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Beatles e a neurociência

Você já escutou tanto um disco a ponto de ter a sequência de músicas incrustada na memória? Você sabe que isso aconteceu quando, mesmo muitos anos depois, ao por o disco pra tocar, no final de uma música você sabe exatamente qual é a próxima, ou chega a ouvir dentro da cabeça os acordes iniciais da seguinte.

O pesquisador Josef Rauschecker da Universidade de  Georgetown estuda o papel do sistema motor do cérebro relacionado à memória. Aparentemente, o sistema motor é capaz de gravar sequências de notas musicais, palavras e eventos.  Estudos de neuroimagem funcional conduzidos por Rauschecker mostram que, ao contrário do que se pode imaginar, quando voluntários são solicitados a memorizar sequências musicais, as principais áreas cerebrais envolvidas não são aquelas relacionadas à audição, mas certas áreas motoras.

Segundo o pesquisador, o que o motivou a investigar o assunto foi a curiosidade com a fixação das suas próprias memórias relacionadas a músicas dos Beatles. Talvez, se não fosse pelo Rubber Soul, o Revolver e o White Album, esses estudos sobre o funcionamento da memória não estivessem sendo conduzidos.

Leia mais na matéria: The Beatles’ Surprising Contribution To Brain Science

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Diamante louco

Syd Barrett fundou a banda Pink Floyd, mas teve de abandoná-la antes do que desejava, no auge do reconhecimento e do sucesso comercial.  O Pink Floyd, porém, nunca abandonou Syd Barret.

Depois da saída do músico, acometido por um quadro psicótico que viria a se tornar crônico, músicas da banda – e um disco inteiro, na verdade – passaram a fazer referência ao elemento perdido. A canção mais conhecida talvez seja Wish you were here, onde fica claro o vácuo deixado pelo principal letrista. Em Shine on you crazy diamond o elemento ‘loucura’ parece pairar como um fantasma sobre a cabeça dos integrantes remanescentes:

You reached for the secret too soon,
You cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.

A revista Mente e Cérebro traz uma matéria interessante sobre a “loucura produtiva” de Syd Barret, chegando a comparar o impacto da obra do músico inglês à ruptura que James Joyce provocou na literatura.

Leia: Eu queria que você estivesse aqui.

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Intermezzo

 

A idéia que os Ramones tinham de ‘psicoterapia’ certamente não era a mais adequada. Se bem que prefiro acreditar que o título da música acima seja mais um jogo de palavras entre psychotherapy (‘psicoterapia’) e psycho therapy (‘terapia psicopata’).

I am a teenage schizoid
The one your parents despise

Como quase tudo dos Ramones o clipe é bem naïve e cheio de humor negro. Repare nos clichés sobre a psiquiatria institucional americana.

Eu gosto.

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Pop ensandecido

Syd Barrett (1946-2006)

 

Esse é mais um daqueles links pra quem gosta do tema criatividade & transtornos mentais.

Gostei da lista publicada no site da GibsonMad Geniuses: 10 Brilliantly Eccentric Musicians

O rol reúne músicos e compositores do universo pop que tiveram suas vidas tocadas em algum momento pelo transtorno mental ou pela excentricidade. Alguns deles eu não conhecia, o que tornou a lista uma boa oportunidade pra entrar em contato com coisas diferentes.

Alguns da lista eu até já citei aqui, como Brian Wilson (Beach Boys) e Wayne Coyne (The Flaming Lips).

Aqui no Brasil, uma lista dessas certamente incluiria o músico Arnaldo Baptista, dos Mutantes.

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Intermezzo

 

Aproveitando a deixa do último post, a música “Love Will Tear Us Apart” da banda britânica Joy Division.

O líder e vocalista Ian Curtis suicidou-se aos 23 anos. É possível que Curtis sofresse de um transtorno depressivo agravado por uma epilepsia mal controlada.

A vida do artista foi transformada em filme em 2007.

Representações da epilepsia

O Art of Epilepsy é um blog só com referências feitas à epilepsia na arte e na cultura. Acho que não precisa dizer mais nada. Vai .

Na foto acima, Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division, que sofria de epilepsia.

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Rockterapia

 

Achei muito interessante esse vídeo de um show da banda novaiorquina de rock The Cramps no final dos anos 70. Trata-se de uma apresentação gratuita feita pela banda no hospital psiquiátrico Napa State Mental Hospital durante uma turnê por cidades americanas.

É emocionante ver a reação dos pacientes à música e a interação deles com os artistas (que me parecem muito à vontade).

Quem me mandou a dica foi o amigo Quinderé, ressaltando que o comportamento dos pacientes não era nada diferente daquele do público habitual da banda. Concordo.

O que é o air guitar, senão uma ecopraxia?

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Fatos sobre o Lítio

Curiosidades que você  não encontra naquelas folhinhas das bandejas do McDonald’s:

- O lítio é um metal alcalino cuja fonte mineral mais acessível na natureza é a petalita. Na sua forma de carbonato de lítio foi a primeira medicação efetiva a ser usada para tratar o que hoje chamamos de transtorno afetivo bipolar.

- A petalita foi descoberta em 1800 pelo químico brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva (sim, aquele mesmo) que, entre outras coisas, era poeta e político.

- A petalita pode ser encontrada nos lagos salgados do Chile.

- O primeiro relato do uso empírico como medicação é do final do século XIX. Em 1949 o psiquiatra australiano John Cade acidentalmente descobriu o efeito anti-maníaco do composto.

- O refrigerante americano 7 Up era originalmente comercializado como um medicamento contra a ressaca no começo do século XX e continha lítio em sua composicao inicial.

- O psiquiatra e escritor americano Peter Kramer há alguns anos propôs a idéia de adicionar lítio à água consumida nas cidades para diminuir as taxas de depressão e suicídio.

- Há algumas músicas pop sobre o lítio. As mais conhecidas são as das bandas Nirvana e Evanescence, ambas  intituladas “Lithium”. Aparentemente Kurt Cobain, líder do Nirvana, sofria de transtorno bipolar.

- Para constar: o carbonato de lítio é, ainda hoje, uma das melhores medicações para tratar o transtorno bipolar.

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Sons de estimação

Hoje o disco Pet Sounds completa 45 anos. Esse jovem senhor foi lançado em 1966 pelos Beach Boys - alguns meses antes do álbum Revolver dos Beatles – e teria influenciado a dupla Lennon & Mccartney a alçar vôos mais sofisticados dentro da até então limitada fôrma da música pop.

E o que o Pet Sounds tem a ver com psiquiatria? A resposta é Brian Wilson, o líder, principal compositor e arranjador dos Beach Boys. Filho de um pai abusivo, o talentoso Brian conseguiu superar uma séria limitação auditiva – era quase completamente surdo à direita – e construir as intricadas linhas melódicas tão características da banda. Mais ou menos durante o período de gestação do Pet Sounds, Wilson meteu-se a descer o tobogã de quase todo músico da época: o uso de pesadas drogas alucinógenas. Não demorou até desenvolver delírios paranóides acompanhados de agorafobia que resultaram em anos de completa reclusão.

Hoje, apesar dos sintomas de discinesia tardia e certo embotamento afetivo, Brian Wilson ainda compõe e faz shows.

Aqui, o site oficial de um dos maiores gênios da música pop.

* No vídeo, a música é a versão remasterizada de God Only Knows. Ponha os fones de ouvido, diminua as luzes e relaxe.

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I wanna be sedated

Músicas sobre a loucura, a paranóia ou o processo de perder a razão. Algumas com senso de humor, outras nem tanto:

I wanna be sedated/ Psychotherapy (Ramones)
Shine on you crazy diamond /Brain damage (Pink Floyd)
Where is my mind? (The Pixies)
Subterranean homesick blues (Bob Dylan)
Basket case (Green Day)
Psycho killer (Talking Heads)
Under pressure (Queen & David Bowie)
Acute Schizophrenia Paranoia Blues (The Kinks)
Walking the cow (Daniel Jhonston)
Crazy (Gnarls Barkley)
Somebody’s watching me (Rockwell ft. Michael Jackson)
Son of Sam (Elliott Smith)
Paranoid (Black Sabbath)
Once (Pearl Jam)
Undone – the sweater song (Weezer)

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Paint it black

Number 32, Jackson Pollock (1950)

Quinze grandes músicas pop cujo tema principal é depressão/suicídio (não segui nenhuma ordem em especial):

Paint it black (Rolling Stones)
I’m so tired (Beatles)
Nothing compares to you (Prince)
Fell on black days (Soundgarden)
King of pain (The Police)
Everybody hurts (REM)*
Love will tear us apart (Joy Division)
I know it’s over (The Smiths)
Comfortably numb (Pink Floyd)
In my room (Beach Boys)
Fade to black (Metallica)
Lithium (Nirvana)
Perfect day (Lou Reed)
Trouble (Cat Stevens)
Things behind the sun (Nick Drake)**

* Acho o clipe dessa particularmente bonito
** Na verdade, é difícil acha alguma do Nick Drake que não seja sobre melancolia.

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