Tag Archives: suicídio

Cão de olhos negros

Vi no Mental Elf uma matéria sobre a ineficácia na prevenção de sintomas depressivos das chamadas low-intensity interventions – em português, algo como intervenções leves, ou seja, aquelas que não se baseiam em medicações ou atuação direta do terapeuta. É o caso de atividades físicas de grupo e terapia cognitiva computadorizada.

Pois é, parece que isso não funciona bem para evitar que pacientes com depressão voltem a adoecer, como você pode ler aqui. Mas não foi isso que me chamou a atenção.

O que gostei mesmo foi da menção à canção de Nick Drake chamada Black Eyed Dog (escute no vídeo acima). Aparentemente, a letra é sobre a inevitável instalação da melancolia no espírito das pessoas que sofrem de depressão. Sabidamente, o compositor e músico britânico Nick Drake era portador da doença e suicidou-se poucos meses após gravar a música, depois de tomar uma overdose do antidepressivo imipramina.

A black eyed dog he called at my door
The black eyed dog he called for more
A black eyed dog he knew my name
A black eyed dog.

I’m growing old and I wanna go home
I’m growing old and I don’t wanna know.

A black eyed dog he called at my door
A black eyed dog he called for more.

Já havia falado sobre Nick Drake aqui. E sobre outras músicas cujo tema é a depressão, aqui.

P.S.: Ainda sofro com problemas no computador. Devo voltar a postar com mais frequência a partir da próxima semana. Té.

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Loucura e suicídio na Era Vitoriana

Encontrei um tese de doutorado sobre alguns aspectos do tratamento psiquiátrico no século XIX. Suicide, lunacy and the asylum in nineteenth-century England da pesquisadora Sarah York discute as caraxterísticas do tratamento dado aos pacientes suicidas em um período interessante da história da psiquiatria.

There is a distinct appreciation of the broader social and political context in which the asylum operated and how this affected suicide prevention and management. This thesis argues that suicidal behaviour, because of the danger associated with it, triggered admission to the asylum and, once admitted, dangerousness and risk continued to dictate the asylum’s handling of suicidal patients.

A tese pode ser lida na íntegra aqui.

(dica de @ChirurgeonsAppr)

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Shakespeare e o suicídio

Gostei deste texto que li no blog The Art of Psychiatry sobre o suicídio nas peças mais famosas de William Shakespeare.

A autora Katrina Davis discute, com um sutil senso de humor, como seria possível salvar os personagens do trágico fim pelo auto-extermínio. Ela sugere, por exemplo, que nos dias de hoje Ofélia (da peça Hamlet) poderia ser encaminhada a um serviço de Intervenção Precoce para manejo de um primeiro surto.

We have seen that there are a number of deaths in Shakespeare tragedies our society might view as preventable. Public health measures against suicide and poisoning may have helped Juliet, and her Romeo might have been helped by offender rehabilitation. Treatment for mental health or emotional problems might have helped Hamlet and Lady Macbeth. An integrated approach to assessing and managing cognitive decline may have helped King Lear and his family.

É em inglês, mas vale a pena ler com calma.

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Loucura feminina no século XIX

John Everett Millais: Ophelia, 1851-1852

 

HerStoria é uma revista toda dedicada ao papel da mulher na história. Encontrei lá um ótimo artigo sobre a loucura feminina e suas ligações simbólicas, com foco no século XIX. O texto não é longo, e vale pelo condensado de informações curiosas.

Ofélia (Ophelia), personagem de Hamlet, foi um símbolo comumente usado para representar a loucura no sexo feminino.  A personagem, vítima de uma morte trágica (provavelmente suicídio), enlouquece após a morte do pai. Seus discurso final na na célebre peça de Shakespeare é impregnado de um conteúdo erótico latente.

O mesmo erotismo foi considerado a principal causa das enfermidades mentais na mulher da Era Vitoriana. Nesse período um certo dr. Isaac Baker Brown desenvolveu a clitoridecotmia, a remoção cirúrgica do clitóris com o objetivo de curar a insanidade.

Leia mais em Women and Madness.

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A beleza trágica do incomum

An Emergency In Slow Motion é a biografia de Diane Arbus, um dos maiores nomes da fotografia do século XX. O livro  tem sido chamado, na verdade, de psicobiografia, já que foi escrito pelo psicólogo Todd Schulz a partir de dados fornecidos, inclusive, pelo terapeuta da artista. A obra tenta lançar luz sobre a personalidade e o funcionamento psíquico da fotógrafa norte-americana, que sofria de depressão e se suicidou aos 48 anos.

Arbus tornou-se conhecida pela impressionante documentação em preto-e-branco de pessoas em seu dia-a-dia, imprimindo sempre um ar de mistério e profundidade em suas imagens. Sua série de retratos de “freaks”(anões, travestis, gigantes) é impressionante.

O livro já entrou na minha lista de leitura deste ano.

Aqui, uma amostra do trabalho de Diane Arbus.

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Para entender o suicídio

O livro O Suicídio de Émile Durkheim foi publicado em 1897 mas continua sendo uma obra de referência à psicologia, psiquiatria e sociologia sobre o tema. Foi somente a partir desse trabalho que se passou a estudar o auto-extermínio como uma complexa ocorrência social e não um mero problema moral (ou psicológico) restrito ao âmbito do indivíduo, como era visto até então.

Encontrei um bom artigo introdutório (em português) sobre o livro: O Suicídio – Reavaliando um clássico da lietratura sociológica do século XIX

Durkheim coloca em evidência que os tipos sociais que propõe correspondem aproximadamente a tipos psicológicos. Assim, ao suicídio egoísta corresponde apatia e secundariamente melancolia; ao altruísta, energia passional ou voluntária e sentimento do dever; ao anômico, corresponde irritação, desgosto e como variedade secundária, queixas contra a vida etc.

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Os sofrimentos do jovem Hamlet

Ótimo (e curto) texto sobre alguns aspectos psicopatológicos do personagem mais célebre de Shakespeare: A Melancolia em Hamlet

Durante a tragédia, Shakespeare marca o caráter do protagonista com uma notável manifestação de tristeza. A peça, que traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida, mostra que o dramaturgo, sem pesquisas e fundamentos científicos, mas com intuição e sensibilidade, percebeu exatamente como se comporta um homem acometido pela depressão.

Quem escreve é Renata Calheiros Viana, do blog A Arte da Medicina.

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Durkheim, Marx e suicídio

O Suicídio, Wiertz (1864)

Suicídio e sociedade: um estudo comparativo de Durkheim e Marx é um bom artigo que pode interessar aos que gostam de psiquiatria social.

Se O suicídio de Émile Durkheim é uma obra rigorosamente científica, Sobre o suicídio de Karl Marx é, acima de tudo, uma obra curiosa. Primeiro porque ela não faz uso da estatística para delimitar a fronteira do campo sociológico. Pelo contrário, ao analisar o tema do suicídio a partir da metodologia do estudo de caso, Marx acaba por aproximar a Sociologia das outras ciências humanas.

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Paint it black

Number 32, Jackson Pollock (1950)

Quinze grandes músicas pop cujo tema principal é depressão/suicídio (não segui nenhuma ordem em especial):

Paint it black (Rolling Stones)
I’m so tired (Beatles)
Nothing compares to you (Prince)
Fell on black days (Soundgarden)
King of pain (The Police)
Everybody hurts (REM)*
Love will tear us apart (Joy Division)
I know it’s over (The Smiths)
Comfortably numb (Pink Floyd)
In my room (Beach Boys)
Fade to black (Metallica)
Lithium (Nirvana)
Perfect day (Lou Reed)
Trouble (Cat Stevens)
Things behind the sun (Nick Drake)**

* Acho o clipe dessa particularmente bonito
** Na verdade, é difícil acha alguma do Nick Drake que não seja sobre melancolia.

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