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Norman Bates & Cia

Faz tempo que não coloco listas de filmes aqui.

Hoje resolvi listar algumas fitas (era assim que a gente chamava antigamente) do que considero ser um gênero do cinema: os “filmes de psicopata”. (O Norman Bates do título do post ser refere ao personagem principal de Psicose.)

São incontáveis os títulos do gênero, muitos de qualidade duvidosa. O cinema constuma confundir a figura do psicopata com o psicótico, então também não vou fazer uma separação muito rigorosa.

Abaixo, uma lista de 10 filmes com supostos psicopatas que considero simplesmente bons de assistir:

* Uma péssima tradução do título de um ótimo filme.

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A internet pode te deixar louco?

A resposta é não. Ou, pelo menos, não há dados sérios que mostrem isso.

Quando li há algumas semanas na Folha uma matéria sugerindo que a internet e o uso de gadgets poderia gerar doenças psiquiátricas, pensei em escrever aqui um texto de crítica a esse tipo de avaliação superficial. Não precisei, já que achei no Mind Hacks um ótimo artigo sobre o assunto: No, the web is not driving us mad

No texto, Vaughan Bell usa como exemplo uma matéria de capa recentemente publicada pela Newsweek sobre os supostos males psíquicos causados pela internet. Na matéria da revista, pode-se ler que a web chega a ser responsável até por quadros de psicose.

Bell chama atenção para a precariedade da sustentação científica de afirmações desse tipo, geralmente baseadas – quando baseadas – em evidências fracas ou em casos isolados. Não há, por exemplo, dados em décadas de pesquisa  sobre o assunto que indiquem que a internet esteja entre os fatores ambientais de risco para a esquizofrenia. A própria tentativa – tão citada ultimamente nos meios de comunicação – de catalogar um suposto vício de internet é um erro do ponto de vista científico, como o mesmo autor sugere em outro texto.

The article also manages the usual neuroscience misunderstandings. The internet ‘rewires the brain’ – which I should hope it does, as every experience ‘rewires the brain’ and if your brain ever stops re-wiring you’ll be dead. Dopamine is described as a reward, which is like mistaking your bank statement for the money.

Para os interessados no assunto:  leiam o texto com calma, junto com as referências.

* Acima, uma ilustração do artista James Jean.

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Cartum #28

Baseado neste comercial.

Por Primeiro Andar.

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O Duplo

O delírio de Capgras é também conhecido como delírio do sósia ou do duplo. Nessa alteração patológica do juízo de realidade o paciente crê que pessoas do seu convívio foram substituídas por sósias ou impostores. Essa manifestação é encontradiça não só nos quadros mentais orgânicos como as demências – quando há um prejuízo na capacidade de reconhecer rostos (prosopagnosia) – , mas também na esquizofrenia e em outros quadros psicóticos.

Encontrei uma revisão recente (em espanhol) muito boa sobre o assunto:  El delirio de Capgras: Una revisión

Otras variantes de este defecto en la identificación son el Síndrome de Frégoli (el paciente cree que uno o más individuos han alterado su apariencia para asemejarse a personas familiares), la intermetamorfosis (el paciente cree que las personas de su entorno han intercambiado sus identidades) y el síndrome de dobles subjetivos (el paciente está convencido de que existen dobles exactos a él).

Na literatura, autores como Dostoiévski, Borges e Poe se interessaram pela figura do duplo. Numa rápida pesquisa, achei este outro artigo, sobre o duplo na literatura de Jorge Luis Borges. O enfoque é dado sob a ótica da teoria de Jung.

Na literatura, na arte, na mitologia ou na história, o simbolismo do duplo se faz presente com todas as sugestões filosóficas, psicológicas e morais que em sua aparência e conteúdo se pode perceber. O duplo, que tanto revela quanto amedronta quem com ele se defronta, está presente na duplicação da figura humana ou da personalidade, como podemos ver na lenda do Narciso, ou no livro intitulado “OMédico e o Monstro” de Robert L. Stevenson.

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Procurando sinais

Milton Greek é portador de esquizofrenia paranóide e acredita que explorar o valor simbólico e sentido dos delírios pode ajudar às pessoas que sofrem com sintomas psicóticos.

Finding Purpose After Living With Delusion é uma excelente matéria publicada no New York Times sobre a experiência pessoal de Greek.

“When I began to see the delusions in the context of things that were happening in my real life, they finally made some sense”

O vídeo que acompanha a matéria é realmente emocionante.

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Sorôco, Guimarães Rosa e a loucura

 

Me inspirei no ótimo blog Ler para Contar, da minha esposa Ju Diniz, para lembrar do livro Primeiras Estórias do gênio mineiro Guimarães Rosa.

Há um conto no livro que, junto com o celebrado “A terceira margem do rio”, também fala da loucura. A estória é “Sorôco, sua mãe, sua filha” que nos conta do sofrimento do personagem principal prestes a embarcar num trem “duas mulheres, para longe, para sempre.”

A capacidade de Guimarães de emocionar ao mesmo tempo em que nos põe em contato com o insondável do transtorno mental só perde para a sua maestria na lida com a palavra.

Aí, paravam. A filha – a moça – tinha pegado a cantar, levantando os braços, a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras – o nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espalhados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas – virundangas: matéria de maluco.

Para quem ainda não tem essa pérola na estante, vai aqui uma versão online do conto.

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Enxergando de olhos fechados

Um estudo bem recente aponta que as mirações experimentadas pelas pessoas que utilizam a ayahuasca ativam o córtex visual da mesma maneira que um estímulo “real”.

Dito de outra maneira, é como se o cérebro não reconhecesse a diferença entre o estímulo provocado por um objeto colocado diante dos olhos das imagens alucinatórias produzidas pelo uso da substância. A Folha publicou um texto sobre o achado: Chá do Daime faz imagem mental tão vívida que se iguala à real.

Ao aumentar a intensidade de imagens recordadas, fazendo com que atinjam um nível idêntico ao de uma imagem natural, é como se a ayahuasca emprestasse um status de realidade a experiências internas.

Meu grande amigo e pesquisador Joel Porfírio, em estudo publicado no ano passado, mostrou que essas alterações ocorrem sem que haja perda do contato com a realidade, no entanto se aproximam bastante do funcionamento do cérebro de pacientes com psicose.

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