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O que é psicanálise?

 

Um vídeo que pode confundir mais que educar, mas eu gostei.

Trata-se de um curta animado feito pelo Instituto de Psicanálise da British Psychoanalytic Society. A animação aborda o que acontece durante as sessões de terapia de uma maneira um tanto abstrata e com muita licença poética.

A trilha é muito boa, com destaque para a ótima música do final: It must be something psychological.

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Salada de palavras

“Em nossos sonhos somos conduzidos a um mundo primitivo. Trata-se de um mundo mais parecido com o do selvagem, da criança, do criminoso, do louco do que com o mundo desperto do respeitável cidadão. Deve-se admitir que a isso se deve, em grande parte, o charme dos sonhos. E é também esse seu valor científico. Através dos nossos sonhos podemos compreender nossa ligação com estágios evolutivos há muito deixados para trás e, pela vivissecção da nossa própria vida onírica, podemos apreender algo a respeito do homem primitivo e da natureza de suas crenças (…)

O interesse [em estudar os sonhos] tem duas facetas. Não só pode nos revelar um mundo arcaico de vasta emoções e pensamentos imperfeitos mas, nos ajudando a obter um claro conhecimento dos processos oníricos comuns, pode proporcionar um avanço na compreensão de muitos dos fenômenos extraordinários do sonho, muitas vezes apresentados a nós por pessoas impressionáveis com algo misterioso ou mesmo sobrenatural.”

Havelock Ellis“The stuff that dreams are made of” (1899) – antes de Freud e sua Interpretação dos sonhos. Texto publicado na Appletons’ Popular Science Monthly.

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Cinema enfeitiçado

 

Eu já tinha mencionado aqui e aqui o filme Spellbound (“Quando fala o coração“. EUA, 1945)

Nesse thriller de Alfred Hitchcock Ingrid Bergman faz o papel de uma jovem psiquiatra que tenta tratar a amnésia dissociativa do (possível) criminoso vivido por Gregory Peck. O problema é que o uso excessivo de elementos de psicanálise que caíram no gosto da cultura popular – geralmente simplistas e hoje considerados obsoletos – no  pós-guerra não consegue esconder uma trama de assassinato um tanto fraca para os padrões do diretor. Esse é o ponto baixo do filme.

No ponto alto – além, é claro, da beleza e do talento de Ingrid Bergman, capazes de gerar uma transferência erótica maciça e imediata em qualquer marmanjo –  temos a brilhante sequência de sonho (no vídeo acima) criada por Salvador Dali exclusivamente para o filme.

O artista catalão já havia feito cinema junto com Buñuel em A Idade do Ouro e no antológico Um Cão Andaluz (que pode render um post no futuro). Dali criou várias sequências oníricas que não foram usadas na edição final de Spellbound. Hitchcock costumava lembrar de uma das impressionantes sequências perdidas: a cena de uma estátua partindo ao meio e revelando em seu interior Ingrid Bergman.

Não sei das cenas que se perderam mas considero o que ficou no corte final espetacular. Assista e tire suas conclusões.

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Intermezzo

“Army of Me” da Björk é mais um daqueles clipes com jeito de sonho/pesadelo. O vídeo é obra do genial Michel Gondry, que dirigiu outro vídeo da cantora com o mesmo toque onírico: Human Behaviour.

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Ciência dos sonhos

Uma série de artigos da Scientific American discute assuntos que teimam em permanecer parcialmente insondáveis à ciência. O primeiro tema é o sonho: Too Hard for Science?: The sense of meaning in dreams

A matéria é baseada numa entrevista com o pesquisador do sono Robert Stickgold e traz insights interessantes sobre o tema do ponto de vista da neurociência.

What is it about the dream process that so frequently and universally across people generates this very strong perception of something like importance or significance or deepness, a feeling we find hard to define, and one that’s often totally wrong, in that when you tell others about your dreams, you find they don’t have any obvious significance?

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Vastas emoções e pensamentos imperfeitos


Se existe um cineasta capaz de recriar com perfeição em filmes aquele clima dos sonhos, esse cineasta é David Lynch. O diretor americano sempre consegue reunir na tela com muita habilidade elementos que fazem a gente ressoar emocionalmente como se estivesse dentro do sonho ou pesadelo dos personagens.

Selecionei do Lynch e de outros diretores algumas grandes sequências oníricas do cinema (clique para ver o vídeo dos trechos):

- Twin Peaks (David Lynch)
- Um cão andaluz (Luis Buñuel)
- O Chamado* (Gore Verbinski)
- Cidade dos Sonhos (David Lynch)
- 8 1/2 ( Federico Fellini)
- O Grande Lebowski (Irmãos Coen)
- Spellbound (Alfred Hitchcock)
- Akira (Katsuhiro Ôtomo)

* Essa sequência não é propriamente de sonho mas entrou na lista pela dose de surrealismo.
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