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007 e a paranóia de cada época

Saiu o trailer do novo filme de James Bond. Skyfall (EUA, GRB 2012) traz Javier Barden (no papel de “Silva” – seria brasileño?) contra o agente 007 da última década, intepretado por Daniel Craig. Quem viu os filmes do agente britânico com permissão para matar desde a década de 60 sempre espera um vilão que incorpore os temores da época de lançamento do filme.

É assim desde O Satânico dr. No de 1967, o primeiro da franquia milionária. O doutor que dá nome ao título tinha planos de sabotar o lançamento de mísseis nucleares dos EUA. A temática da era atômica seguiu adiante até a década de 70, tomando ares desbragadamente anticomunistas durante o auge da Guerra Fria (vide O Espião que Me Amava, de 1977). O trailer do filme atual, se não estou muito enganado, dá a entender que a ameaça ao equilíbrio global está nas mãos de uma espécie de Julien Assange que sabe atirar.

O Guardian traz uma boa coluna sobre como o vilão dos filme de James Bond incorpora e traduz os medos de cada período da história recente: How James Bond villains reflect the fears and paranoia of their era.

O medo dos americanos e britânicos, bem entendido.

Penso que um bom bandido para nossa época poderia ser o dono de uma megacorporação da indústria farmacêutica disposto a administrar psicotópicos a toda a população do planeta, com o objetivo de dominar o mundo por meio da perversa psicofarmacologia. Entre outras coisas, o super-vilão estaria envolvido na criação de critérios que enquadrariam todo ser humano em um transtorno mental; um tipo de Simão Bacamarte do mundo globalizado. Que tal?

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Paranóia na tela

O pessoal da psicanálise vai gostar desse.

Em breve deve estrear um filme sobre a vida  (e delírio) de um dos casos mais famosos trazidos à luz pelo pai da psicanálise. Shock Head Soul (Reino Unido/Holanda, 2011) projeta na tela a história de Daniel Paul Schreber,  juiz alemão acometido por um transtorno mental grave na virada do século XX. O filme é baseado no livro “Memórias de um doente dos nervos”  publicado em 1903, que narra a formação do exuberante delírio do autor.

Em 1911 a obra foi analisada por Freud como paradigma de um caso de paranóia.

Veja aqui o site oficial do filme.

Leia aqui a entrevista com Helen Taylor-Robinson (psicanalista) e Clive Robinson (psiquiatra) que participaram da realização do filme.

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Na cabeça de Hitler

Quem curte ler sobre a Segunda Guerra vai gostar desse texto publicado no Research News da Universidade de Cambridge sobre um perfil psicológico de Hitler feito em 1942.

O documento, até então mantido sob sigilo, foi elaborado pelo cientista social Mark Abrams a pedido da Inteligência Britânica. No relatório, feito a partir da análise de discursos do ditador alemão, Abrams especula sobre a gestação de idéias paranóides e messiânicas na mente de Hitler frente à possibilidade da derrota alemã, que apontava no horizonte três anos após o início dos combates.

“Hitler is caught up in a web of religious delusions,” MacCurdy concluded. “The Jews are the incarnation of Evil, while he is the incarnation of the Spirit of Good. He is a god by whose sacrifice victory over Evil may be achieved. He does not say this in so many words, but such a system of ideas would rationalise what he does say that is otherwise obscure.”

Leia aqui a matéria: Inside Hitler’s mind

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Dostoiévski, suicídio e paranoia

Encontrei uma excelente dica de leitura no ótimo blog Ler para Contar, de Ju Diniz.

O texto A Docilidade em Dostoiévski dá uma palhinha da novela Uma Criatura Dócil de um dos gigantes da literatura russa.

Na história, uma jovem de 16 anos, órfã e pobre, é levada a se casar com um usurário mais velho, cuja personalidade é marcada pelo ciúme e paranoia. O romance relata a breve história do casamento, a partir da perspectiva atormentada do marido, em desespero pelo suicídio da mulher.

Vai lá.

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Bobby Fischer contra o mundo

Vi recentemente o ótimo documentário Bobby Fischer Against the World (EUA, Inglaterra, Islândia. 2011).

Bobby Fischer foi considerado o Muhammad Ali do xadrez em seus dias de glória. O documentário produzido pela HBO (veja o trailer) conta a trajetória do menino pobre, nascido em Chicago e filho de mãe judia que ganhou notoriedade ainda na adolescência por sua genialidade ao tabuleiro.

Como muitos gênios, Fischer tinha uma personalidade problemática. Pelo filme é de se supor que tivesse traços do que hoje chamamos de personalidade esquizóide e paranóide, e sua obsessão monotemática pelo xadrez lembra em alguns momentos a síndrome de Asperger.

Em meados da década de 70, no auge de sua carreira, a estrutura psicótica latente do jogador dá xeque-mate em sua sanidade. O maior enxadrista do século XX passa a desenvolver sinais claros de um transtorno psicótico grave.  Provavelmente esquizofrenia paranóide. Seus delírios  giravam muitas vezes ao redor de uma suposta vigilância ou perseguição infligidas a ele por judeus, pela CIA ou pelos governos dos Estados Unidos e da União Soviética.

Depois do primeiro surto, passa anos no ostracismo, reaparece décadas depois, nos anos 90, e muda algumas vezes de país devido a problemas políticos com sua pátria natal. Termina seus dias na Islândia em 2008, aos 64 anos com poucos amigos e muitas opiniões raivosas e renitentes contra os Estados Unidos e os Judeus.

Aqui, o site oficial do documentário. Muito recomendado.

(dica de @GiorgioXeno)

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I wanna be sedated

Músicas sobre a loucura, a paranóia ou o processo de perder a razão. Algumas com senso de humor, outras nem tanto:

I wanna be sedated/ Psychotherapy (Ramones)
Shine on you crazy diamond /Brain damage (Pink Floyd)
Where is my mind? (The Pixies)
Subterranean homesick blues (Bob Dylan)
Basket case (Green Day)
Psycho killer (Talking Heads)
Under pressure (Queen & David Bowie)
Acute Schizophrenia Paranoia Blues (The Kinks)
Walking the cow (Daniel Jhonston)
Crazy (Gnarls Barkley)
Somebody’s watching me (Rockwell ft. Michael Jackson)
Son of Sam (Elliott Smith)
Paranoid (Black Sabbath)
Once (Pearl Jam)
Undone – the sweater song (Weezer)

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