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Emaranhado de memórias

 

O belo curta animado em stop-motion Undone captura de maneira abstrata a progressão da doença de Alzheimer.

Hayley Morris, realizadora do filme, diz que se inspirou no seu avô para fazê-lo.

Bonito.

(via Brain Pickings)

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Intermezzo

Six o’clock – TV hour. Don’t get caught in foreign towers.
Slash and burn, return, listen to yourself churn.
Locking in, uniforming, book burning, blood letting.
Every motive escalate. Automotive incinerate

Intermezzo

As I burned all the books I read
I recalled somethin’ someone somewhere said;
“There’s so much in us you don’t see.”
Don’t judge anyone because

everybody comes full circle. I’ve come full circle.

Triste nota azul

“Blue” em inglês não significa somente a cor azul. Principalmente nos Estados Unidos, blues quer dizer um tipo de sentimento melancólico semelhante à nossa saudade. A música de origem negra que leva o nome da cor não foi batizada em vão; ela foi forjada pela melancolia do povo africano transformado escravo na América do Norte. Algo como o banzo dos nossos escravos.

Do ponto de vista musical, há uma intrigante característica no lamento cantado do blues. A chamada “blue note” é uma nota musical que não se encontra na escala de tons e semi-tons do modelo ocidental. Ela é obtida na guitarra, por exemplo, através de uma técnica chamada bend, que consiste em esticar a corda tocada pela palheta com o dedo que a pressiona, para baixo ou para cima. Isso produz uma nota fora do intervalo tradicional que, usada em determinados pontos da construção melódica, dá a sensação de um choro ou lamento. O mesmo efeito pode ser conseguido com a voz.

Não entendeu? Ouça aqui uma das primeiras gravações do blues, do pioneiro Blind Lemon Jefferson. Escute como ele canta a canção “Long Lonesome Blues”.

I walked from Dallas, I walked to Wichita Falls
I say I walked from Dallas, I walked to Wichita Falls
Hadn’t a’ lost my sugar,  I wasn’t gonna walk at all.

Repare em como as notas das sílabas walked e Wichita são pronunciadas. Elas são blue notes na melodia. A música do vídeo que ilustra este post também  traz várias inflexões desse tipo na voz de Billie Holiday em “Gee baby, ain’t I good to you?”. Na mesma canção, perceba como a guitarra abusa da técnica.

Interessante notar como a música é capaz de sintonizar de maneira sutil em nós sentimentos e emoções. Já tinha se dado conta disso?

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Adelaide

 

Adelaide” (EUA, 2011 – em inglês, sem legendas ) é um curta-metragem que conta a história de uma garota com transtorno factício. A personagem principal, que dá nome ao filme, cria sintomas e doenças na tentativa de se aproximar das pessoas e receber cuidados.

O transtorno factício recebe também o nome de síndrome de Münchausen. O epônimo deriva do Barão de Münchhausen, um nobre alemão que viveu no século XVIII, famoso por contar histórias mirabolantes e improváveis nas quais figurava como personagem. Em 1951, o médico britânico Richard Asher batizou a síndrome com o nome do barão teutônico em um artigo publicado no The Lancet.

Reserve 12 minutos para assistir ao curta, vale a pena.

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Intermezzo

 

“Mélancolique” é uma bonita música do compositor/arranjador/cantor francês Benjamin Biolay.

Transatlantique est mon coeur 
Plein de bateaux à vapeur 
J’ai des vues sur le bonheur 
Mais de vous à moi 
Vous n’le verrez plus 
Vous n’le verrez pas 

Valium vintage

Encontrei essa propaganda americana da medicação Valium (diazepam) da década de 70. Involuntariamente engraçada.

The patient finds it easier to feel hopeful about the future. Valium: for the response you know, want and trust.

Parecida com essa dos nossos dias.

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Do trauma à luz

 

O documentário Let there be light (USA, 1946) demorou trinta e cinco anos para sair das gavetas da censura americana. Sua primeira exibição, no Festival de Cannes em 1981, trouxe à luz o filme esquecido do grande cineasta americano John Huston, feito sob encomenda pelo deparatmento de propaganda do exército dos EUA.

O filme mostra o tratamento dado a ex-combatentes da Segunda Guerra incapacitados pelos traumas psíquicos do combate. O motivo da censura foi meramente político: no período, o trauma de guerra – principalmente no âmbito militar – era visto como algo que acometia somente pessoas “fracas”. Como o filme mostra soldados humanizados, bem diferentes dos heróis de guerra imbatíveis imaginados pela população americana, as forças armadas consideraram o documentário um potencial material de anti-propaganda.

Assista acima ao documentário completo (sem legendas) disponível no YouTube.

Clique aqui para ver mais material sobre transtorno de estresse pós-traumático e neuroses de guerra.

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Intermezzo

“Adiós Nonino” do maestro Astor Piazzolla. Nada como ver e ouvir o próprio autor ao  bandoneón.

O que é psicanálise?

 

Um vídeo que pode confundir mais que educar, mas eu gostei.

Trata-se de um curta animado feito pelo Instituto de Psicanálise da British Psychoanalytic Society. A animação aborda o que acontece durante as sessões de terapia de uma maneira um tanto abstrata e com muita licença poética.

A trilha é muito boa, com destaque para a ótima música do final: It must be something psychological.

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A voz atrás do divã

Já postei aqui um dos poucos registros filmográficos do pai da psicanálise. Acima, você escuta o único registro conhecido da voz de Sigmund Freud.

A gravação é de 7 de dezembro de 1938 e foi feita por uma equipe da BBC. Apesar da dificuldade de fala por causa de fortes dores devido ao câncer de boca, é possível entender trechos do breve discurso em inglês.

I started my professional activity as a neurologist trying to bring relief to my neurotic patients. Under the influence of an older friend and by my own efforts, I discovered some important new facts about the unconscious in psychic life, the role of instinctual urges, and so on. Out of these findings grew a new science, psychoanalysis, a part of psychology, and a new method of treatment of the neuroses. I had to pay heavily for this bit of good luck. People did not believe in my facts and thought my theories unsavory. Resistance was strong and unrelenting. In the end I succeeded in acquiring pupils and building up an International Psychoanalytic Association. But the struggle is not yet over.

Essa é a voz que Anna O. , Dora e Elizabeth von R. escutaram falando diretamente aos seus inconscientes.

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O que a mente vê

 

Eu sei que está um pouco cansado falar bem ou indicar as palestras da TED, mas essa apresentação de 2009 do neurologista e escritor Oliver Sacks vale a recomendação.

Sacks fala da síndrome de Charles Bonnet, que é a ocorrência de alucinações visuais em pacientes com algum grau de déficit visual. Alucinose seria o termo psicopatológico mais preciso, já que o doente percebe a alteração sensoperceptiva como algo estranho à vida psíquica ou, como se diz em psiquiatria, faz crítica ao fenômeno. Oliver Sacks chama a atenção para este fato ressaltando que, nas psicoses, o doente interage ou “acredita” nas alucinações auditivas ou visuais produzidas pelo cérebro.

Charles Bonnet descreveu a síndrome em 1760 a partir do relato das alucinações (ou alucinose) que seu avô experimentava. Depois de 250 anos ainda tentamos entender como o cérebro funciona nessa condição particular.

Dê play e assista ao vídeo, que tem legendas em português.

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Sindrome de Paris

Há alguns anos aparecem relatos na mídia de uma estranha patologia psiquiátrica que acomete os turistas japoneses na capital francesa. Os sintomas agudos da chamada síndrome de Paris incluem delírios, alucinações, sensação de estar sofrendo preconceito ou de ser alvo de hostilidade, ansiedade, desrealização e despersonalização.

Aparentemente, a síndrome acomete por volta de doze turistas japoneses de um milhão que visitam Paris anualmente. Do ponto de vista estatístico, esse número não seria maior do que a incidência de, digamos, esquizofrenia na população geral. A existência e validade diagnóstica da síndrome, portanto, permanecem uma incógnita até o momento, apesar do alarde dos meios de comunicação.

Encontrei no Neurbonkers uma boa matéria sobre o assunto que levanta como hipótese etiológica o choque cultural, além de discutir outros aspectos: Paris Syndrome: Peculiar Madness or Urban Legend? 

Acima um documentário (em inglês) sobre o suposto fenômeno. (Repare que o filme começa citando o caso de Albert Dadas – o turista patológico -, de quem já falei aqui).

Já falei também aqui de uma outra síndrome que acomete particularmente os ocidentais, a Jiko-shisen-kyofu.

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Cão de olhos negros

Vi no Mental Elf uma matéria sobre a ineficácia na prevenção de sintomas depressivos das chamadas low-intensity interventions – em português, algo como intervenções leves, ou seja, aquelas que não se baseiam em medicações ou atuação direta do terapeuta. É o caso de atividades físicas de grupo e terapia cognitiva computadorizada.

Pois é, parece que isso não funciona bem para evitar que pacientes com depressão voltem a adoecer, como você pode ler aqui. Mas não foi isso que me chamou a atenção.

O que gostei mesmo foi da menção à canção de Nick Drake chamada Black Eyed Dog (escute no vídeo acima). Aparentemente, a letra é sobre a inevitável instalação da melancolia no espírito das pessoas que sofrem de depressão. Sabidamente, o compositor e músico britânico Nick Drake era portador da doença e suicidou-se poucos meses após gravar a música, depois de tomar uma overdose do antidepressivo imipramina.

A black eyed dog he called at my door
The black eyed dog he called for more
A black eyed dog he knew my name
A black eyed dog.

I’m growing old and I wanna go home
I’m growing old and I don’t wanna know.

A black eyed dog he called at my door
A black eyed dog he called for more.

Já havia falado sobre Nick Drake aqui. E sobre outras músicas cujo tema é a depressão, aqui.

P.S.: Ainda sofro com problemas no computador. Devo voltar a postar com mais frequência a partir da próxima semana. Té.

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Paranóia na tela

O pessoal da psicanálise vai gostar desse.

Em breve deve estrear um filme sobre a vida  (e delírio) de um dos casos mais famosos trazidos à luz pelo pai da psicanálise. Shock Head Soul (Reino Unido/Holanda, 2011) projeta na tela a história de Daniel Paul Schreber,  juiz alemão acometido por um transtorno mental grave na virada do século XX. O filme é baseado no livro “Memórias de um doente dos nervos”  publicado em 1903, que narra a formação do exuberante delírio do autor.

Em 1911 a obra foi analisada por Freud como paradigma de um caso de paranóia.

Veja aqui o site oficial do filme.

Leia aqui a entrevista com Helen Taylor-Robinson (psicanalista) e Clive Robinson (psiquiatra) que participaram da realização do filme.

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