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Atacando a psicose II

A imagem acima é um anúncio publicitário da medicação haloperidol (“Serenace”) no Japão.

Encontrei-a numa coleção de anúncios de psicofármacos daquele país, aqui. Vale a pena ver os outros.

(Gostei muito desta outra do Serenace, que poderia ser um quadro do Magritte)

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Delicada tristeza

Noh é uma forma de teatro tradicional japonês no qual o protagonista usa uma máscara. Esse adereço tem um papel fundamental: é através dele que o ator expressa as emoções do personagem. As máscaras são habilmente feitas de modo a mostrar expressões faciais ambíguas. Dependendo da inclinação da face e dos gestos e postura do ator, a máscara pode representar emoções distintas.

Abaixo três fotos de uma mesma máscara feitas mudando a posição da câmera:

Alguns estudos recentes têm tentado compreender as funções cognitivas e seus correlatos anatômicos no cérebro responsáveis pela apreciação estética. O novo campo tem até nome: neuroestética.

Veja esse  estudo que avalia a ativação da amígdala diante das máscaras do Noh: Neural correlates of delicate sadness: an fMRI study based on the neuroaesthetics of Noh masks.

O ótimo blog The Neurocritic (onde encontrei essas referências) pondera que as percepções mais sutis de expressões humanas – inclusive aquelas ambíguas – não podem ser localizadas em áreas específicas ou únicas do cérebro, como demonstra uma recente meta-análise sobre o assunto: The brain basis of emotion: a meta-analytic review

Em linhas gerais, a meta-análise confronta duas propostas antagônicas que tentam explicar as emoções humanas à luz da neurociência. A corrente “localizacionista” busca evidências de áreas específicas responsáveis pelo processamento das emoções – como no estudo das máscaras do Noh. Do outro lado, os “construcionistas” sugerem que as discrete emotions (algo como “emoções sutis”) são resultado de interações em rede de múltiplas áreas/funções cerebrais.

Leia mais aqui: The Art of Delicate Sadness

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Sindrome de Paris

Há alguns anos aparecem relatos na mídia de uma estranha patologia psiquiátrica que acomete os turistas japoneses na capital francesa. Os sintomas agudos da chamada síndrome de Paris incluem delírios, alucinações, sensação de estar sofrendo preconceito ou de ser alvo de hostilidade, ansiedade, desrealização e despersonalização.

Aparentemente, a síndrome acomete por volta de doze turistas japoneses de um milhão que visitam Paris anualmente. Do ponto de vista estatístico, esse número não seria maior do que a incidência de, digamos, esquizofrenia na população geral. A existência e validade diagnóstica da síndrome, portanto, permanecem uma incógnita até o momento, apesar do alarde dos meios de comunicação.

Encontrei no Neurbonkers uma boa matéria sobre o assunto que levanta como hipótese etiológica o choque cultural, além de discutir outros aspectos: Paris Syndrome: Peculiar Madness or Urban Legend? 

Acima um documentário (em inglês) sobre o suposto fenômeno. (Repare que o filme começa citando o caso de Albert Dadas – o turista patológico -, de quem já falei aqui).

Já falei também aqui de uma outra síndrome que acomete particularmente os ocidentais, a Jiko-shisen-kyofu.

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Neurociência miguxa

Aparentemente a neurociência pode ser fofa.

O produto do vídeo está prestes a ser comercializado mundialmente. Tinha que vir do Japão a novidade: uma espécie de tiara com orelhas de animal fofinho que reagem a impulsos elétricos vindos do córtex cerebral. A promessa é que as orelhas levantam quando o usuário se concentra e que baixam quando se entra num estado de relaxamento.

O nome do brinquedo é necomimi, produzido pela Neurowear.

É ver pra crer.

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