Tag Archives: neurose de guerra

Do trauma à luz

 

O documentário Let there be light (USA, 1946) demorou trinta e cinco anos para sair das gavetas da censura americana. Sua primeira exibição, no Festival de Cannes em 1981, trouxe à luz o filme esquecido do grande cineasta americano John Huston, feito sob encomenda pelo deparatmento de propaganda do exército dos EUA.

O filme mostra o tratamento dado a ex-combatentes da Segunda Guerra incapacitados pelos traumas psíquicos do combate. O motivo da censura foi meramente político: no período, o trauma de guerra – principalmente no âmbito militar – era visto como algo que acometia somente pessoas “fracas”. Como o filme mostra soldados humanizados, bem diferentes dos heróis de guerra imbatíveis imaginados pela população americana, as forças armadas consideraram o documentário um potencial material de anti-propaganda.

Assista acima ao documentário completo (sem legendas) disponível no YouTube.

Clique aqui para ver mais material sobre transtorno de estresse pós-traumático e neuroses de guerra.

:: Posts relacionados: Um transtorno modernoNeuroses de guerraShell Shock

Um transtorno moderno

Quem ensina psiquiatria normalmente gosta de ilustrar suas aulas com dados históricos sobre o assunto em questão. É assim quando vamos falar, por exemplo, de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e citamos a síndrome de Da Costa ou o Shell Shock. O problema é que essas entidades não são equivalentes ao TEPT.

(Do mesmo jeito que  a melancolia do século XVIII não é o atual transtorno depressivo, mas sobre isso eu escrevo em outro post).

Dois estudos recentes apontam para o TEPT como uma doença de nossa era. O primeiro, publicado no Journal of Anxiety Disorders, avalia uma extensa lista de dados médicos de combatentes na guerra civil americana e demonstra que não há relatos de flashbacks ou pensamentos intrusivos – que constituem o que chamamos de ‘revivescências traumáticas’, um ponto-chave no diagnóstico de TEPT – em soldados do período.

Outro estudo, publicado na Stress and Health avalia relatos de experiências traumáticas desde o período do Renascimento. Não há dados históricos que levem a crer que existiu no passado uma entidade com características clínicas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático.

O blog Mind Hacks traz um ótimo texto sobre o assunto: A very modern trauma

Various symptoms would be mentioned at various times, some now associated with the modern diagnosis, some not, but it was simply not possible to find ‘historical accounts of PTSD’.

O assunto deve interessar a quem gosta de história da psiquiatria.

:: Posts relacionados: Shell ShockNeuroses de guerraNeuroses de guerra II

Leave a Comment

O prontuário de Hitler

Em 1918, no hospital militar de Pasewalk, o psiquiatra professor Edmund Forster trata, por meio da hipnose, o cabo Adolf Hitler de uma “neurose de guerra” (cegueira histérica). Em 1933, Hitler assume o poder sobre a Alemanha nazista. Pouco tempo depois, Forster entra em contato com um grupo de escritores que viviam em exílio em Paris e passa sigilosamente a eles os seus conhecimentos sobre o caso.

A Revista de Psiquiatria Clínica publicou em 2006 um artigo interessante sobre o prontuário médico do Fürer. O boletim médico original desapareceu e a trágica história que o envolve termina com três assassinatos e dois suicídios.

Pelas atuais classificações o jovem Adolf Hitler – com 29 anos à época do internamento  -  receberia hoje o diagnóstico de anestesia e perda sensorial dissociativa.

Leia aqui o artigo completo- A cegueira histérica de Adolf Hitler: histórico de um boletim médico

:: Posts relacionados: Na cabeça de HitlerNeuroses de guerraNeuroses de guerra II

Leave a Comment

Shell Shock

Vídeo comovente que mostra sintomas motores da síndrome de estresse pós-traumático provocada pelo impacto das bombas – por isso nomeada “shell shock” – em soldados da Primeira Guerra.

Na batalha de Verdun, durante a Primeira Guerra, até 6.000 bombas por dia eram detonadas sobre as trincheiras subterrâneas do exército francês.

Post relacionado: Esquizofrenia em preto e branco