Tag Archives: psicanálise

Cartum #46

– Se sua vida fosse um reality show, você assistiria?

 

(via Desde el Manicómio)

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O enigma de Kafka

No ano passado a psiquiatria cearense perdeu um dos seus principais nomes, o professor Gerardo da Frota Pinto.

O dr. Frota Pinto, versado que era em muitos assuntos, escreveu sobre psiquiatria clínica, psicopatologia e psicologia, sem esquecer das outras ciências humanas e da arte.

Há pouco na internet sobre sua obra e sua vida. Um amigo encontrou um  texto publicado em 2003 sobre o imaginário do escritor Franz Kafka. O ensaio, intitulado O enigma de Kafka (uma abordagem psicopatológica), pode ser lido na íntegra aqui.

Kafka, que viveu mais ou menos na mesma época e no mesmo país que Freud, mas que não se conheciam, emprega em suas produções literárias, técnicas de psicodinâmica como a fusão onírica, com o real e de catarse, ou seja, a ab-reação ou descarga de idéias ou emoções em sua forma original que se libertam do inconsciente para o consciente, técnicas essas que Freud havia desenvolvido na terapia psicanalítica.

Há alguns erros sintáticos e na ortografia de nomes e termos médicos que acredito serem resultado da transcrição de material oral, sem revisão posterior. O leitor mais atento deve escusar essas falhas em nome do valor didático do texto.

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O que é psicanálise?

 

Um vídeo que pode confundir mais que educar, mas eu gostei.

Trata-se de um curta animado feito pelo Instituto de Psicanálise da British Psychoanalytic Society. A animação aborda o que acontece durante as sessões de terapia de uma maneira um tanto abstrata e com muita licença poética.

A trilha é muito boa, com destaque para a ótima música do final: It must be something psychological.

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A voz atrás do divã

Já postei aqui um dos poucos registros filmográficos do pai da psicanálise. Acima, você escuta o único registro conhecido da voz de Sigmund Freud.

A gravação é de 7 de dezembro de 1938 e foi feita por uma equipe da BBC. Apesar da dificuldade de fala por causa de fortes dores devido ao câncer de boca, é possível entender trechos do breve discurso em inglês.

I started my professional activity as a neurologist trying to bring relief to my neurotic patients. Under the influence of an older friend and by my own efforts, I discovered some important new facts about the unconscious in psychic life, the role of instinctual urges, and so on. Out of these findings grew a new science, psychoanalysis, a part of psychology, and a new method of treatment of the neuroses. I had to pay heavily for this bit of good luck. People did not believe in my facts and thought my theories unsavory. Resistance was strong and unrelenting. In the end I succeeded in acquiring pupils and building up an International Psychoanalytic Association. But the struggle is not yet over.

Essa é a voz que Anna O. , Dora e Elizabeth von R. escutaram falando diretamente aos seus inconscientes.

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Paranóia na tela

O pessoal da psicanálise vai gostar desse.

Em breve deve estrear um filme sobre a vida  (e delírio) de um dos casos mais famosos trazidos à luz pelo pai da psicanálise. Shock Head Soul (Reino Unido/Holanda, 2011) projeta na tela a história de Daniel Paul Schreber,  juiz alemão acometido por um transtorno mental grave na virada do século XX. O filme é baseado no livro “Memórias de um doente dos nervos”  publicado em 1903, que narra a formação do exuberante delírio do autor.

Em 1911 a obra foi analisada por Freud como paradigma de um caso de paranóia.

Veja aqui o site oficial do filme.

Leia aqui a entrevista com Helen Taylor-Robinson (psicanalista) e Clive Robinson (psiquiatra) que participaram da realização do filme.

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Diamante louco

Syd Barrett fundou a banda Pink Floyd, mas teve de abandoná-la antes do que desejava, no auge do reconhecimento e do sucesso comercial.  O Pink Floyd, porém, nunca abandonou Syd Barret.

Depois da saída do músico, acometido por um quadro psicótico que viria a se tornar crônico, músicas da banda – e um disco inteiro, na verdade – passaram a fazer referência ao elemento perdido. A canção mais conhecida talvez seja Wish you were here, onde fica claro o vácuo deixado pelo principal letrista. Em Shine on you crazy diamond o elemento ‘loucura’ parece pairar como um fantasma sobre a cabeça dos integrantes remanescentes:

You reached for the secret too soon,
You cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.

A revista Mente e Cérebro traz uma matéria interessante sobre a “loucura produtiva” de Syd Barret, chegando a comparar o impacto da obra do músico inglês à ruptura que James Joyce provocou na literatura.

Leia: Eu queria que você estivesse aqui.

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Cinema e psiquiatria

Ai vai uma lista das 10 listas de filmes que tem a ver com psiquiatria que já postei aqui no blog.

Veja todos os posts sobre cinema do blog clicando aqui.

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Cartum #38

(por Daniel Lafayette)

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Cartum #37

"- Você alguma vez pensou em expressar essa raiva fisicamente?"

 

(Via The New Yorker)

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Ulysses em quadrinhos

Encontrei uma versão online de Ulysses de James Joyce, em quadrinhos. Robert Berry, autor da proeza, desenhou todos os capítulos do livro, além de criar uma guia de leitura para cada um deles.

Pode interessar tanto a quem já leu o livro quanto a quem tem preguiça de se aventurar por suas numerosas folhas.

(Os lacanianos adoram  obra de Joyce e, no dia 16 de junho, costumam comemorar o Bloomsday, uma homenagem ao livro Ulysses celebrada nas vinte e quatro horas em que se passa a saga do personagem Leopold Bloom.)

Clique para ler: Ulysses Seen.

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Salada de palavras

“Em nossos sonhos somos conduzidos a um mundo primitivo. Trata-se de um mundo mais parecido com o do selvagem, da criança, do criminoso, do louco do que com o mundo desperto do respeitável cidadão. Deve-se admitir que a isso se deve, em grande parte, o charme dos sonhos. E é também esse seu valor científico. Através dos nossos sonhos podemos compreender nossa ligação com estágios evolutivos há muito deixados para trás e, pela vivissecção da nossa própria vida onírica, podemos apreender algo a respeito do homem primitivo e da natureza de suas crenças (…)

O interesse [em estudar os sonhos] tem duas facetas. Não só pode nos revelar um mundo arcaico de vasta emoções e pensamentos imperfeitos mas, nos ajudando a obter um claro conhecimento dos processos oníricos comuns, pode proporcionar um avanço na compreensão de muitos dos fenômenos extraordinários do sonho, muitas vezes apresentados a nós por pessoas impressionáveis com algo misterioso ou mesmo sobrenatural.”

Havelock Ellis“The stuff that dreams are made of” (1899) – antes de Freud e sua Interpretação dos sonhos. Texto publicado na Appletons’ Popular Science Monthly.

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Cartum #36

"- Então eu me dei conta: eu estou salivando por causa de um maldito sino!"

 

(Via The New Yorker)

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A Era do Insight

Eric Kandel, ganhador do Prêmio Nobel de fisiologia/medicina de 2000, publicou recentemente o livro “The Age of Insight: The Quest to Understand the Unconscious in Art, Mind, and Brain, from Vienna 1900 to the Present

O blog Frontal Cortex, traz uma resenha sobre o livro e uma ótima entrevista com o autor, reconhecido mundialmente por suas descobertas no campo da neurociência. Além de cientista brilhante, Kandel é mencionado como um intelectual versado em assundos que vão de arte alemã à história da psicanálise.

I think Freud would love modern neuroscience. Freud developed his tripartite structure of the mind, clinical observation, theory of psychoanalysis, in the hope that, someday, this would be translated into brain sciences, he was aware that what he was developing a cognitive psychology – psychoanalysis – and that this was bound to be modified, and, in part, falsified, by biology.(…)In fact, if you look around, it is amazing how much of our view of the mind follows outlines of Freud’s thinking.

O livro deve interessar tanto a quem gosta de história da psiquiatria e da neurociência quanto ao pessoal da psicanálise.

Clique aqui ou na imagem para ler a resenha/entrevista.

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Cartum #34

Gosto muito dessa série de tirinhas do Adão Iturrusgarai intitulada “Anos de análise“.  (Clique pra ver em tamanho maior)

 

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Os perigos do método

 

O novo filme de David Cronenberg (Spider, Crash, A Mosca) certamente vai entrar para a videoteca dos psicanalistas. A Dangerous Method (2011) deve estrear em novembro e traz Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como Carl Jung. A história gira em torno do romance entre Jung e a paciente Sabina Spielrein (vivida por Keira Knigtley).

Apesar de uma versão dessa história já ter ido para as telas há alguns anos, no filme”Jornada da Alma“ (uma jornada capenga conduzida por fraquíssimas atuações em uma produção bem pé-duro, na minha opinião), o novo do Cronenberg parece ser bem atrativo.

É esperar pra ver.

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