo, as palavras usadas para descrever o que hoje chamamos leiga ou tecnicamente de loucura, psicose, insanidade, maluquice, desrazão e mil outros nomes, entraram na moda ou desapareceram ao sabor do zeitgeist e dos costumes.

Vou tentar, ao longo de alguns posts, explorar as origens etimológicas de algumas palavras usadas correntemente para designar a Loucura. Segundo Berrios [1], o esforço de reconstruir a história da psiquiatria deve partir do resgate da história dos seus conceitos. E, na intenção de desvendar esses conceitos, devemos buscar a origem mesma das palavras utilizadas para expressá-los.

Então vamos a elas:

  • Louco: a palavra em portugês muito provavelmente deriva do espanhol loco. Os primeiros registros em português são do século XIX. No castelhano, significando “demente”, aparecia já no século XII [2]. Como o próprio mistério inerente ao estado da perda da razão, a origem da palavra é controversa. Locus em latim é “lugar” e, apesar de haver quem defenda a ligação desse  étimo com a palavra “louco”, é pouco provável a associação. Ver também louco de pedra.
  • Demência: do latim, dementia (derivada de demens). Demens é o demente, aquele que não está em seu juízo, insensato.  Se mens é intelecto, alma, espírito, antiteticamente, a-mens ou de-mens é aquele sem o atributo da razão [3]. Existe um verbo em português cada vez menos utilizado: “dementar”, que significa “enlouquecer”. Hoje o termo “demência” é utilizada no campo técnico para descrever o processo de deterioração cognitiva adquirida característica de algumas patologias cerebrais.
  • Mentecapto: do latim mente captus, literalmente, “privado da mente”. O primeiro uso parece ter sido feito por Cícero [4] como “Captus mente“. Na nossa literatura, o maior e mais famoso mentecapto é Geraldo Viramundo, o personagem principal do romance picaresco de Fernando Sabino.
  • Doido: como “louco”, seu sinônimo, de origem etimológica incerta. Aparece a primeira vez na língua portuguesa no século XVI, então como doudo. A palavra em sua forma original lusitana serviu no século XVII para dar nome ao pássaro Dodô (ou Dodo), um dos animais-símbolo da extinção provocadas pelo ser humano. Hoje a palavra também corre risco de extinção pelo caráter pejorativo e politicamente incorreto do seu uso.
E é só por esse post. Planejo ir escrevendo e lançando aqui aos poucos a origem e uso de outras palavras relacionadas aos transtornos psiquiátricos.

 

REFERÊNCIAS
1. Berrios, G.E. (2008) Historia de los síntomas de los transtornos mentales, La psicopatologia descritiva desde el siglo XIX. México: Fondo de Cultura Econômica. p. 37
2. Real Academia Española. (2001). Diccionario de la lengua española (22.aed.). Consultado em http://www.rae.es/rae.html

3. Saraiva, F.R. (2006) Novíssimo dicionário latino-português (edição fac-simile). 12ª ed. Belo Horizonte: Garnier
4. Da Cunha, A.G. (2012). Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon.

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A familia e o álcool

Quem acompanha este blog deve lembrar da ilustração “A evolução do bebarrão – do primeiro copo ao cemitério”, feita para reforçar a idéia de abstinência do “movimento da temperança” (teetotalism).

Na mesma linha, encontrei um libreto francês feito por volta de 1900 que sublinha os problemas relacionados ao uso de álcool. Clique na imagem acima para ver a sequência.

Gosto particularmente da imagem que ilustra “A loucura“(La folie).

(via The Retronaut)

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Adelaide

 

Adelaide” (EUA, 2011 – em inglês, sem legendas ) é um curta-metragem que conta a história de uma garota com transtorno factício. A personagem principal, que dá nome ao filme, cria sintomas e doenças na tentativa de se aproximar das pessoas e receber cuidados.

O transtorno factício recebe também o nome de síndrome de Münchausen. O epônimo deriva do Barão de Münchhausen, um nobre alemão que viveu no século XVIII, famoso por contar histórias mirabolantes e improváveis nas quais figurava como personagem. Em 1951, o médico britânico Richard Asher batizou a síndrome com o nome do barão teutônico em um artigo publicado no The Lancet.

Reserve 12 minutos para assistir ao curta, vale a pena.

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Cada cabeça, uma sentença

Gostei dessa coleção de modelos frenológicos de 1831. As cabeças em miniatura foram esculpidas por William Bally, que foi aluno de Spurzheim, o mais distinto discípulo de Franz Gall.

Os frenologistas acreditavam que o formato e tamanho do cérebro – e, por extensão, suas projeções no crânio – determinavam a personalidade.  Essas cabecinhas devem ter sido usadas para ensinar frenologia ou talvez para servir como referência no estudo.

Leia o que já postei sobre frenologia e correlatos aqui, aqui e aqui.

Clique na imagem para ver mais da coleção, no Science Museum.

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Do trauma à luz

 

O documentário Let there be light (USA, 1946) demorou trinta e cinco anos para sair das gavetas da censura americana. Sua primeira exibição, no Festival de Cannes em 1981, trouxe à luz o filme esquecido do grande cineasta americano John Huston, feito sob encomenda pelo deparatmento de propaganda do exército dos EUA.

O filme mostra o tratamento dado a ex-combatentes da Segunda Guerra incapacitados pelos traumas psíquicos do combate. O motivo da censura foi meramente político: no período, o trauma de guerra – principalmente no âmbito militar – era visto como algo que acometia somente pessoas “fracas”. Como o filme mostra soldados humanizados, bem diferentes dos heróis de guerra imbatíveis imaginados pela população americana, as forças armadas consideraram o documentário um potencial material de anti-propaganda.

Assista acima ao documentário completo (sem legendas) disponível no YouTube.

Clique aqui para ver mais material sobre transtorno de estresse pós-traumático e neuroses de guerra.

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Um transtorno moderno

Quem ensina psiquiatria normalmente gosta de ilustrar suas aulas com dados históricos sobre o assunto em questão. É assim quando vamos falar, por exemplo, de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e citamos a síndrome de Da Costa ou o Shell Shock. O problema é que essas entidades não são equivalentes ao TEPT.

(Do mesmo jeito que  a melancolia do século XVIII não é o atual transtorno depressivo, mas sobre isso eu escrevo em outro post).

Dois estudos recentes apontam para o TEPT como uma doença de nossa era. O primeiro, publicado no Journal of Anxiety Disorders, avalia uma extensa lista de dados médicos de combatentes na guerra civil americana e demonstra que não há relatos de flashbacks ou pensamentos intrusivos – que constituem o que chamamos de ‘revivescências traumáticas’, um ponto-chave no diagnóstico de TEPT – em soldados do período.

Outro estudo, publicado na Stress and Health avalia relatos de experiências traumáticas desde o período do Renascimento. Não há dados históricos que levem a crer que existiu no passado uma entidade com características clínicas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático.

O blog Mind Hacks traz um ótimo texto sobre o assunto: A very modern trauma

Various symptoms would be mentioned at various times, some now associated with the modern diagnosis, some not, but it was simply not possible to find ‘historical accounts of PTSD’.

O assunto deve interessar a quem gosta de história da psiquiatria.

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A voz atrás do divã

Já postei aqui um dos poucos registros filmográficos do pai da psicanálise. Acima, você escuta o único registro conhecido da voz de Sigmund Freud.

A gravação é de 7 de dezembro de 1938 e foi feita por uma equipe da BBC. Apesar da dificuldade de fala por causa de fortes dores devido ao câncer de boca, é possível entender trechos do breve discurso em inglês.

I started my professional activity as a neurologist trying to bring relief to my neurotic patients. Under the influence of an older friend and by my own efforts, I discovered some important new facts about the unconscious in psychic life, the role of instinctual urges, and so on. Out of these findings grew a new science, psychoanalysis, a part of psychology, and a new method of treatment of the neuroses. I had to pay heavily for this bit of good luck. People did not believe in my facts and thought my theories unsavory. Resistance was strong and unrelenting. In the end I succeeded in acquiring pupils and building up an International Psychoanalytic Association. But the struggle is not yet over.

Essa é a voz que Anna O. , Dora e Elizabeth von R. escutaram falando diretamente aos seus inconscientes.

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Amok

Há uma peculiar síndrome psiquiátrica encontrada entre os habitantes do Arquipélago Malaio. O amok é descrito como uma explosão súbita e inesperada de agressividade que acomete indivíduos considerados pacíficos e sem histórico de comportamento violento. Muitos casos de amok terminam tragicamente, seja com a morte dos alvos do ataque de fúria, seja com uma ação fatal para tentar deter o indivíduo agressor.

Segundo as atuais classificaçõeso amok é considerado uma síndrome ligada à cultura, entretanto, tem todas as características de um transe dissociativo. Os sintomas clássicos de amok incluem:

  • Um período inicial de isolamento que dura de horas a dias;
  • Ataques violentos, súbitos e imotivados dirigidos a pessoas que estejam próximas, sejam parentes, amigos ou desconhecidos;
  • Os ataques duram de minutos a dias até que o indivíduo seja contido ou morto;
  • Caso a pessoa acometida sobreviva, após o surto, tipicamente, entra em um estado de estupor ou sono que pode durar dias;
  • Após despertar, geralmente o indivíduo permanece isolado ou em mutismo e é incapaz de recordar o que aconteceu.

Aparentemente, uma das primeiras descrições feitas por um ocidental do amok foi a do capitão James Cook em seus relatos de viagem, na segunda metade do século XVIII.

Apesar de haver outras síndromes semelhantes ao redor do globo (cafard na Polinésia, mal de pelea em Porto Rico e iich’aa entre os Navajo) o amok tornou-se especialmente conhecido, principalmente entre os falantes da língua inglesa, que utilizam a expressão ‘to run amok’ de maneira corrente para designar surtos de fúria inexplicados.

Leia no Providentia um bom artigo sobre o assunto, com breves relatos de caso: When People Run Amok.

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Loucura e suicídio na Era Vitoriana

Encontrei um tese de doutorado sobre alguns aspectos do tratamento psiquiátrico no século XIX. Suicide, lunacy and the asylum in nineteenth-century England da pesquisadora Sarah York discute as caraxterísticas do tratamento dado aos pacientes suicidas em um período interessante da história da psiquiatria.

There is a distinct appreciation of the broader social and political context in which the asylum operated and how this affected suicide prevention and management. This thesis argues that suicidal behaviour, because of the danger associated with it, triggered admission to the asylum and, once admitted, dangerousness and risk continued to dictate the asylum’s handling of suicidal patients.

A tese pode ser lida na íntegra aqui.

(dica de @ChirurgeonsAppr)

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História da frenologia

O blog Providentia traz um ótimo resumo da história da frenologia que menciona os principais nomes dessa ciência do século XVIII.

A frenologia admitia que cada faculdade mental tinha uma localização específica no cérebro. Alguns cientistas no período, notadamente Franz Gall, tentaram determinar como o cérebro funcionava a partir da premissa do mapeamento anatômico das funções. Com os dados empíricos obtidos, o ramo prático da frenologia passou a gerar interesse no meio científico a partir do início do século XIX.

A frenologia prática consistia em tirar medidas do crânio,  principalmente de suas calosidades e saliências, para determinar traços de personalidade do indivíduo. Segundo a teoria vigente, os acidentes da calota craniana refletiam a hipertrofia ou hipotrofia de certas regiões cerebrais. Os achados da frenologia ganharam alguns desdobramentos: Lombroso, por exemplo, utilizou alguns postulados para fundar sua antropologia criminal.

Although the idea that mental abilities were linked to specific locations in the brain dates back to Aristotle, true scientific work into the nature of brain functioning didn’t begin until the late 18th century. While early visionaries such as Emmanuel Swedenborg made some inspired guesses about how the brain worked, it was German neuroanatomist Franz Joseph Gall who can properly be considered the father of phrenology.

Leia aqui a matéria: Reading the bumps

Veja aqui um aparelho do período, o psicógrafo, que seria capaz de medir automaticamente as calosidades do crânio e determinar a personalidade de uma pessoa em poucos minutos.

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Galeria das emoções

Em 1872 Darwin publicou A Expressão das Emoções no Homen e nos Animais. A obra continha ilustrações baseadas nas fotos do fisiologista francês Duchenne de Boulogne.

As famosas – e bizarras – fotos de um sujeito da Era Vitoriana tomando choques no rosto (acima) entraram para a história da medicina. Elas mostram um estudo da fisionomia humana a partir da estimulação elétrica de músculos da mímica facial. Darwin utilizou as imagens produzidas por Duchenne para tentar determinar se havia um núcleo de expressões humanas e se variações culturais poderiam modificar esse núcleo. Ele mostrou as imagens para alguns voluntários e perguntou que expressão cada uma representava.

Recentemente um grupo da Universidade de Cambridge retomou o estudo de Darwin de onde ele o havia deixado. A matéria da Wired Darwin’s Creepiest Experiment Brought Back to Life fala do estudo e traz uma galeria com algumas das fotos de Duchenne.

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